Google quer soltar 32 milhões de mosquitos modificados na Flórida e na Califórnia para combater doença
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June 1, 2026
O Google pediu autorização à agência ambiental dos Estados Unidos (EPA) para liberar 32 milhões de mosquitos na Flórida e na Califórnia nos próximos dois anos. A ideia é modificar os insetos com a bactéria Wolbachia para tornar os machos inférteis e controlar a disseminação de doenças transmitidas pelos mosquitos. O projeto é conduzido pelo Debug, programa da empresa com mais de dez anos de existência que reúne engenheiros de software, biólogos, robôs especializados em criação de insetos e inteligência artificial para reduzir a transmissão de doenças por mosquitos. O plano prevê a soltura de 16 milhões de insetos no primeiro ano e outros 16 milhões no segundo. O que torna o pedido atual inédito, segundo Eric Caragata, professor da Universidade da Flórida especializado em interações entre mosquitos e microrganismos, é o alvo escolhido. Até agora, o Debug concentrou seus esforços no Aedes aegypti — o mesmo mosquito responsável pela dengue, zika, febre amarela e chikungunya. Desta vez, a proposta mira o Culex quinquefasciatus, espécie que transmite o vírus do Nilo Ocidental e a encefalite de Saint Louis. O vírus do Nilo Ocidental, especificamente, é a principal causa de doenças transmitidas por mosquitos nos Estados Unidos: mais de 1.300 pessoas desenvolvem quadros graves com impactos no sistema nervoso central a cada ano, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). De acordo com o Palm Beach Post, o pedido foi registrado no Diário Oficial federal americano (Federal Register) e está em período de consulta pública até 5 de junho. Após o prazo, a EPA vai decidir se aprova ou não o experimento. Como funciona o método Wolbachia? A técnica propõe que machos infectados com uma cepa específica da bactéria Wolbachia pipientis sejam liberados na natureza. Quando um desses machos acasala com uma fêmea selvagem, os ovos resultantes não eclodem. Com liberações sucessivas, a população local do mosquito-alvo diminui a cada geração, sem o uso de pesticidas químicos. Como apenas fêmeas picam, soltar machos não aumenta o risco de picadas para a população local. O método Wolbachia consiste em inserir a bactéria em ovos do mosquito em laboratório Flávio Carvalho/Fiocruz via Agência Brasil O que torna o pedido atual inédito, segundo Eric Caragata, professor assistente da Universidade da Flórida especializado em interações entre mosquitos e microrganismos, é o alvo escolhido. Até agora, o Debug concentrou seus esforços no Aedes aegypti — o mesmo mosquito responsável pela dengue, zika, febre amarela e chikungunya. Desta vez, a proposta mira o Culex quinquefasciatus, espécie que transmite o vírus do Nilo Ocidental e a encefalite de Saint Louis. O vírus do Nilo Ocidental, especificamente, é a principal causa de doenças transmitidas por mosquitos nos Estados Unidos: mais de 1.300 pessoas desenvolvem quadros graves com impactos no sistema nervoso central a cada ano, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). IA para otimizar o processo Um dos gargalos operacionais do Debug é justamente separar machos de fêmeas em escala. Para enfrentar isso, a empresa anunciou em maio a expansão de um programa de pesquisa e desenvolvimento em Singapura, com foco em automação e inteligência artificial para criar, classificar e liberar os mosquitos esterilizados. O sistema utiliza visão computacional para separar adultos machos e fêmeas. Os resultados em Singapura são animadores: desde que os mosquitos infectados começaram a ser liberados no país em 2016, os casos de dengue em 2025 foram os mais baixos desde 2018, segundo estudo publicado em março na revista The Lancet Regional Health — Western Pacific. Brasil é um dos pioneiros no desenvolvimento da técnica O pesquisador Luciano Moreira, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), liderou o desenvolvimento do Método Wolbachia no país ao longo de mais de uma década. Seu trabalho rendeu a ele uma vaga na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista Time em 2026. Luciano Moreira, CEO da Wolbito do Brasil Divulgação / Wolbito Luciano é o CEO da Wolbito do Brasil, empresa voltada à aplicação do método para esterilizar a população do Aedes Aegypti no país. Em 2025, a empresa inaugurou a maior biofábrica de mosquitos com Wolbachia do mundo, em Curitiba (PR), com capacidade de produzir até 100 milhões de ovos por semana. Em Niterói (RJ), um dos primeiros municípios totalmente cobertos pelo programa, os casos de dengue caíram 89% após a cobertura integral da cidade. Já em Campo Grande (MS), a redução chegou a 63% em três anos. *Com supervisão de Marisa Adán Gil Mais Lidas
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