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"textContent": "\nEm um longo discurso sobre inteligência artificial publicado nesta segunda-feira (25), o Papa Leão XIV soou o alarme sobre os impactos da tecnologia na sociedade, desde a perda massiva de empregos até o domínio das grandes empresas de tecnologia sobre a IA. A primeira encíclica do Papa, uma importante carta à Igreja que expõe o pensamento papal sobre um desafio moral ou social, é um texto de 245 parágrafos intitulado \"Magnifica humanitas: sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial\". No texto, o Papa Leão XIV alertou sobre o desenvolvimento de armas autônomas, o impacto ambiental da IA e o risco que a IA representa para a conexão humana. Ao mesmo tempo, ele deixou claro que não vê a inteligência artificial como \"inerentemente má\". Embora muitas das preocupações levantadas pelo Papa na carta de segunda-feira ecoem pontos que ele já havia abordado antes, bem como aqueles levantados por céticos da IA, a encíclica representa uma importante intervenção papal no sempre polêmico debate sobre IA, aponta a Business Insider. Veja a seguir cinco pontos que merecem atenção, segundo o pontífice. 1. IA não deve ser monopolizada pelas grandes empresas de tecnologia O Papa Leão XIV alertou sobre o poder da IA se concentrar \"nas mãos de poucos\". O setor é dominado por grandes empresas de tecnologia, incluindo Nvidia, Microsoft, Amazon, Google, Meta, OpenAI e Anthropic. O Papa não nomeou explicitamente nenhuma empresa, mas alertou sobre \"grandes atores econômicos e tecnológicos\" que controlam cada vez mais plataformas, infraestrutura, dados e poder computacional. \"Quando tal poder se concentra nas mãos de poucos\", escreveu ele, \"tende a tornar-se opaco e a escapar à supervisão pública, aumentando o risco de formas distorcidas de desenvolvimento que dão origem a novas dependências, exclusões, manipulações e desigualdades.\" Baseando-se no princípio católico da \"destinação universal dos bens\", que tradicionalmente defende que todos os seres humanos têm um direito inerente aos recursos naturais, como o ar e a água, o Papa sugeriu que esse princípio se estenda agora aos algoritmos, às plataformas digitais e aos dados. O Papa também alertou que \"grupos pequenos, mas altamente influentes\" poderiam usar a IA para moldar os processos democráticos e direcionar os sistemas econômicos em seu próprio benefício. Na carta, o Papa Leão XIV pediu que a IA fosse \"desarmada\" da corrida por algoritmos mais poderosos, conjuntos de dados maiores e domínio comercial. Desarmar a IA, escreveu ele, \"significa libertar a tecnologia do controle monopolista e abri-la à discussão e ao debate, tornando-a, portanto, amigável ao ser humano e restaurando-a à pluralidade das culturas e modos de vida humanos\". 2. Desenvolvedores de IA devem incorporar os valores da transparência e da responsabilidade O Papa Leão XIV fez um \"apelo especial\" aos desenvolvedores de IA. Ele disse que os desenvolvedores \"têm uma responsabilidade ética e espiritual particular\", porque cada escolha de design \"reflete uma visão da humanidade\". O Papa exortou os desenvolvedores de IA a desenvolverem sistemas incorporados aos valores da transparência, da responsabilidade e da \"atenção cuidadosa para garantir que o que está sendo cultivado seja um bem genuíno\". O Papa Leão XIV também alertou contra a apresentação de sistemas de IA como inteiramente neutros e objetivos, quando muitas vezes refletem e reforçam os preconceitos de seus criadores. 3. É preciso proteger os empregos para evitar uma \"calamidade social\" Um tema central da carta foi o desemprego relacionado à IA, com o Papa Leão XIV alertando que o desemprego em massa poderia se tornar uma \"verdadeira calamidade social\". Os receios de que a IA possa devastar o mercado de trabalho têm feito parte do debate desde que a inteligência artificial generativa ganhou força. Embora algumas empresas tenham atribuído os recentes cortes de empregos à IA, nem todos concordam que ela representará uma catástrofe para o mercado de trabalho. O Papa escreveu em sua carta que, embora seja \"certamente desejável\" que a IA torne os empregos das pessoas mais seguros e fáceis, \"a proteção das oportunidades de emprego e o papel insubstituível do indivíduo devem permanecer a regra geral\". Ele escreveu que a \"busca por maiores lucros\" não pode justificar decisões que eliminem empregos. Perdas massivas de empregos devido à IA, alertou o Papa, correm o risco de criar \"empobrecimento humano e cultural\". Ele argumentou que governos e empresas devem se preparar para a disrupção causada pela IA antes que mais empregos desapareçam. \"Toda introdução de automação e IA deve ser acompanhada por medidas verificáveis para proteger o emprego, o treinamento e a participação dos trabalhadores\", escreveu ele. 4. Seres humanos, e não sistemas tecnológicos, devem tomar decisões sobre uso de força letal Leão XIV destacou que a revolução digital está mudando a natureza dos conflitos. \"Além da guerra convencional, existem formas híbridas como ciberataques, manipulação de informações, campanhas de influência e a automatização de decisões estratégicas.\" Segundo o Papa, hoje estamos testemunhando \"uma verdadeira mudança de paradigma no discurso público e nas decisões relativas ao rearmamento, com um preocupante ressurgimento da guerra como instrumento da política internacional, enquanto os próprios princípios éticos que antes limitavam seu uso estão sendo corroídos\". O pontífice defendeu que o desenvolvimento e a utilização da IA na guerra devem estar sujeitos às mais rigorosas restrições éticas: \"Não é permitido confiar decisões letais ou irreversíveis a sistemas artificiais\". 5. É preciso desenvolver uma IA que seja mais sustentável do ponto de vista ambiental Em sua carta, Leão XIV apontou ainda a necessidade de reduzir o impacto ambiental das novas tecnologias relacionadas à inteligência artificial, que exigem grandes quantidades de energia e água. Mais Lidas",
"title": "5 pontos que deveriam ser alterados no uso da IA, segundo o Papa Leão XIV"
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