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  "textContent": "\nA próxima fronteira da relação tecnológica entre Brasil e China pode estar menos nos aplicativos e redes e mais no mundo físico. Para representantes do ecossistema chinês de inovação presentes ao Web Summit Rio, áreas como indústria, logística, manufatura avançada e automação devem abrir espaço para uma nova fase de colaboração entre os dois países impulsionada pela inteligência artificial. Em painel sobre a expansão das empresas chinesas na América Latina, os executivos defenderam que o Brasil reúne características únicas para se tornar um dos principais alvos da internacionalização da tecnologia chinesa. \"O Brasil foi um dos primeiros países onde as empresas chinesas conseguiram replicar um ecossistema completo de negócios\", afirmou In Hsieh, diretor-executivo do China-Portuguese Speaking Countries Trade Centre (CECPS). Segundo ele, a dimensão do mercado brasileiro permite que companhias da China tragam não apenas produtos, mas toda a infraestrutura que sustenta seus modelos de operação. n Hsieh, diretor-executivo do China-Portuguese Speaking Countries Trade Centre (CECPS) Divulgação \"O setor automotivo é um bom exemplo. As empresas conseguem trazer sensores, tecnologias, logística, meios de pagamento e criar uma cadeia integrada. Existe espaço para crescimento e para construir operações do zero\", disse. A avaliação é compartilhada por Leo Huan, fundador e CEO da Dealism AI. Para ele, fatores como a o mercado robusto, a forte presença digital dos consumidores e a maturidade dos pagamentos móveis tornam o Brasil um destino natural para empresas chinesas. \"Os brasileiros estão entre os usuários mais ativos de redes sociais do mundo. Existe uma infraestrutura relevante de varejo, logística e pagamentos digitais. É um ótimo ponto de partida para empresas que querem crescer globalmente\", afirmou. Durante anos, a expansão das empresas chinesas foi associada principalmente à oferta de produtos mais baratos. Para os participantes do painel, porém, essa visão não explica a transformação atual. \"O baixo custo é consequência da eficiência chinesa\", disse Hsieh. Segundo ele, o diferencial competitivo está na capacidade de integrar diferentes etapas da cadeia produtiva em uma única operação. Segundo ele, enquanto empresas ocidentais costumam se especializar em nichos específicos, companhias chinesas frequentemente atuam como coordenadoras de ecossistemas completos, desde fornecedores até distribuição e atendimento ao consumidor. \"Na China, as empresas aprenderam a operar de forma integrada porque o mercado é extremamente complexo. Então é mais fácil controlar toda a cadeia\", afirmou. Huan citou exemplos de empresas chinesas que construíram suas próprias estruturas de logística e cadeia de suprimentos em vez de depender exclusivamente de terceiros. \"Existe uma mentalidade muito prática. Em vez de esperar que alguém resolva um problema, a empresa vai lá e faz\", disse o diretor-executivo do CECPS. Apesar do avanço da presença chinesa no Brasil, os executivos rejeitaram a ideia de uma disputa direta por espaço com empresas locais. \"Não estamos invadindo o mercado. Estamos entrando para colaborar\", afirmou Hsieh. \"As empresas brasileiras podem se beneficiar de novas tecnologias, processos e modelos de gestão.\" Oportunidade na IA física Quando o assunto é inteligência artificial, os especialistas acreditam que o maior potencial de colaboração entre Brasil e China está em aplicações industriais. \"No Brasil, grande parte da conversa ainda está concentrada em aplicativos e software. Mas eu vejo um potencial enorme para IA física. Esse é um caminho que pode crescer muito no país\", afirmou Hsieh. A avaliação ocorre em um momento em que a China amplia investimentos em robótica, automação industrial e manufatura inteligente, áreas consideradas estratégicas para a próxima fase da economia baseada em IA. \"Quem conseguir desenvolver os melhores agentes para fluxos de trabalho locais e regionais terá vantagem. É preciso conhecer o consumidor, entender o comportamento dele e adaptar a tecnologia à realidade de cada mercado\", disse. Apesar das oportunidades, os executivos destacaram que o sucesso das empresas chinesas no Brasil depende de uma adaptação profunda à cultura local. Segundo Huan, um dos maiores desafios é compreender a forma como os brasileiros se relacionam e fazem negócios. \"O Brasil é um mercado muito baseado em relacionamento humano. Não funciona apenas com processos matemáticos e previsíveis\", afirmou. Hsieh acrescentou que a diversidade cultural do país exige um esforço constante de aprendizado por parte das empresas estrangeiras. \"Entender como o consumidor brasileiro vive, consome conteúdo e gasta seu tempo é essencial.\" A cobertura do Web Summit Rio 2026 na Editora Globo é apresentada pelo Itaú. Mais Lidas",
  "title": "IA física é oportunidade para colaboração entre Brasil e China, avaliam especialistas"
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