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  "textContent": "\nA computação quântica ainda não se tornou uma tecnologia comum nas empresas, mas a corrida por profissionais capazes de entendê-la e aplicá-la já começou. No Brasil e no exterior, companhias de tecnologia, bancos, centros de pesquisa e universidades estão ampliando programas de formação, estágios, cursos e projetos voltados a profissionais capazes de transitar entre áreas como física, matemática, ciência da computação, engenharia, dados e negócios. Segundo pesquisa Quantum Technology Monitor 2026, da McKinsey, mais de 300 empresas no mundo já atuam com computação quântica, formando equipes internas, desenvolvendo algoritmos e preparando suas estruturas para integrar sistemas quânticos à computação clássica. A consultoria estima que o setor tenha gerado mais de US$ 1 bilhão em receita global em 2025 e que o potencial econômico da tecnologia possa chegar a US$ 2,7 trilhões até 2035. IBM vai investir US$ 10 bilhões para se tornar a \"Nvidia da computação quântica\" Substituição de trabalhadores por IA esbarra em custos e pode levar empresas a recontratar CEO global da IBM diz que 30% dos funcionários de suporte e back office não serão mais necessários em alguns anos Um estudo publicado na revista científica EPJ Quantum Technology, da Springer Nature, também mostra que o mercado ainda está em fase inicial, mas já começa a ganhar forma. A pesquisa analisou 3.641 vagas ligadas a tecnologias quânticas no mundo e identificou maior concentração nos Estados Unidos e na Europa, com demanda crescente por engenheiros, desenvolvedores de software e pesquisadores com formação avançada. Essa combinação ajuda a explicar por que a formação de profissionais virou um tema estratégico. A computação quântica não exige apenas físicos especializados em hardware. À medida que a tecnologia avança, cresce a necessidade de perfis mais diversos: pessoas que programam, constroem plataformas, desenvolvem algoritmos, interpretam dados, conectam a tecnologia a problemas de negócio e conseguem explicar um campo ainda difícil para empresas, governos e estudantes. “É uma situação dinâmica”, afirma Alexandre Pfeiffer, IBM Quantum Business Leader da IBM Brasil. O executivo afirma que a evolução da tecnologia tem ampliado o perfil dos profissionais que atuam no setor. No nível mais estrutural estão físicos, engenheiros e pesquisadores dedicados à construção dos computadores quânticos. Mas essa é apenas uma parte do ecossistema. Outra frente envolve profissionais de ciência da computação, desenvolvimento de software e engenharia de sistemas, responsáveis por criar as camadas que tornam esses computadores programáveis e acessíveis. “O profissional que faz esse tipo de software não é necessariamente um físico, mas sim cientistas da computação.” Alexandre Pfeifer, líder de vendas da IBM Quantum na América Latina Divulgação Há ainda um terceiro perfil: o de quem vai usar a computação quântica para resolver problemas práticos. Nesse grupo entram cientistas de dados, matemáticos, especialistas de negócio e pesquisadores de áreas como química, saúde, finanças, logística e energia. No Brasil, esse mercado ainda está em formação. Pfeiffer afirma que a América Latina está atrás de regiões como Estados Unidos e Europa em termos de adoção, mas que o interesse tem crescido à medida que empresas começam a entender onde a tecnologia pode gerar valor. A IBM não informa quantos profissionais atuam hoje com computação quântica no Brasil ou no exterior, mas afirma que esse número vem aumentando na última década. Levantamento realizado pela plataforma de recursos humanos Gupy, a pedido da reportagem, aponta que sete vagas na área de computação quântica foram abertas no país de janeiro a junho deste ano, a maioria delas em bancos e destinadas a profissionais com experiência em Phyton. No mesmo período do ano passado, foram oito. No último semestre de 2025, nove oportunidades foram disponibilizadas pelo site. De acordo com a Gupy, embora o volume de oportunidades ainda seja pequeno, ele tem se mantido relativamente estável, o que indica que a computação quântica ainda não alcançou escala de mercado no país, mas também já não pode ser considerada irrelevante. “Das 24 vagas abertas desde o ano passado, 11 exigiam doutorado e seis exigiam mestrado. Isso reflete o estágio atual do mercado, em que a computação quântica no Brasil ainda está muito associada à pesquisa aplicada, e não a operações em larga escala”, avaliam especialistas da plataforma. Tecnologia complementar O perfil das vagas também ajuda a explicar a forma como a tecnologia está sendo incorporada pelas empresas. Por ainda estar fortemente associada à pesquisa aplicada, a computação quântica não aparece, neste momento, como substituta direta da infraestrutura computacional tradicional, mas como uma tecnologia complementar, voltada a problemas específicos que exigem alta capacidade de simulação, otimização e análise combinatória. A expectativa não é que os sistemas quânticos substituam os computadores tradicionais, mas que passem a complementá-los em tarefas específicas, como simulações complexas, otimização e análise de grandes volumes de combinações. “O mercado de computação quântica em que as pessoas vão usar a tecnologia como ferramenta para resolver problemas está começando a se desenvolver agora”, avalia Pfeiffer. Entre os exemplos brasileiros, ele cita a participação de instituições financeiras, como Bradesco e Itaú, e centros de pesquisa em redes globais ligadas ao tema. O Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) também integra a rede da IBM e atua em projeto com a ExxonMobil, voltado ao uso de computação quântica em problemas relacionados ao setor de energia. A diferença em relação aos Estados Unidos está na maturidade do ecossistema. Lá fora, universidades e centros de pesquisa já tratam a computação quântica como uma frente estratégica de formação, pesquisa e desenvolvimento econômico. Andrea Goldsmith, presidente da Universidade do Estado de Nova York em Stony Brook Divulgação Em Nova York, por exemplo, a Universidade do Estado de Nova York em Stony Brook recebeu US$ 300 milhões do governo estadual no ano passado para criar o Quantum Research and Innovation Hub, voltado a pesquisas e capacitação de mão de obra em comunicação e redes quânticas. Com lançamento previsto até 2029, o projeto integra um movimento mais amplo do estado para se posicionar na corrida quântica, que também envolve instituições como a Universidade de Nova York e o Instituto Politécnico Rensselaer. \"Vejo a computação quântica ainda distante de ser prática em escala, mas importante para pesquisa e desenvolvimento, principalmente nas universidades”, afirma Andrea Goldsmith, presidente da Universidade do Estado de Nova York em Stony Brook, em evento na IBM, em Nova York, no início de junho. Investimento público Por aqui, o movimento é mais recente. Em junho, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação lançou o Projeto Residência em Tecnologias Quânticas – Qualificação e Empreendedorismo de DeepTechs Nacionais, voltado à formação de especialistas e ao estímulo a empresas brasileiras de base tecnológica. Com investimento estimado em R$ 20 milhões ao longo de 36 meses, o programa prevê 156 bolsas e deve capacitar cerca de 500 estudantes, pesquisadores e profissionais em áreas como computação quântica, microeletrônica, semicondutores e aplicações avançadas. As atividades serão realizadas em João Pessoa, Campina Grande, Fortaleza, Salvador, Goiânia e Campinas. \"Isso nos eleva a outro patamar, porque não se trata apenas da tecnologia do computador quântico, mas da capacidade de desenvolver componentes estratégicos em uma área que hoje é objeto de disputa tecnológica mundial\", diz Claudio Furtado, secretário de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior da Paraíba. Como as iniciativas de capacitação ainda estão em fase de implantação, ainda não há uma trilha consolidada de formação para quem deseja ingressar na computação quântica. Muitos jovens profissionais chegam ao tema a partir de áreas tradicionais, como ciência da computação, matemática, física ou engenharia, e só depois passam a direcionar a carreira para aplicações quânticas. Bruno Carvalho, estagiário de computação quântica da IBM Divulgação É o caso de Bruno Carvalho, de 19 anos, estudante de ciência da computação na FIAP e estagiário da IBM. Com interesse inicial em inteligência artificial e computação em nuvem, ele passou a atuar com computação quântica a partir de um programa de rotação dentro da empresa. “Eu não imaginava que teria essa oportunidade, mas, quando ela surgiu, foi extremamente animador. Apresentar a tecnologia para pessoas que ainda não entendem muito sobre ela é uma das coisas mais interessantes do meu trabalho”, afirma o universitário. Em uma área ainda em construção, curiosidade, disposição para aprender e capacidade de ensinar se tornam habilidades essenciais. Para Jerry Chow, diretor de tecnologia de computação quântica da IBM em Nova York, a América Latina tem potencial para acompanhar esse movimento, e o Brasil aparece como um celeiro de talentos. “Estamos animados para engajá-los”, afirma. *A jornalista viajou a Nova York a convite da IBM Futuro do Trabalho Arte/ÉpocaNegócios Mais Lidas",
  "title": "Do laboratório ao mercado: Brasil entra na corrida por talentos em computação quântica"
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