Startup britânica leva tecnologia de fabricação de medicamentos contra o câncer para o espaço
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May 23, 2026
BioOrbit enviou à Estação Espacial Internacional uma caixa de alta tecnologia para cultivar cristais ultrapuros de proteínas Reprodução/LinkedIn BioOrbit Uma startup britânica quer usar o espaço para mudar a forma de produção de medicamentos. No último dia 15, a bordo da SpaceX, a BioOrbit enviou à Estação Espacial Internacional uma caixa de alta tecnologia para cultivar cristais ultrapuros de proteínas, com o objetivo de produzir medicamentos contra o câncer que possam ser aplicados pelos próprios pacientes. Segundo o The Guardian, a empresa desenvolveu uma tecnologia de cristalização de medicamentos em seus laboratórios em Londres e lançou a Box-E, uma unidade compacta do tamanho de um micro-ondas, a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, nos Estados Unidos. A unidade permanecerá em órbita por cerca de seis semanas, onde a ausência prática de peso (microgravidade) permite que compostos farmacêuticos se cristalizem em estruturas puras e altamente estáveis, possibilitando formulações de medicamentos impossíveis de serem obtidas na Terra. A ideia é que, quando retornarem ao planeta, esses cristais poderão ser transformados em medicamentos contra o câncer que os pacientes poderão manter na geladeira e aplicar em si mesmos em casa ou no trabalho, em vez de precisar ir ao hospital para receber imunoterapias intravenosas durante várias horas. A proposta é que os medicamentos também tenham uma vida útil mais longa. Segundo Katie King, cofundadora e CEO da BioOrbit, que concluiu doutorado em nanomedicina na Universidade de Cambridge e fez estágio na Nasa, os testes orbitais são “uma grande mudança de patamar rumo à produção em larga escala de cristais de proteínas no espaço”. De acordo com ela, a gravidade prejudica o processo de cristalização. “Isso se torna realmente crítico para medicamentos proteicos e anticorpos, porque são moléculas muito grandes e flexíveis. No espaço, você consegue um processo de cristalização muito melhor e superior ao que é possível alcançar aqui na Terra”, afirmou King ao The Guardian. Segundo ela, tratamentos contra o câncer exigem doses elevadas, e o líquido pode ficar espesso demais para ser usado em injeção. “É por isso que ainda não temos esses tratamentos disponíveis para uso doméstico. Com os cristais, é possível criar formulações altamente concentradas com viscosidade baixa o suficiente para passar pela agulha.” Centenas de experimentos já realizados na estação espacial mostraram que o processo funciona. Cientistas da farmacêutica americana Merck, por exemplo, produziram cristais de proteínas do Keytruda, seu medicamento oncológico mais vendido, para transformá-lo em uma injeção rápida, substituindo longas infusões intravenosas. Essa nova forma de administração foi aprovada pelo órgão regulador de saúde dos Estados Unidos em setembro. King quer ir além, criando uma plataforma de fabricação escalável. “A Box-E é o primeiro passo rumo à fabricação em massa que pode transformar o tratamento do câncer, reduzir visitas ao hospital e permitir que pacientes recebam terapias em casa”, afirmou King. Apesar do alto custo de enviar medicamentos ao espaço, King argumenta que a mudança para aplicações domésticas pode acabar economizando “milhões, potencialmente bilhões” aos sistemas de saúde. Se os testes orbitais forem bem-sucedidos, múltiplas unidades da Box-E poderão ser enviadas para aumentar o ritmo da fabricação farmacêutica no espaço. Mesmo assim, King afirma que levará pelo menos cinco anos até que as novas formulações de medicamentos contra o câncer cheguem ao mercado, já que ainda precisarão passar por testes clínicos e aprovação regulatória. Para ela, a tecnologia de cristalização também poderá ser usada em outros tratamentos. Mais Lidas
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