Os dois gargalos que ainda travam a adoção de IA nas empresas, segundo presidente da Dell para a América Latina
Home | Época Negócios [Unofficial]
May 19, 2026
Luís Gonçalves, presidente da Dell Technologies para América Latina Divulgação A corrida corporativa pela inteligência artificial já começou, mas muitas empresas ainda travam na hora de escalar seus projetos. Segundo Luís Gonçalves, presidente da Dell Technologies para a América Latina, dois fatores seguem sendo subestimados pelas companhias: planejamento e organização de dados. "Tem dois aspectos que são superimportantes e que, às vezes, são menosprezados", afirmou Gonçalves, em entrevista com jornalistas durante o evento Dell Technologies World, em Las Vegas, nos Estados Unidos. "O primeiro deles é realmente um planejamento, que não é algo trivial." Segundo ele, empresas que já superaram a fase inicial de testes precisam tratar a IA como uma iniciativa de médio e longo prazo, e não como um projeto pontual. "Se você já avançou da fase de experimentação, em paralelo a isso, é preciso realmente ter um planejamento de médio e longo prazo, porque a IA é muito invasiva. Você não vai fazer só em uma área, você pode começar por uma determinada área, mas ela realmente vai trazer benefícios que podem ser transversais a todas as organizações da companhia, portanto, precisa pensar nisso." O segundo erro apontado por Gonçalves é ainda mais subestimado: a falta de preparação dos dados. A maioria das empresas só percebe a dimensão do problema quando já tem o plano de IA na mão. "Às vezes, você já tem todo o plano pronto, mas aí fala: 'Puxa, mas eu não achei que ia demorar tanto tempo e que seria tão complicado organizar os dados'", disse ele. Para fazer essa organização, as empresas precisam ter uma “AI data ready platform”, uma plataforma capaz de consolidar e organizar dados hoje distribuídos em diferentes ambientes. “Ou seja, ter todos os dados da companhia preparados para alimentar aquela IA para que realmente seja prevalente, completa e muito mais eficiente”. Segundo ele, o desafio é consequência natural da própria evolução tecnológica das empresas ao longo dos anos. Muitas companhias construíram suas operações digitais em etapas, utilizando diferentes bancos de dados, protocolos e sistemas que continuam funcionando, mas que não necessariamente conversam entre si de maneira eficiente. "Não é nenhuma crítica, porque as empresas iniciaram suas jornadas há 10 anos com os bancos de dados que tinham na ocasião, com a tecnologia disponível naquela época. Ao longo do tempo, acabaram se propagando bases de dados diferentes", disse. "Quando você vai usar a IA, precisa que isso tudo esteja disponível numa mesma plataforma", afirmou. Como a América Latina está nessa corrida Gonçalves enxerga o mercado regional com otimismo. "O mercado brasileiro, como na América Latina toda, a gente vê o interesse crescendo, oportunidades crescentes e algumas implementações interessantes", afirmou. "Virou a pauta da vez a IA em todas as geografias, em todas as interações com clientes. Não uma necessidade legítima, imediata, mas o interesse por saber do que se trata, como se faz para implementar, quais os benefícios e casos de uso. Vemos hoje com muito entusiasmo e muita felicidade que o mercado está se dando conta desta possibilidade e vem considerando adotar essas tecnologias que podem ser transformadoras não só para essas empresas, mas até para as economias locais." O alerta para as empresas que ainda estão na dúvida sobre adotar a IA é direto: o risco de ficar para trás pode ser irreversível. “A oportunidade de você crescer e acelerar muito não pode ser desperdiçada, não pode ser menosprezada”, afirmou. “Em algum momento, se o seu concorrente andar mais rápido, é capaz de ser fatal para a sua existência, dado o potencial que existe com a adoção destas tecnologias”, disse. Meta ambiciosa de clientes globais A Dell anunciou durante o evento que possui 5 mil clientes globais para sua solução de AI Factory. A meta de Michael Dell é chegar a 50 mil até 2027 — dez vezes mais. Gonçalves não considera o número exagerado. Pelo contrário. “50 mil talvez seja pouco”, disse. "Passar essas primeiras fases de conhecimento, de divulgação, de massificação, é muito difícil. Depois, é o que a gente viu com a adoção de ferramentas como o ChatGPT. Em poucas semanas, alcançou milhões", disse. "Quando a gente pensava que o Instagram, o Facebook, o WhatsApp eram casos absurdamente exponenciais, eles se tornaram até pequenos perto do que vimos recentemente." Sobre a participação da América Latina nesse universo, o executivo preferiu não detalhar números, mas adiantou que a empresa já acumula casos relevantes na região. Pressão por componentes muda relação com clientes O aumento da demanda por infraestrutura de IA também vem alterando a dinâmica da cadeia de suprimentos da indústria. Questionado sobre o aumento dos custos de componentes, Gonçalves afirmou que empresas passaram a trabalhar com acordos de longo prazo para garantir capacidade futura. A Dell lançou acordos que estão sendo ofertados a alguns clientes que podem chegar a cinco anos de duração, priorizando clientes que conseguem antecipar previsões de consumo e expansão. “Quanto mais eu souber da sua demanda, da sua capacidade de crescimento e dos seus planos, melhor eu me preparo para te atender”, disse. Redata está no radar Gonçalves também comentou sobre as discussões em torno de iniciativas voltadas à expansão da infraestrutura de data centers no Brasil, pelo programa Redata, que foi instituído por medida provisória, perdeu validade e agora está em discussão por meio de projeto de lei. Segundo o executivo, a Dell está monitorando e participando das discussões. “Nosso interesse é que seja a resolução que permita o mercado crescer - e crescer rápido”, afirmou. “O mercado crescendo é bom para todos”, disse. *A jornalista viajou a convite da Dell Mais Lidas
Discussion in the ATmosphere