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"publishedAt": "2026-04-07T19:03:15.000Z",
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"coleção Fortaleza 300 anos: vozes, sons e memórias em canção — cartões-postais sonoros",
"produziram o curta-metragem Ao mar"
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"textContent": "O aniversário de 300 anos de Fortaleza ganha mais uma celebração. **Na segunda-feira (13), às 17h** , a escritora **Tércia Montenegro** , professora do Departamento de Letras Vernáculas da Universidade Federal do Ceará (UFC), **lança a obra _Dicionário amoroso de Fortaleza_** , no auditório da Reitoria (avenida da Universidade, 2853, Benfica). Na ocasião, são convidados o escritor Pedro Juca e o coordenador editorial da Editora UFC, Fernando Gleibe, como mediador.\n\nAntes, às 15h30, será exibido o curta-metragem _Meu amigo mineiro_ , de Victor de Melo, Victor Furtado e Gabriel Martins. Também haverá apresentação musical com Ozano Arruda interpretando canções do movimento Pessoal do Ceará, e será lançada a coleção Fortaleza 300 anos: vozes, sons e memórias em canção — cartões-postais sonoros.\n\nPublicado inicialmente em 2014, o novo exemplar do _Dicionário amoroso de Fortaleza_ é, também, uma reescrita do olhar. “Há novidades que não estão apenas no texto, mas na forma como ele é relido pelo tempo. Algumas ausências se tornaram mais visíveis, algumas presenças ganharam outros sentidos”, explica a docente. Entre a primeira edição e a de 2026, o que mudou foi também o que se revelou. Para ela, “a cidade continuou crescendo, mas certas perguntas permaneceram — talvez mais urgentes. O livro, nesse sentido, não envelhece: ele se desloca junto com a cidade”.\n\nDe A a Z, o dicionário criado por Tércia Montenegro nasceu de uma vontade de organizar o afeto sem domesticá-lo. Mesmo parecendo algo objetivo, um dicionário é uma coleção de escolhas, com cada verbete tendo o papel de captar a memória, o amor e a experiência urbana, entre outras percepções. Segundo a autora, **transformar Fortaleza em personagem foi um gesto de escuta** , para que a cidade deixe de ser cenário e passe a ser agente, reaja, tenha humor, contradições e silêncios. Assim, Fortaleza não é apenas descrita: ela apresenta a si mesma.\n\n**CONTRASTE E RESISTÊNCIA** - A passagem dos séculos deu a cidade diferentes aparências e assimilações. O crescimento da capital, alicerçado, em parte, pela proliferação de farmácias, de fachadas repetidas, de urgências comerciais, é responsável por uma paisagem de apagamentos, de acordo com a professora. Em contraposição estão as edificações dos séculos XIX e XX, que resistem como quem guarda uma memória mais lenta. “Essas estruturas não competem em volume, e sim em densidade: carregam histórias que não cabem em vitrines. O conflito entre esses tempos revela uma cidade em disputa consigo mesma. E que o crescimento não precise significar esquecimento”, reflete a autora.\n\nOs extremos de Fortaleza — sociais, geográficos, afetivos — falam de uma cidade que não se resolve em síntese, fazendo do contraste sua estrutura. E talvez seja justamente nesse atrito que a cidade encontra sua identidade: na recusa de ser apenas uma coisa. A partir disso, é possível notar um orgulho silencioso do fortalezense, ao indicar um lugar, defender um prato e rir das próprias caricaturas. Isso se reflete na cidade como uma espécie de duplicidade: ela é, ao mesmo tempo, vitrine e casa.\n\n**DICIONÁRIO EM AUDIOVISUAL** - Em 2016, alunos do PREAMAR Audiovisual, programa de realização da Escola Porto Iracema das Artes, produziram o curta-metragem Ao mar, baseado no _Dicionário amoroso de Fortaleza_. Tércia conta que recebeu o filme com emoção e estranhamento, que são duas formas de reconhecimento. “Ver um texto ganhar imagem é perceber aquilo que nele já era imagem, mas também aquilo que escapa. O filme cria outra camada de leitura, mais sensorial, mais silenciosa, e isso me interessa profundamente”, afirma.\n\nPara Fortaleza, aos 300 anos, a escritora tem um desejo. “A partir do lugar de quem a escreve e, ao mesmo tempo, é escrita por ela, que [a cidade] continue mudando, mas sem perder completamente os vestígios que ainda permitem reconhecê-la. Escrever a cidade me ensinou que nenhuma transformação é neutra; sempre há algo que se ganha e algo que se apaga”, reflete.\n\n**SERVIÇO**\nLançamento do livro _Dicionário amoroso de Fortaleza_ , de Tércia Montenegro, escritora e professora do Departamento de Letras Vernáculas da UFC. A programação tem, ainda, exibição do curta-metragem ___Meu amigo mineiro_ , de Victor de Melo, Victor Furtado e Gabriel Martins, e apresentação de Ozano Arruda cantando _Pessoal do Ceará_\n**Data:** 13 de abril, a partir de 15h30\n**Local:** Auditório da Reitoria da UFC (avenida da Universidade, 2853, Benfica)\nAberto ao público\n\nFonte: _Tércia Montenegro, escritora e professora do Departamento de Letras Vernáculas da UFC - e-mail: tercia.lemos@ufc.br_",
"title": "À luz dos 300 anos da capital, Reitoria da UFC sedia lançamento do livro \"Dicionário amoroso de Fortaleza\" na segunda-feira (13)"
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