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"publishedAt": "2026-05-19T20:06:35.000Z",
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"textContent": "\nGianni Infantino, o chefe da FIFA, chama a entidade máxima do futebol de fornecedora mundial da felicidade. Na Copa do Mundo deste ano, na América do Norte, essa felicidade terá um preço. Os ingressos mais baratos para os jogos da fase de grupos custavam em média US$ 200 (cerca de R$ 1.000); os da final, pelo menos US$ 2.030 (R$ 10.150). Análise da revista britânica The Economist sugere que a Copa do Mundo será o evento cultural mais caro de todos os tempos. Mas os preços altos podem ser um tiro pela culatra. Os ingressos da Copa do Mundo geralmente têm preços bem abaixo do que o mercado suportaria. Ao longo da história do torneio, a demanda tendeu a superar a oferta. Em vez de cobrar mais, a FIFA manteve os preços em níveis acessíveis aos torcedores comuns e distribuiu os ingressos por meio de sorteios. Os direitos de transmissão e patrocínio eram muito mais importantes para as finanças da organização do que a receita dos dias de jogo. Este ano é diferente, aponta a Economist. Pela primeira vez, a FIFA assumiu o controle direto da venda de ingressos, em vez de terceirizá-la para organizadores locais. Adotou a precificação dinâmica, na qual os preços aumentam de acordo com a demanda, e inaugurou um mercado oficial de revenda, do qual retém 15% tanto do comprador quanto do vendedor. Mesmo após o ajuste pela inflação, os ingressos para a Copa do Mundo nos Estados Unidos, Canadá e México custam mais que o dobro do preço cobrado no Catar em 2022 e cerca de quatro vezes mais do que quando os Estados Unidos sediaram o torneio pela última vez, em 1994. Alguns ingressos para a final foram revendidos por US$ 2 milhões (R$ 10 milhões). Os torcedores do Brasil, pentacampeão mundial, precisariam gastar cerca de US$ 3.800 (R$ 19 mil) no mercado de revenda para assistir aos três jogos da fase de grupos da seleção — o valor mais alto entre todos os países. Até mesmo os torcedores de Cabo Verde, que fará sua estreia em Copas do Mundo, precisarão desembolsar quase US$ 1.000 (R$ 5 mil). Tudo isso tem um ar tipicamente americano. Os fãs de outros esportes pagam pelo menos US$ 900 (R$ 4.500) por ingressos para o Super Bowl (e a grande maioria custa mais de US$ 6.000). Na Europa, em comparação, o ingresso adulto mais barato para a final da Liga dos Campeões deste ano custou o equivalente a US$ 200 (R$ 1.000). A nova política de preços da FIFA é uma aposta arriscada. Para começar, os ingressos ainda não se esgotaram e os hotéis nas cidades-sede não parecem ter atingido a capacidade máxima. Os preços de revenda para alguns jogos podem cair. Mas, quando os ingressos ficarem mais baratos, muitos torcedores comuns podem já ter desistido de viajar, especialmente com o aumento acentuado das passagens aéreas em meio à crise energética. Mesmo que os preços mais altos compensem as vendas mais fracas, a FIFA corre o risco de prejudicar o próprio produto — o que, por sua vez, pode afetar suas fontes de receita mais lucrativas. Estádios lotados criam o barulho e a tensão que tornam as partidas envolventes na televisão. A FIFA passou por um constrangimento no ano passado durante o Mundial de Clubes, quando, segundo relatos, espectadores foram direcionados para perto das câmeras de televisão em partidas com pouca presença de público. Estudos mostram que torcedores mais ricos são mais discretos e demonstram menos paixão pelos seus times. De fato, Joe Burrow, quarterback do Cincinnati Bengals, descreveu a atmosfera do Super Bowl de 2022 como semelhante à de um jantar corporativo. Os ricos preferem cada vez mais gastar seu dinheiro em experiências únicas em vez de bens de luxo. Isso deveria ser uma boa notícia para os contadores da FIFA. E é. Até que, eventualmente, a própria experiência que esses torcedores tanto desejam seja prejudicada pela presença deles. Mais Lidas",
"title": "Preços altos para a Copa do mundo podem ser um tiro pela culatra, diz The Economist"
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