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"textContent": "\nA Copa do Mundo de 2026 ainda não começou, mas a disputa fora de campo já está acontecendo. À medida que Estados Unidos, México e Canadá se preparam para receber o maior Mundial da história, com 48 seleções e 104 partidas, empresas de tecnologia e investidores passaram a olhar para o futebol como uma plataforma de experimentação em larga escala para inteligência artificial, dados e novas experiências digitais. Nesse movimento, a América Latina ocupa uma posição estratégica. O México será um dos países-sede do torneio masculino de 2026 e o Brasil receberá a Copa do Mundo Feminina em 2027. Para os investidores, a região deixa de ser apenas mercado consumidor de futebol e passa a ser também território de prospecção de empresas capazes de criar soluções para um setor em transformação. A IBM é uma das companhias que tenta se posicionar nesse cruzamento entre esporte, IA e venture capital. A empresa lançou no mês passado um desafio global para sports techs, com foco em negócios que usam inteligência artificial para resolver problemas de engajamento de fãs, desempenho de atletas, operação de arenas, transmissão, análise de dados e experiências digitais. “O mercado é enorme. Estamos falando de uma economia global do esporte de US$ 2,3 trilhões. AS startups estão na fronteira da tecnologia\", afirma Kameryn Stan House, vice-presidente de parcerias esportivas da IBM, em Nova York (EUA). A lógica é simples: se os grandes eventos esportivos sempre foram vitrines para marcas, agora eles também se tornaram ambientes de teste para tecnologias emergentes. Aplicativos oficiais, plataformas de transmissão, sistemas de análise de desempenho, ferramentas de narração automática e soluções de atendimento ao público passaram a formar uma camada invisível, mas essencial, da experiência esportiva. No caso da IBM, esse olhar não é de agora. A companhia mantém uma parceria de quase 36 anos com o Torneio de Wimbledon, em Londres (UK), e trabalha com UFC e Masters de Golfe, ambos nos EUA, e Scuderia Ferrari, na Itália. A diferença é que, com a popularização da IA generativa, esse tipo de projeto saiu do campo da infraestrutura digital e passou a ocupar o centro da estratégia de marca, produto e investimento. Kameryn cita um exemplo do torneio de tênis US Open em que a organização tinha uma equipe pequena de jornalistas para cobrir centenas de partidas simultâneas. Com uma ferramenta de IA generativa, a equipe passou a produzir relatórios automáticos de jogos, ampliando em 300% a produção de conteúdo em um ano. “Muita gente não entende o que a IBM faz, porque não toca e não sente nossa tecnologia, mas podemos criar uma porta de entrada por meio dos esportes favoritos dessas pessoas”, diz. No Masters de golfe, a tecnologia foi usada para criar comentários gerados por IA para jogadores que normalmente não receberiam cobertura integral na transmissão principal. A ideia é permitir que o fã acompanhe seu atleta favorito dentro do aplicativo, mesmo quando ele não está no foco da TV. Essa é uma das grandes promessas da IA no esporte: multiplicar a cobertura sem multiplicar os custos. Em torneios com partidas simultâneas, como tênis, golfe ou futebol em categorias de base, a tecnologia pode transformar jogos antes invisíveis em conteúdo personalizado para públicos específicos. Kameryn Stan House (à esq) e Tyler Siddell, da IBM, em NY Divulgação Copa de 2026 A Copa de 2026 amplia essa oportunidade. O torneio será distribuído por três países, 16 cidades e diferentes fusos, com uma escala logística inédita. Para empresas de tecnologia, isso significa um laboratório global para soluções de tradução automática, atendimento digital, segurança operacional, análise de fluxo de torcedores, personalização de conteúdo e engajamento em tempo real. A Lenovo, parceira oficial de tecnologia da FIFA, já indicou que pretende usar IA, dispositivos e infraestrutura de data center para apoiar transmissões globais e experiências de fãs. A presença da companhia reforça a leitura de que megaeventos esportivos estão deixando de ser apenas ativos de mídia para se tornarem plataformas de dados. Para a América Latina, esse movimento abre duas frentes. A primeira é de mercado. México, Brasil, Argentina, Colômbia e Chile têm bases massivas de fãs, clubes com comunidades digitais engajadas e uma cultura esportiva altamente conectada às redes sociais. A segunda é de oferta. A região tem um ecossistema crescente de startups de IA, dados, fintech, mídia e experiência do consumidor, que podem adaptar suas soluções ao esporte. De olho no Brasil Na semana que vem, inclusive, a IBM vai participar do WebSummit Rio 2026, no Rio de Janeiro . Um dos objetivos é se aproximar das startups brasileiras — de olho em possibilidades de novos investimento. A própria dinâmica do venture capital ajuda a explicar o interesse. Depois de um período de retração, o investimento em startups latino-americanas voltou a crescer em 2025. Ao mesmo tempo, a IA concentrou a maior parte dos investimentos globais de capital de risco. Na prática, startups que unem inteligência artificial, dados proprietários e casos de uso claros ganharam vantagem na disputa por recursos. No futebol, soluções de IA podem ajudar clubes a identificar atletas não pelo nome ou pela reputação, mas pelo estilo de jogo, capacidade tática e encaixe no elenco. A IBM já desenvolveu uma ferramenta desse tipo para o Sevilla FC, na Espanha. A proposta é modernizar o rastreio e reduzir a dependência de avaliações manuais ou enviesadas por nomes conhecidos. Esse tipo de tecnologia já existe no tênis. O sistema cruza ranking, notícias, redes sociais, histórico recente e sinais de desempenho para estimar probabilidades durante o jogo. Segundo Tyler Siddell, diretora técnica de parcerias em esportes e entretenimento da IBM em Nova York (EUA), no US Open, essas projeções chegaram a cerca de 80% de precisão. O próximo passo, diz ela, está no uso de dados corporais e de movimento. O rastreamento de corpo pode indicar alterações de ângulo, queda de desempenho no saque ou mudanças de padrão que antecipam uma virada de momento. Para treinadores, isso vira ferramenta de correção técnica. Para fãs e transmissões, narrativa. Para a IBM, o objetivo é usar o ecossistema de startups como motor de inovação. “Temos uma taxa de colaboração de 90% com as empresas do nosso portfólio. Isso significa acordos comerciais, revenda conjunta e provas de conceito\", diz Tyler. *A jornalista viajou a Nova York (EUA) a convite da IBM Mais Lidas",
"title": "Vitrine para startups de IA, Copa do Mundo coloca a América Latina no radar da inovação esportiva"
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