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Os planos da Saab para crescer no Brasil e na América Latina

Home | Época Negócios [Unofficial] May 31, 2026
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A empresa sueca Saab ficou conhecida no Brasil por sua parceria com a Embraer no desenvolvimento do Gripen E (ou F-39E Gripen), a primeira aeronave supersônica produzida em solo brasileiro, lançada em março deste ano. Na próxima terça-feira (02/06) será o lançamento mundial do Gripen F, a versão de dois lugares desse caça, em Linkoping, na Suécia. A companhia baseada em Estocolmo, no entanto, tem um portfólio pouco familiar aos brasileiros que vai muito além das aeronaves. Fundada em 1937, a empresa com 28 mil funcionários também comercializa produtos como sistemas de radares, submarinos e armamentos terrestres para clientes espalhados em mais de 100 países. Ana Paula Cordeiro, VP de Desenvolvimento de Negócios e Vendas na América Latina da Saab Divulgação Saab “O Gripen tomou uma proeminência enorme na nossa história no Brasil, mas temos um amplo portfólio que vai além das aeronaves. Queremos apresentá-lo para a América Latina, tendo o Brasil como o nosso hub na região”, afirmou Ana Paula Cordeiro, Vice-Presidente de Desenvolvimento de Negócios e Vendas na América Latina, em entrevista à Época NEGÓCIOS. Leia a seguir. Época NEGÓCIOS - Qual foi a participação brasileira no desenvolvimento do Gripen F que será lançado na próxima terça-feira (02/06)? Ana Paula Cordeiro - O resultado que a gente vai ver na próxima terça-feira [no lançamento mundial do Gripen F em Linkoping] é fruto da colaboração intensa entre o Brasil e a Suécia. Houve a participação dos nossos parceiros, como a Embraer, a Akaer, a Força Aérea Brasileira e outras. A contribuição conjunta deles está resultando nesse caça que já foi vendido para a Colômbia. A Tailândia também comprou. Como fruto desse desenvolvimento conjunto, royalties de qualquer unidade [do Gripen E e do F] vão para o Brasil. Então é algo muito interessante e a gente espera ver mais casos como esse. Caça supersônico Gripen E desenvolvido por meio de parceria da Suécia com o Brasil Divulgação Saab Como foi feita a transferência de tecnologia da Suécia para o Brasil? Mais de 350 engenheiros brasileiros [a maioria da Embraer] foram treinados na Suécia. Muitos dos nossos funcionários que estão em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, foram treinados lá para que pudessem entender o processo de manufatura e replicar com a mesma qualidade. Quando olham para um Gripen voando, sentem orgulho porque o resultado é de cair o queixo. Quais são as oportunidades de mercado que a Saab enxerga para a América Latina? Basicamente, o crescimento do portfólio atual. Nós temos dois grandes programas âncoras que são o Gripen no Brasil, que já tem uma série de repercussões positivas, como a nossa base instalada no Brasil, a fábrica em São Bernardo do Campo e a linha de montagem com a Embraer [em Gavião Peixoto, no interior paulista]. Toda essa infraestrutura que já está instalada no Brasil está a serviço de outros setores. Por exemplo, a partir do nosso laboratório de eletrônica em São Bernardo do Campo, fazemos manutenção de radares meteorológicos para a Defesa Civil. Temos um contrato grande com a Defesa Civil de Santa Catarina. Fazemos a manutenção de radares no estado de São Paulo. Então existe uma vertente para atender a sociedade no lado civil que, muitas vezes, não é muito conhecida, mas que a Saab já está fazendo e é um benefício direto do programa Gripen. Na Colômbia, temos a entrega do programa Gripen. O contrato para a compra de 17 aeronaves foi anunciado no ano passado. São 15 aeronaves Gripen E, que é o caça de um lugar, e 2 aeronaves Gripen F, de dois lugares. O primeiro é fabricado no Brasil e na Suécia e o segundo apenas na Suécia. O caça Gripen E, também conhecido como F-39 Gripen Divulgação Saab Que outros produtos vocês desenvolvem além dos aviões Gripen? O Gripen tomou uma proeminência enorme na nossa história no Brasil, mas a empresa tem um portfólio muito amplo e que é interoperável entre si. A Saab tem uma tradição de confiabilidade e qualidade na área de vigilância, com radares, sensores e sistemas de autoproteção. Na parte naval, temos veículos submarinos não tripulados, submarinos e navios de superfície. Na Dynamics, temos um DNA muito consolidado em armamentos. Esses sistemas se comunicam entre si. O [sistema de vigilância] Airborne Early Warning Não Tripulado, por exemplo, inclui o [caça supersônico] Gripen, que funciona em conjunto com os radares, que conversam com os sistemas em terra e mar. E isso tudo dentro de um design simples, fácil de operar e intuitivo. Qual foi impacto da invasão da Venezuela pelos Estados Unidos no mercado de defesa da América Latina? Houve aumento da procura por produtos da Saab? De um modo geral, o assunto defesa acaba se tornando algo mais conversado. Claro que os clientes procuram saber de novas capacidades. Então existe uma conversa, uma aproximação da indústria com a sua base de clientes. A ideia é que o Brasil seja uma base de exportação para a região? O Brasil é o nosso hub na América Latina. A nossa missão é estar mais próximos dos nossos clientes. É muito importante que a gente possa atendê-los na região como um todo dentro do mesmo fuso horário. Naturalmente, dentro do programa Gripen, a nossa proximidade com o usuário final e com nossos parceiros é gigantesca. E para outros programas, estamos muito próximos do cliente, mas queremos utilizar mais o que temos para exportar mais serviços e, quem sabe, mais produtos a partir do Brasil. Que tipo de usos os produtos da Saab podem ter na América Latina, que apresenta uma realidade muito diferente de outras regiões em conflito onde vocês atuam? Nosso contexto é mais pacífico do que em outras partes do mundo. No Brasil, nossos sistemas de radares servem para o monitoramento na Amazônia, na fronteira leste do país, mais ao sul e também para monitoramento da nossa costa. O Brasil tem uma costa gigantesca. A tecnologia radar está ali para que o usuário tenha uma consciência situacional do que está acontecendo e, com esse conhecimento, decida como agir, como investir recursos na proteção, como coibir ilícitos. Sem essa tecnologia, fica muito difícil. Nós temos outros sistemas já em uso no Brasil, como o RBS 70. É um sistema antiaéreo de baixa altura, que é amplamente utilizado em grandes eventos, como as Olimpíadas, para fazer a proteção de delegações, por exemplo. A Ucrânia anunciou nesta semana que vai comprar 20 caças Gripen E e F da Suécia. O Brasil pode se tornar um fabricante de aeronaves para a Ucrânia, no caso de essa compra ser efetivada? Eu não sei afirmar. Mas o Brasil fabrica esse modelo que deve ser vendido para a Ucrânia, o Gripen E. Sim. Os drones são uma tecnologia barata que está sendo usada para ataques nas guerras da Ucrânia e do Oriente Médio. Que tipo de tecnologias estão sendo desenvolvidas para lidar com essa nova ameaça? A indústria inteira está buscando se adaptar ao que aparece de novas ameaças. Alguns anos atrás era a ameaça cibernética. Foi todo mundo atrás de neutralizar isso. Hoje são os drones. Novas ameaças podem emergir, mas o importante é que, porque estamos muito próximos aos nossos clientes, conseguimos entregar a capacidade. Eu falo isso sempre: a gente não entrega o produto, entrega a capacidade. Por quê? Porque estou sempre com o meu cliente para escutar o que ele quer e trabalhar o resultado baseado na realidade dele. O fato de que vários dos nossos produtos têm a sua arquitetura baseada em software torna a longevidade possível e dá escalabilidade. O próprio Gripen pode ter diferentes configurações. A gente fala que ele muda a missão dele com o controle de um botão. Isso é extremamente disruptivo. A filosofia da longevidade dos nossos produtos é baseada nisso. Não só na tradição, porque a empresa está no mercado há muito tempo, mas também na constante busca por inovação, por escutar o cliente e servir a sociedade. Nosso propósito é deixar as pessoas e a sociedade mais seguras. A jornalista viajou a convite da Saab. Mais Lidas

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