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  "textContent": "\nOs resultados da pesquisa podem abrir caminho para novas estratégias de redução do risco cardiovascular Getty Images É comum tratarmos o estresse como um problema exclusivamente psicológico. Um estudo recente realizado por pesquisadores da University of South Wales, no entanto, mostra que o nosso corpo não separa o psicológico do físico. O estresse e a ansiedade desencadeiam uma rápida cascata de alterações bioquímicas que percorrem a corrente sanguínea e afetam o organismo de maneiras mensuráveis. Ao submeter voluntários saudáveis a um teste de estresse em laboratório, os cientistas descobriram que o estresse mental agudo atua como um verdadeiro catalisador químico. Em questão de minutos, aumenta a produção de moléculas altamente reativas conhecidas como radicais livres. Essas moléculas, por sua vez, alteram a forma como os coágulos sanguíneos se formam. Em outras palavras, o estresse psicológico pode remodelar fisicamente o sangue, tornando-o mais propenso à formação de coágulos. Os cientistas sabem há décadas que o estresse crônico faz mal ao coração. Grandes estudos populacionais identificaram repetidamente o estresse emocional como um fator de risco para doenças cardiovasculares. O que permanecia menos claro era exatamente como uma emoção se transforma em uma alteração biológica capaz de aumentar o risco cardiovascular. Quando vivenciamos estresse psicológico, a hemostasia — sistema responsável por manter o sangue circulando normalmente e, ao mesmo tempo, preparado para interromper sangramentos quando necessário — sofre um desequilíbrio. O sangue passa a um estado que os cientistas chamam de hipercoagulabilidade, ou seja, torna-se mais propenso à coagulação. O mecanismo responsável por esse processo, no entanto, continuava sendo motivo de debate científico. Alguns especialistas defendiam que o estresse ativa o sistema imunológico, provocando inflamação generalizada. Outros sugeriam que ele torna o sangue mais concentrado à medida que a pressão arterial aumenta. A pesquisa realizada por Lewis Fall, professor sênior de Fisiologia Humana na University of South Wales, e seus colegas buscou colocar à prova uma explicação diferente: que o verdadeiro desencadeador era o estresse oxidativo. Trata-se de uma explosão de radicais livres provocada pela resposta natural do organismo ao estresse, funcionando como um mecanismo inicial que altera diretamente as propriedades estruturais do sangue. Para investigar essa hipótese, foi realizado um estudo clínico com oito homens jovens saudáveis, com idades entre 18 e 30 anos. Cada participante compareceu ao laboratório em duas ocasiões, com intervalo de uma semana. Em uma das visitas, o voluntário permaneceu sentado em repouso. Na outra, foi submetido ao Teste de Estresse Social de Trier, considerado o padrão-ouro para induzir estresse psicológico agudo em pesquisas científicas. A ordem das visitas foi determinada aleatoriamente. O teste é deliberadamente desconfortável porque reproduz pressões sociais comuns do cotidiano. Os participantes tiveram cinco minutos para preparar um discurso e, em seguida, apresentá-lo diante de uma câmera e de uma banca de avaliadores com expressão neutra. Pouco antes do início da apresentação, suas anotações foram retiradas. Logo depois, precisaram realizar um desafio de cálculo mental: contar regressivamente a partir de 2.003, subtraindo 17 a cada passo. Sempre que cometiam um erro, eram obrigados a recomeçar. Amostras de sangue foram coletadas imediatamente antes e depois de ambas as sessões. Durante a sessão de repouso, a composição química do sangue dos participantes permaneceu estável. Após o teste de estresse, porém, ocorreram simultaneamente dois fenômenos: os níveis de radicais livres aumentaram e a estrutura dos coágulos sanguíneos mudou completamente. Foi observado um aumento do radical livre do ascorbato, utilizado como marcador de estresse oxidativo, indicando que o estresse emocional eleva rapidamente o estresse oxidativo no organismo. Ao mesmo tempo, os coágulos em formação tornaram-se maiores, mais densos e mais compactos, com maior concentração de fibrina, proteína responsável por formar a estrutura dos coágulos. Não foi encontrada evidência de que o estresse tenha alterado a viscosidade ou a espessura do sangue. Esse resultado contraria a hipótese de que o estresse age principalmente concentrando o sangue. Os achados sugerem, em vez disso, que o estresse modifica a qualidade e a arquitetura do próprio coágulo. Isso fornece novas evidências de que até mesmo períodos breves de estresse psicológico podem desencadear rápidas alterações biológicas associadas a um maior potencial de coagulação. \"Naturalmente, nosso estudo não significa que uma apresentação estressante ou um dia difícil de trabalho provoquem imediatamente um infarto ou um AVC. As doenças cardiovasculares são muito mais complexas do que isso\", diz Fall. \"Nossos resultados oferecem pistas importantes sobre como o estresse psicológico afeta o organismo, mas devem ser interpretados com a devida cautela. Como o estudo envolveu apenas oito homens jovens e saudáveis, serão necessárias pesquisas maiores, incluindo mulheres, idosos e pessoas com doenças cardiovasculares, para verificar até que ponto esses resultados podem ser generalizados\". Os resultados da pesquisa também podem abrir caminho para novas estratégias de redução do risco cardiovascular, segundo o cientista. Em vez de concentrar esforços apenas na experiência psicológica do estresse, pesquisas futuras poderão investigar se atuar sobre os mecanismos bioquímicos subjacentes ajuda a proteger o sistema cardiovascular de parte dos efeitos físicos provocados pelo estresse.",
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