Medicamentos como Ozempic e Mounjaro reduzem necessidade de cirurgia de joelho, mostra estudo
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June 3, 2026
Milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de osteoartrite, doença articular caracterizada pelo desgaste progressivo da cartilagem, e que resulta em dor e limitação de movimento. A patologia, que até agora não possuia um tratamento medicamentoso eficaz que modifique a sua progressão, parece ter ganhado um aliado. Pesquisa publicada na revista Regional Anesthesia & Pain Medicine aponta que medicamentos agonistas do receptor GLP-1 usados para o tratamento de diabetes e, mais recentemente, para perda de peso, como Ozempic e Mounjaro, estão associados a um risco significativamente menor a longo prazo de cirurgia de substituição do joelho como resultado da condição. Evidências sugerem que essas drogas podem ter efeitos anti-inflamatórios e ajudar a proteger a cartilagem de danos adicionais. Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland, da Faculdade de Medicina da Universidade de Utah, do Centro Médico Wexner da Universidade Estadual de Ohio e do Departamento de Anestesiologia e Medicina Perioperatória da Clínica Mayo, todos dos Estados Unidos, utilizaram dados anonimizados da Rede Global de Pesquisa TriNetX e analisaram mais de 6,8 milhões de adultos com osteoartrite no joelho diagnosticados entre 1º de janeiro de 2010 e 31 de dezembro de 2024. Essas pessoas primeiro foram classificadas de acordo com a duração do tratamento (1 ou 3 anos) e o tipo de agonista do receptor GLP-1 (qualquer um ou os agentes de nova geração semaglutida ou tirzepatida) que tomaram. Depois, foram comparadas com pacientes com osteoartrite que não receberam os medicamentos, mas que apresentavam características semelhantes, incluindo idade, sexo, raça, diagnósticos musculoesqueléticos, condições relacionadas à obesidade, indicadores de acesso à assistência médica e peso (IMC), utilizando métodos de escore de propensão. Elas também foram acompanhadas em intervalos regulares durante oito anos após o diagnóstico para avaliar a necessidade de cirurgia de substituição do joelho. Os resultados da análise revelaram que o tratamento com os medicamentos esteve associado a um número significativamente menor de casos de cirurgia, independentemente da duração do tratamento ou dos intervalos entre as avaliações. Por exemplo, um ano de tratamento com qualquer droga foi associado a uma redução de 1,4 ponto percentual no risco cumulativo de cirurgia após três anos de acompanhamento e de 2,8 pontos percentuais após oito anos. Além disso, na avaliação de oito anos, três anos de tratamento com semaglutida ou tirzepatida foram associados a uma redução de quase cinco pontos percentuais no risco cumulativo. “Nossos resultados estão de acordo com as evidências de que os agonistas do receptor GLP-1 podem influenciar a osteoartrite do joelho por meio de mecanismos anti-inflamatórios e analgésicos complementares”, escreveram os pesquisadores. Eles acrescentaram que o estudo sugere que esses medicamentos podem representar uma abordagem complementar clinicamente significativa para o tratamento não cirúrgico da doença em pacientes elegíveis que vivem com obesidade ou doença metabólica. Apesar dos resultados animadores, a equipe destacou que fatores não mensurados e potencialmente influentes, como fragilidade, atividade física, capacidade funcional ou gravidade da osteoartrite, não foram levados em consideração na análise, e que os dados se basearam em informações de prescrição, sem confirmação de que os medicamentos haviam sido efetivamente utilizados. “Assim, essas descobertas devem ser interpretadas como associações observacionais consistentes com potenciais efeitos modificadores da doença, e não como evidência de causalidade”, completaram. Mais Lidas
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