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"publishedAt": "2026-07-02T12:36:01.000Z",
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"textContent": "\nAdultos nos Estados Unidos que buscam com frequência orientações de saúde em chatbots de inteligência artificial acreditam mais em mitos sobre vacinas do que quem não usa essas ferramentas para esse fim. É o que aponta uma pesquisa divulgada nesta semana pela KFF, organização de pesquisa em saúde, segundo informações do The Guardian. O levantamento, feito em maio com uma amostra representativa de 2.480 adultos americanos, mostrou que o uso de chatbots de inteligência artificial está associado à crença em informações falsas, como a de que vacinas causam autismo ou que a vacina contra o sarampo é mais perigosa do que a própria doença. Segundo a KFF, essa associação se mantém mesmo quando o resultado é ajustado por idade, raça, escolaridade e posicionamento político dos entrevistados. A preocupação com o papel da inteligência artificial na disseminação de desinformação e na formação de opinião pública é antiga entre pesquisadores e autoridades de saúde. Uma parcela crescente da população americana passou a recorrer a chatbots para tirar dúvidas médicas: outra pesquisa da KFF, realizada em março, já havia identificado que cerca de um terço dos adultos do país busca informações de saúde em ferramentas de inteligência artificial. Empresas do setor também reconhecem esse uso. Em um post publicado em janeiro para anunciar uma ferramenta voltada especificamente para questões médicas, a OpenAI afirmou que saúde já está entre os assuntos mais comuns nas conversas com o ChatGPT, somando centenas de milhões de perguntas sobre saúde e bem-estar por semana. Os números da pesquisa Entre os adultos que recorrem a chatbots de inteligência artificial para questões de saúde ao menos uma vez por semana, 35% acreditam ser \"definitivamente ou provavelmente verdade\" que a vacina tríplice viral, contra sarampo, caxumba e rubéola, tem ligação comprovada com o autismo em crianças. Entre quem nunca usa inteligência artificial para esse fim, o percentual cai para 20%. Já entre os que consultam esse tipo de ferramenta ocasionalmente, 29% acreditam no mito. A pesquisa também identificou que 29% dos usuários frequentes de chatbots para questões de saúde acreditam que vacinas de RNA mensageiro podem alterar o DNA humano, o que não é verdade, ante 20% entre quem nunca usa essas ferramentas. Outros 22% dos usuários frequentes consideram a vacina contra o sarampo mais perigosa do que o próprio vírus, contra 15% entre quem não recorre a chatbots. A crença de que a vacina tríplice viral causa autismo é um dos pilares do movimento antivacina, que ganhou força após a pandemia de covid-19 e a nomeação de Robert F. Kennedy Jr. para o cargo de secretário de Saúde dos Estados Unidos. O mito surgiu a partir de um estudo publicado na revista científica The Lancet na década de 1990, posteriormente retratado pela publicação depois que suas conclusões foram consideradas falsas. Desde então, a ausência de ligação entre a vacina e o autismo foi confirmada por diversas outras pesquisas. O uso de redes sociais para buscar informações sobre saúde também apareceu associado à crença em desinformação sobre vacinas. Segundo a KFF, adultos que consultam redes sociais para questões de saúde ao menos uma vez por semana têm mais do que o dobro de chance de considerar \"provável\" ou \"definitiva\" a relação entre a vacina tríplice viral e o autismo, na comparação com quem não usa essas plataformas para esse fim: 37% contra 16%. Diferenças de renda e escolaridade A pesquisa também revelou uma divisão por perfil socioeconômico entre os americanos que recorrem à internet para tirar dúvidas de saúde. Pessoas com renda familiar mais baixa e sem ensino superior completo tendem a buscar essas informações com mais frequência em redes sociais. Já quem vive em domicílios com renda acima de US$ 90 mil por ano ou possui diploma universitário recorre proporcionalmente mais a chatbots de inteligência artificial. A pesquisa da KFF não identificou quais modelos de inteligência artificial os entrevistados costumam usar. Diferentes chatbots produzem níveis distintos de desinformação, com variações que resultam dos dados usados no treinamento de cada sistema e das escolhas das empresas responsáveis sobre como os modelos devem responder a perguntas sobre temas sensíveis. A busca por informações de saúde na internet não é um fenômeno recente. Segundo um estudo de 2025 conduzido por um pesquisador da Universidade Georgetown, cerca de 5% de todas as buscas feitas no Google dizem respeito a temas de saúde, e cerca de 77% das pessoas recorrem a mecanismos de busca para pesquisar sobre diagnósticos recém-recebidos.",
"title": "Uso frequente de chatbots de IA aumenta crença incorreta de que vacinas causam autismo"
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