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  "textContent": "\nA inteligência artificial avança nas empresas como promessa de produtividade, mas também como fator de pressão sobre o mercado de trabalho. Na visão de Arvind Krishna, CEO da IBM, a tecnologia gera “ganhos relevantes” de produtividade em áreas como desenvolvimento de software, marketing, vendas, atendimento ao cliente e operações corporativas. Mas também tende a reduzir funções administrativas e ampliar a necessidade de requalificação. Para o executivo, que falou durante o evento NY Tech Week, em Nova York, a IA deve ser tratada menos como um experimento pontual e mais como uma ferramenta de transformação operacional. Ele definiu o momento atual como o “dia zero” da revolução da inteligência artificial: não mais uma fase de testes dispersos, mas o início de uma corrida em que as companhias precisam escolher poucas aplicações, aprender a operá-las em escala e só depois expandir o uso para outras áreas. A própria IBM tem usado sua estrutura interna como laboratório. Relatório da gigante de tecnologia aponta que iniciativas de IA e automação ajudaram a destravar US$ 4,5 bilhões em ganhos de produtividade desde janeiro de 2023. A empresa também diz ter economizado 3,9 milhões de horas de trabalho em 2024 ao automatizar tarefas repetitivas e incorporar IA a fluxos internos. Arvind Krishna (à direita) em painel no evento NY Tech Week, em Nova York Patrícia Basilio Na avaliação do executivo, a IA não veio para substituir os profissionais, mas sim para reorganizar o trabalho. Funções ligadas à criação de valor, como desenvolvimento, vendas, marketing e consultoria, podem ganhar escala. Já áreas de suporte e back office, como recursos humanos, compras, contas a pagar e compliance, tendem a ser mais pressionadas pela automação, admitiu. “Não ficaria surpreso se cerca de 30% dos funcionários dessas áreas não fossem mais necessários em alguns anos”, prevê Krishna. Ainda assim, o CEO sustenta que o saldo líquido pode ser positivo caso os ganhos de produtividade gerem novos negócios e parte dos trabalhadores seja requalificada para funções de maior valor. Como exemplo, ele cita o desenvolvimento de software. Segundo Krishna, os programadores da IBM estão hoje cerca de 40% mais produtivos do que há dois anos; ao mesmo tempo, a empresa triplicou as contratações de profissionais em início de carreira neste ano. “Pode parecer contraditório, mas, se o custo de desenvolvimento de software está caindo, isso significa que podemos criar produtos que não eram economicamente viáveis há três anos.\" O problema, reconhecido pelo próprio executivo, é que esse ganho não se distribui de forma uniforme. Enquanto algumas funções tendem a se expandir, outras podem desaparecer ou encolher de maneira significativa. O debate está longe de ser consensual. O Fórum Econômico Mundial estima que as transformações no mercado de trabalho até 2030 devem eliminarr 92 milhões de empregos, mas criar 170 milhões de novas funções, resultando em saldo positivo de 78 milhões de postos. A entidade alerta, porém, que esse cenário depende de requalificação em larga escala e da capacidade de adaptação de empresas e trabalhadores. Qualificação de profissionais Arvind Krishna enfatizou que a transição terá custos humanos. Para ele, empresas devem oferecer oportunidades de requalificação, mas trabalhadores também precisarão aceitar que algumas funções não voltarão ao formato anterior. “Não quero ser requalificado, quero meu antigo emprego”, disse Krishna ao descrever uma reação comum à automação. “Sinto muito, isso não vai acontecer.” Questionado sobre como o aumento de produtividade provocado pela IA poderia impactar países emergentes, como o Brasil, Krishna evitou se aprofundar limitou-se a afirmar que a região também tem capacidade de produzir inovação. *A jornalista viajou a Nova York a convite da IBM Mais Lidas",
  "title": "CEO global da IBM diz que 30% dos funcionários de suporte e back office não serão mais necessários em alguns anos"
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