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"textContent": "\nA Roche está usando inteligência artificial em duas frentes de trabalho: a Diagnóstica e a Farmacêutica. A primeira tem adotado o recurso para otimizar o diagnóstico de doenças graves, enquanto a outra mira a produtividade de quem trabalha dentro da companhia. Na Roche Diagnóstica, o algoritmo GAAD passou a apoiar o rastreamento do carcinoma hepatocelular, a forma mais comum de câncer de fígado, e elevou a taxa de detecção precoce da doença de 55% para 72% em um estudo realizado na Itália, publicado pelo Journal of Medical Economics. Já na Roche Farma, o programa EverydayAI capacitou 100% dos funcionários da empresa no Brasil no uso de ferramentas como Gemini e NotebookLM, com economia média de 2,6 horas semanais por colaborador, segundo a empresa. Reforço na luta contra o câncer de fígado O algoritmo GAAD é descrito pela Roche como uma \"segunda opinião\" digital que cruza dados já existentes nos laboratórios para estimar o risco de um paciente desenvolver câncer de fígado. \"Os algoritmos, por si, não são diagnóstico isolado: eles ajudam a complementar o diagnóstico e potencializam o diagnóstico\", explica Carlos Martins, presidente da Roche Diagnóstica no Brasil. Carlos Martins, presidente da Roche Diagnóstica Brasil Divulgação Segundo ele, a ferramenta usa quatro variáveis: idade e sexo do paciente, mais os resultados de dois exames de sangue da própria Roche — a alfafetoproteína, marcador também associado à gravidez e usado como indicador oncológico, e o PIVKA-II, que sinaliza a ausência da vitamina K, tipicamente reduzida em pacientes com a doença hepática que pode evoluir para o câncer. O público-alvo são pacientes que já têm uma condição hepática crônica e, por isso, já estão em acompanhamento médico. Até hoje, o exame de referência para esse rastreamento é o ultrassom, mas Martins reforça que o método gera uma imagem “com pouca definição, e algum grau de subjetividade\". É nesse ponto que o algoritmo entra, somando-se ao exame de imagem em vez de substituí-lo. Segundo Martins, um estudo conduzido na Itália com pacientes portadores de doença hepática crônica mostrou que a combinação do algoritmo com o ultrassom permitiu identificar 17% mais casos do que o ultrassom isolado. \"A taxa de positividade para detecção em pacientes com doença hepática crônica é cerca de 55%. Quando a gente agrega o algoritmo, essa percentagem sobe para 72%\", afirmou. A pesquisa também apurou uma taxa de falsos negativos de apenas 0,6% para a ferramenta. Diagnosticar mais cedo, segundo Martins, amplia as opções terapêuticas disponíveis ao paciente. Nos estágios avançados da doença, o tratamento costuma se resumir a cirurgia ou transplante hepático, procedimento invasivo e sujeito a rejeição. O mesmo estudo italiano estimou que cada paciente diagnosticado mais cedo gera economia de internações, medicações e procedimentos cirúrgicos para os hospitais. Hoje, 80 instituições de saúde ao redor do mundo usam o algoritmo, segundo Martins — 56 na Ásia e 25 na Europa, com os Estados Unidos ainda em fase de aprovação regulatória. No Brasil, a Roche está em negociação para implementar o GAAD em pelo menos dois centros ainda neste ano. Marketplace de algoritmos O GAAD roda sobre a Navify, plataforma digital da Roche que concentra diferentes algoritmos de apoio diagnóstico e se conecta ao sistema de informação dos laboratórios hospitalares. Segundo Martins, o uso no dia a dia do médico se parece com a prescrição de qualquer outro exame, \"como quando você vai num check-up e o médico prescreve o painel metabólico básico\". A ferramenta é voltada a hospitais públicos, filantrópicos ou de redes privadas, onde os resultados do paciente já circulam de forma centralizada. Martins descreve a Navify como um ambiente que recebe algoritmos de terceiros além dos desenvolvidos pela própria Roche, citando como exemplo uma parceria recente para incorporar um algoritmo de rastreamento de câncer de próstata desenvolvido por uma empresa adquirida pela Roche. Na mesma linha, a companhia desenvolveu um algoritmo para rastreamento de câncer de colo, que usa idade, sexo e até cinco resultados anteriores de hemograma do histórico do paciente. Por se tratar de produtos de uso clínico, esses algoritmos passam por aprovação regulatória, o que os distingue, segundo Martins, de ferramentas desenvolvidas internamente por hospitais para uso restrito à própria base de pacientes. IA passa a fazer parte da rotina dos funcionários Enquanto a Diagnóstica aplica IA a exames clínicos, a Farma voltou a capacitação para dentro de casa. O programa EverydayAI chegou ao Brasil no segundo semestre do ano passado, como parte de uma iniciativa global da Roche, e foi estruturado em três etapas: uma sessão teórica, uma tarefa prática obrigatória e uma terceira etapa opcional, de maior complexidade. \"Nós como organização tínhamos que garantir que 100% das pessoas participassem\", contou Marília Ribeiro, líder de Pessoas e Cultura da Roche Farma. Segundo ela, o Brasil superou a média global de adesão, que não chegou a 100% em todos os países. Marilia Ribeiro, líder de People & Culture na Roche Farma Brasil Divulgação As sessões foram divididas por área de atuação, com um \"champion\" — early adopter local — conduzindo os grupos. \"Os exemplos, as experimentações, as trocas tinham a ver com as pessoas que estavam ali\", disse Ribeiro, citando o exemplo da própria equipe de People & Culture. As ferramentas centrais do treinamento foram o Gemini e o NotebookLM, do Google. Passado o treinamento inicial, a Roche soma hoje 90% dos colaboradores usando as ferramentas diariamente, com economia média estimada em 2,6 horas semanais por pessoa. Entre os departamentos da Roche Farma que já estão implementando a IA nos seus processos, está a área de Qualidade Regulatória. O setor lida com inspeções recorrentes da Anvisa e, para facilitar o processo de fiscalização, a equipe passou a usar o NotebookLM para estruturar análises de desvio e identificar causas de forma mais consistente, além de reduzir tempo operacional e retrabalho. As equipes que atuam na ponta, em contato direto com hospitais e secretarias de saúde, também estão incorporando ferramentas de IA. A Roche criou um agente que grava reuniões em áudio e identifica os temas considerados relevantes para a companhia, evitando depender da anotação manual do profissional durante a conversa. Um colega de trabalho diferente Paralelamente ao Gemini e ao NotebookLM, a Roche desenvolveu internamente o Alex, um agente voltado ao desenvolvimento de carreira dos funcionários, lançado por volta da mesma época do treinamento do EverydayAI. Segundo Ribeiro, a diferença em relação às ferramentas genéricas é a capacidade de cruzar dados internos da companhia — inacessíveis a um modelo comercial, por questões de privacidade — com o plano de desenvolvimento de cada funcionário. \"Eu pego o meu plano de desenvolvimento e coloco na ferramenta, e ele traz algo similar ao Gemini, só que também as dicas de treinamento específicas do nosso portal\", descreveu. Na avaliação dela, no entanto, o agente não substitui a relação com a liderança: \"É uma ferramenta para desenvolvimento que não exclui as conversas, que são importantes.\" Em busca de novas soluções No nível mais estratégico, a Roche ampliou neste ano sua infraestrutura de computação em parceria com a Nvidia, somando mais de 3.500 GPUs Blackwell. De acordo com a própria companhia, este é o maior parque computacional já anunciado por uma farmacêutica. Os centros de pesquisa e desenvolvimento da empresa estão concentrados principalmente na Europa — principalmente na Basileia, na Suíça, sede da empresa — e nos Estados Unidos, incluindo unidades na Costa Oeste americana. Segundo Martins, o desenvolvimento de uma nova molécula farmacêutica leva, em média, dez anos e pode custar cerca de 10 bilhões de reais ao longo desse período. A aposta da companhia é que a capacidade computacional ampliada reduza esse prazo — assim como o custo. *Com supervisão de Lia Hama Banner da Série IA na Prática Clayton Rodrigues Siga a Epoca Negócios: Mais Lidas",
"title": "Roche usa IA em novas soluções diagnósticas e para capacitar os funcionários no Brasil"
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