{
  "$type": "site.standard.document",
  "bskyPostRef": {
    "cid": "bafyreihuu36vabp5q2ljynofnbmqf7gbb7icy62775qdj653fdh2gnexpq",
    "uri": "at://did:plc:rfivzlyyatmquq6ya3pso5i5/app.bsky.feed.post/3mmom2m3yd4k2"
  },
  "coverImage": {
    "$type": "blob",
    "ref": {
      "$link": "bafkreiebcvc3yt3ze3khmia457p3gtlobrenla3fhi6iwh76n6lx2xakv4"
    },
    "mimeType": "image/jpeg",
    "size": 135931
  },
  "path": "/ciencia-e-saude/noticia/2026/05/eua-liberam-vapes-com-sabores-e-medicos-alertam-para-riscos.ghtml",
  "publishedAt": "2026-05-25T12:36:46.000Z",
  "site": "https://epocanegocios.globo.com",
  "tags": [
    "epocanegocios"
  ],
  "textContent": "\nO governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afrouxou as restrições federais sobre cigarros eletrônicos com sabores no início de maio, revertendo uma política que vigorava há anos. A decisão da Agência de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) libera a venda de produtos com aromas de frutas e doces que estavam proibidos desde que o uso disparou entre adolescentes, no fim da década de 2010. Especialistas em saúde pública ouvidos pelo Wall Street Journal alertam que a medida representa um retrocesso na proteção à saúde, especialmente da população jovem. Fumar vapes pode ser menos prejudicial do que fumar cigarros convencionais, mas não é inofensivo. A nicotina, principal componente dos cigarros eletrônicos, estimula a liberação de dopamina no cérebro e leva à dependência em longo prazo. O que o cigarro eletrônico causa no organismo Os riscos vão além da dependência química. Pesquisadores apontam que o uso de cigarros eletrônicos com nicotina pode causar inflamação nas vias respiratórias, tosse crônica e está associado a maiores taxas de asma e bronquite. Os efeitos cardiovasculares também preocupam: o hábito pode elevar a pressão arterial e acelerar os batimentos cardíacos, aumentando a vulnerabilidade a doenças cardíacas e derrames no futuro. \"Estou preocupada com o que não sabemos baseada no que já sabemos\", afirmou a cardiologista Natalie Stokes, da Universidade de Pittsburgh. Para adolescentes, os danos têm uma camada adicional: a nicotina interfere no desenvolvimento do cérebro jovem, comprometendo aprendizado, memória e função cognitiva. Em 2019, uma onda de hospitalizações e mortes por lesões pulmonares graves associadas ao uso de cigarros eletrônicos chamou a atenção das autoridades sanitárias americanas. A condição, conhecida pela sigla EVALI, esteve ligada principalmente a vapes com THC, o componente psicoativo da maconha, especialmente os que continham acetato de vitamina E. Ainda assim, houve casos entre usuários exclusivos de produtos com nicotina. Segundo Allison Oakes, diretora de pesquisa da empresa de análise de dados Trilliant Health, pacientes com esse quadro grave ainda chegam a hospitais nos anos recentes. Os efeitos de longo prazo permanecem em aberto: os cigarros eletrônicos chegaram ao mercado americano há apenas duas décadas, tempo insuficiente para que a ciência mapeie todas as consequências do uso prolongado. Foco nos adolescentes Em 2024, cerca de 7% dos adultos americanos e 5,9% dos estudantes usavam cigarros eletrônicos, segundo estimativas dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC). Entre os 1,6 milhão de estudantes do ensino fundamental e médio que vapavam naquele ano, a maioria usava produtos com sabor. O número de jovens usuários caiu em relação ao pico de mais de cinco milhões registrado em 2019, resultado parcialmente atribuído às restrições impostas nos anos seguintes. Desde o fim de 2019, a lei federal proíbe a venda de produtos de tabaco, incluindo cigarros eletrônicos, para menores de 21 anos. Estados como Califórnia e Massachusetts e cidades como São Francisco, Chicago e Nova York foram além e restringiram especificamente os produtos com sabor. Um estudo recente da Universidade da Califórnia em San Diego concluiu que as proibições locais tiveram o efeito esperado: o uso entre adolescentes caiu nas regiões onde foram aplicadas. \"Estados e municípios que fizeram isso encontraram uma forma de lidar com um problema que a FDA não conseguiu resolver\", disse Eric Leas, professor da escola de saúde pública da UCSD e coautor do estudo. Parte dessas proibições estaduais e municipais deve continuar em vigor mesmo após a liberação federal. A preocupação agora é com a intensidade do hábito. A pneumologista Hasmeena Kathuria, da Universidade de Wisconsin, observou que, embora o número total de jovens usuários tenha diminuído, os que continuam vaporando fazem isso com mais frequência do que antes. \"Essas tendências sugerem que quem vapa está mais viciado e usa esses produtos de forma regular\", disse. \"Isso é preocupante.\"",
  "title": "Vapes com sabor de frutas: quais são os riscos dessa nova mania dos adolescentes?"
}