Robôs dançarinos de K-pop ganham parque temático na Coreia do Sul
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May 25, 2026
A Coreia do Sul inaugurou aquilo que seus criadores descrevem como o primeiro parque temático de robôs do mundo. O Galaxy Robot Park ocupa 16.500 metros quadrados no distrito de Gangdong, em Seul, e tem como atração central androides humanoides do tamanho de crianças que dançam ao som de hits do K-pop, gênero musical sul-coreano com audiência global consolidada. A instalação é um projeto da Galaxy Corporation, empresa de entretenimento que se define como uma firma "enter-tech", pela fusão entre entretenimento e tecnologia. O portfólio da companhia inclui nomes de peso da cultura pop coreana: o astro G-Dragon, Taemin, do grupo Shinee, e o ator Song Kang-ho, conhecido internacionalmente pelo papel no filme Parasita. Segundo The Guardian, a abertura contou com uma apresentação dos robôs executando coreografias de músicas como "Home Sweet Home", de G-Dragon, e "Advice" e "Idea", de Taemin. Mil shows por ano O plano da empresa vai além de uma atração local. O CEO da Galaxy Corporation, Choi Yong-ho, que se autointitula "diretor-chefe da felicidade", declarou à imprensa que o parque pretende realizar entre três e seis shows de K-pop diariamente, totalizando mais de mil apresentações por ano. Até o fim de 2026, a empresa planeja levar os robôs em turnê mundial. Uma vez que a coreografia é programada em um robô, todos os demais no mundo podem aprendê-la e executá-la de forma imediata. Isso, segundo a empresa, viabiliza shows simultâneos em múltiplos países, inclusive em regiões onde artistas humanos teriam dificuldade de se apresentar, como zonas de conflito. O K-pop já funciona há anos como campo de testes para tecnologia no entretenimento. A SM Entertainment criou o grupo Aespa, que combina integrantes reais com avatares virtuais. Grupos inteiramente digitais, como o Plave, também já conquistaram públicos expressivos. O parque oferece outras experiências além dos shows. Na entrada, robôs atuam como manobristas. Cães robóticos circulam pelas áreas externas interagindo com visitantes. Uma arena separada permite que o público controle robôs humanoides em lutas de boxe por meio de um sistema de espelhamento de movimentos em tempo real. Há ainda um braço robótico equipado com câmera que faz retratos dos visitantes enquanto conversa com eles. Para o fim de maio, a Galaxy anunciou o que chama de primeiro desfile de moda protagonizado por robôs no mundo, com o lançamento posterior de uma grife própria. Os detalhes sobre o formato ainda não foram divulgados pela empresa. Para o crítico musical e analista do setor Cha Woo-jin, o experimento traz uma questão central sobre o futuro do K-pop. Ele reconhece que o gênero, por ser baseado em uma estética visual muito definida, torna os robôs menos estranhos do que seriam em outros contextos musicais. "Se você colocasse um robô num museu do Elvis, os fãs ficariam repulsados", disse. "Mas o K-pop é um modelo de embalagem visual, então os robôs parecem menos alienígenas." Ainda assim, Cha questiona se máquinas conseguirão reproduzir o componente central do gênero: a conexão emocional com os fãs. "Isso vai determinar se o projeto representa uma mudança cultural genuína ou apenas um show de novidade", afirmou o analista.
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