IBM vai investir US$ 10 bilhões para se tornar a "Nvidia da computação quântica"
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June 1, 2026
Computador quântico da IBM é exibido em laboratório em Nova York Divulgação/IBM A IBM confirmou nesta segunda-feira (1/6), durante evento em Nova York, seu projeto para investir mais de US$ 10 bilhões em computação quântica nos próximos cinco anos. A ideia é se posicionar como uma das principais fornecedoras da próxima grande tecnologia a impactar o mundo depois da inteligência artificial, dizem os executivos da empresa. A companhia, uma das pioneiras e líderes do setor, pretende construir até 2029 o Quantum Starling, primeiro computador quântico de larga escala capaz de realizar cálculos complexos de forma confiável e com correção de erros. Na prática, a empresa quer ser a primeira a lançar uma máquina com aplicações comerciais em áreas como desenvolvimento de medicamentos, modelagem financeira, aplicações em energia e segurança digital, entre muitas outras. George Tulevski, diretor do IBM Think Lab Patrícia Basilio Segundo George Tulevski, diretor do IBM Think Lab, em Nova York (EUA), a multinacional “quer ser a Nvidia da computação quântica”. “Queremos avançar a indústria de computação quântica. Nós já fabricamos o melhor e mais eficiente hardware quântico do mundo e vamos continuar fazendo isso”, afirma o executivo. A estratégia da IBM lembra realmente o caminho trilhado pela Nvidia na inteligência artificial. Assim como a fabricante de chips se tornou peça central da corrida por IA ao fornecer as GPUs usadas para treinar e operar modelos avançados, a IBM quer não apenas vender capacidade computacional, mas controlar parte relevante da infraestrutura quântica, dos chips ao software, passando pelo ecossistema de parceiros. Chip de computação quântica da IBM Patrícia Basilio Um dos pilares desse plano é a nova subsidiária Anderon, resultado de uma parceria entre a IBM e o governo americano, que tem como objetivo fabricar chips quânticos nos Estados Unidos. Na semana passada, a administração Trump anunciou um subsídio de US$ 1 bilhão para a empresa - a IBM deverá investir mais US$ 1 bilhão para viabilizar a proposta. A IBM também pretende direcionar recursos para pesquisa e desenvolvimento, expansão da capacidade industrial, novas parcerias e aquisições, e fortalecimento de seu ecossistema: a empresa já implantou dezenas de sistemas quânticos para atender empresas, universidades, startups e órgãos públicos que testam a tecnologia em problemas científicos e industriais. O que o Quantum Starling poderá fazer A máquina será capaz de realizar 20.000 vezes mais operações do que os computadores quânticos atuais, segundo a empresa. Os computadores quânticos utilizam a mecânica quântica para resolver problemas que levariam milhares de anos ou mais para os computadores clássicos. No entanto, as máquinas existentes precisam dedicar grande parte de sua capacidade para corrigir erros. Por isso, ainda não são mais rápidos do que os computadores clássicos. É isso que a IBM pretende mudar. Batizado de IBM Quantum Starling, o computador será construído em um novo centro de dados da empresa, em Poughkeepsie, no estado de Nova York e terá cerca de 200 qubits lógicos, o que o tornará capaz de solucionar mais de 100 milhões de operações quânticas. Um qubit lógico é uma unidade de processamento de um computador quântico, feita a partir de vários qubits físicos que trabalham juntos para armazenar informações e monitorar erros. Com a capacidade previsa pela IBM, o Starling poderia reduzir o tempo para desenvolver medicamentos, ajudar na descoberta de novos materiais ou na otimização de processos industriais. De acordo com a IBM, o Starling servirá como base para o IBM Quantum Blue Jay, um computador ainda mais potente que será desenvolvido pela empresa e que executará 1 bilhão de operações com 2.000 qubits lógicos. A expectativa é que este último esteja em operação em 2033. *A jornalista viajou a convite da IBM
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