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"Quero comprar um rancho bem grandão, no meio do mato, e envelhecer lá com tranquilidade", diz a Rebeca Andrade

Home | Época Negócios [Unofficial] June 10, 2026
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A história de Rebeca Andrade costuma ser contada a partir de suas medalhas. Bicampeã olímpica, dona de seis pódios nos Jogos Olímpicos e considerada uma das maiores atletas da história do país, ela se tornou símbolo de superação, resiliência e excelência esportiva. Mas, para a própria Rebeca, o principal ingrediente por trás de sua trajetória não foi exatamente o talento. "Atenção ao planejamento", respondeu a ginasta durante participação no Web Summit Rio 2026 sobre qual conselho daria para quem deseja realizar grandes sonhos. A capacidade de estabelecer metas e perseguir objetivos acompanha Rebeca desde a infância. Nascida e criada em Guarulhos, na Grande São Paulo, ela lembra que a realidade financeira da família era um desafio constante. Em alguns momentos, faltava dinheiro até mesmo para o transporte. "Não tinha grana para o ônibus e eu ia a pé. Desde muito nova percebi os desafios materiais que a gente tinha. Não só eu, mas meus irmãos também tinham muitos sonhos", afirmou. Segundo a atleta, a virada começou quando decidiu, ainda aos 10 anos, o que queria para o próprio futuro. Mesmo diante das limitações financeiras, ela cultivou ambições grandes. "Sempre sonhei muito alto. Queria alcançar muitas coisas. E quando isso faz parte de você, é diferente", disse. Hoje, após anos de conquistas dentro e fora dos ginásios, a realidade é outra. A ginasta afirma que a estabilidade financeira deixou de ser uma preocupação diária e passou a representar liberdade de escolha. "Depois dos resultados e das conquistas, a minha vida financeira mudou. Hoje posso escolher o que quero. Comprei minha casa, consegui terminar a casa da minha mãe. As coisas foram acontecendo." A principal professora Boa parte dessa relação com dinheiro veio de casa. Rebeca atribui à mãe os ensinamentos que moldaram sua forma de lidar com recursos financeiros. "Acho que o principal aprendizado foi se planejar e guardar. Minha mãe não terminou a escola, mas é uma das pessoas mais sábias que já conheci", afirmou. Ela lembra que, desde cedo, a mãe fazia questão de reservar parte de qualquer dinheiro que entrava em casa. "Sempre que eu ganhava alguma coisa, ela colocava na poupança. Metade do meu salário ia para ela administrar e guardar." O resultado foi uma consciência financeira construída muito antes da fama e dos contratos de patrocínio. "Não sou mão fechada, mas tenho consciência de onde quero gastar e do que quero fazer com o dinheiro." A atleta também defende que educação financeira seja ensinada desde cedo nas escolas brasileiras. "Eu tive muita dificuldade. Só comecei a entender realmente sobre isso há uns quatro anos. Mudou completamente a minha forma de lidar com dinheiro." Rebeca Andrade tornou-se em Paris 2024 a maior medalhista olímpica da história do Brasil — e chamou a atenção por sua calma antes de competições importantes Getty Images Ela acredita que o esporte teve papel decisivo na construção dessa consciência. "O dia a dia de treinos e competições me ensinou muito sobre limites, disciplina e autoconhecimento. Quando você se entende, sabe quem é e onde quer chegar, fica mais fácil tomar decisões." Essa lógica também vale para a vida financeira. Embora conte com especialistas para ajudá-la, algumas decisões continuam passando por sua avaliação pessoal. "Financeiramente falando, as decisões sobre os meus investimentos eu prefiro acompanhar de perto. Gosto da opinião humana. Claro que a inteligência artificial já está dentro desse mundo, mas eu gosto de entender o que está acontecendo." Quando fala sobre sucesso, Rebeca vai além das medalhas ou do patrimônio acumulado. Para ela, prosperidade significa estabilidade financeira, mas também saúde, boas relações e tranquilidade. "Prosperidade para mim é conseguir realizar seus sonhos e se manter tranquilo. É ter boas relações, saúde mental e física. É a junção de tudo o que faz bem para você." A ginasta afirma que, mesmo nos períodos mais difíceis da carreira, tentou manter uma visão positiva. "Já pensei em desistir, em largar tudo. Mas no outro dia eu acordava e corria atrás de novo. Trabalhar e continuar tentando me ajudou a chegar onde estou hoje." Aos 27 anos, Rebeca ainda não pensa em desacelerar. Seu foco imediato continua sendo o esporte e um novo ciclo olímpico. "Temos mais uma Olimpíada pela frente. Quero ajudar a classificar nossa equipe e, se Deus quiser, disputar mais uma medalha." Mas existe também um sonho pessoal, longe dos ginásios e dos holofotes. "Quero comprar um rancho bem grandão, escondido, no meio do mato. Um lugar para envelhecer lá, com tranquilidade." Até lá, pretende continuar seguindo a mesma fórmula que a trouxe até aqui. "Quando você tem clareza do que quer, não se sente perdida. Pode até acontecer uma coisa ou outra fora do plano, mas você sabe para onde está indo." E, para quem ainda busca realizar os próprios sonhos, a recomendação é simples. "Vai atrás. Você vai ouvir muitos ‘nãos’, vai encontrar dificuldades e pessoas querendo te derrubar. Mas é preciso escolher o que te faz feliz e correr atrás." A cobertura do Web Summit Rio 2026 na Editora Globo é apresentada pelo Itaú. Mais Lidas

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