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  "textContent": "\nLuis Filipe Fragoso Rossi e Rodrigo Trevisan Okamoto são fundadores da Condor Instruments Divulgação Uma tecnologia criada por dois ex-alunos da Escola Politécnica da USP saiu dos laboratórios universitários para chegar à Nasa. Fundada em 2013, a Condor Instruments desenvolve dispositivos de actigrafia — equipamentos usados para monitorar sono e ritmos circadianos — e viu sua solução ser utilizada em abril durante a missão Artemis II, programa espacial da Nasa que marcou o retorno das missões tripuladas em torno da Lua. A trajetória da empresa começou em um laboratório da Poli em 2012. Rodrigo Trevisan Okamoto e Luis Filipe Fragoso Rossi cursavam mestrado juntos e decidiram que queriam empreender. \"Começamos então a procurar projetos e ideias\", disse Okamoto, que é também diretor de operações da Condor Instruments. O ponto de virada veio com o orientador dos dois. Por meio dele, Okamoto e Rossi receberam o contato de dois professores que precisavam de um fornecedor nacional para uma tecnologia de actigrafia, algo que, até então, só podia ser adquirido no exterior. A partir daí, os dois mergulharam na literatura científica, conversaram com pesquisadores da área para entender o mercado, avaliaram que valia a pena transformar isso em empresa e começaram a desenvolver seus primeiros protótipos. Da universidade para o mercado global O desenvolvimento inicial foi financiado pelos próprios fundadores, com um investimento de cerca de R$ 40 mil. Mais tarde, a empresa recebeu aproximadamente R$ 195 mil do PIPE Fase 2, programa de incentivo à inovação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. O recurso ajudou a transformar o protótipo em um produto fabricável em escala. A primeira entrega aconteceu em 2013, justamente para o professor com quem eles tiveram contato no início e que havia colaborado também nos testes. Desde então, a empresa foi expandindo e adotou uma estratégia mais voltada ao mercado internacional. A Condor Instruments atende atualmente 735 clientes em 43 países, incluindo instituições como Harvard University, Stanford University, National Institutes of Health, National Health Service e Northwestern University. Em 2025, a empresa faturou R$ 6,5 milhões, sendo 86,47% provenientes de exportações. Entre 2021 e 2025, o crescimento médio anual consolidado foi de 50,63%. O dispositivo que chamou a atenção da Nasa ActLumus, dispositivo semelhante a um relógio de pulso capaz de registrar atividade motora, temperatura cutânea e exposição à luz ao longo do dia Divulgação No centro da operação está o ActLumus, dispositivo semelhante a um relógio de pulso capaz de registrar atividade motora, temperatura cutânea e exposição à luz. A tecnologia é usada tanto em pesquisas quanto na parte clínica em investigações relacionadas ao sono e à regulação do ritmo circadiano. Seu diferencial é que o equipamento coleta informações sobre diferentes espectros de luz, algo considerado fundamental para entender como a iluminação interfere no ritmo biológico humano. Segundo Rossi, que é CTO da empresa, eles perceberam cedo essa tendência. \"O que eles [professores] queriam na época era integrar um sensor de temperatura no equipamento, que eles achavam que teria utilidade prática legal na parte científica. Desde então, evoluímos o produto em vários aspectos\", disse ele. \"Um dos pontos mais fortes que temos hoje em dia não é nem no sensor de temperatura, mas no sensor de luz\", afirmou. “No olho existe um receptor específico, descoberto mais recentemente, que controla a supressão de melatonina e a sincronia do ritmo circadiano. Na época, não tinha nenhum sensor que conseguisse medir isso. Você conseguia fazer algumas estimativas bem ruins, baseadas nos sensores existentes, inclusive o nosso, mas nenhum media o que esse receptor fazia”, afirmou. Rossi acabou conversando com dois pesquisadores, um da Alemanha e outro da Inglaterra, para discutir como isso poderia ser feito. \"Vendo o que as pessoas estão publicando, para onde está caminhando o conhecimento, a gente achou que seria muito importante melhorar a parte da luz porque era uma necessidade do mercado\", afirma Rossi. \"E as pessoas começaram a perceber que isso era realmente importante.\" Mas a empresa não quer parar por aí e também aposta em expansão. Além de evoluções no sensor de luz, eles já trabalham em novos protótipos capazes de medir batimentos cardíacos e ampliar o conjunto de dados coletados pelos dispositivos. Caminho até a missão Artemis II Astronautas da Artemis II usam dispositivo desenvolvido por brasileiros Nasa O contato com a Nasa começou em 2023, quando a agência espacial buscava novos fornecedores para esse tipo de tecnologia. Segundo Okamoto, os dispositivos passaram por testes de engenharia e validações científicas durante quase dois anos e meio. “No fim do ano passado, fomos informados de que o dispositivo tinha sido aprovado para voo. Mas isso não implicava que ele seria usado na missão”, contou. A confirmação veio apenas no dia do lançamento da Artemis, quando Okamoto viu imagens dos astronautas utilizando o equipamento. \"No dia da missão, a gente teve a confirmação tanto por fotos dos astronautas usando o dispositivo quanto por uma resposta da Nasa\", disse. “Foi muito emocionante”, conta ele, afirmando que o feito é motivo de orgulho para a empresa. Os fundadores agora esperam participar das próximas etapas do programa espacial da Nasa. \"A gente continua em contato com a Nasa. É óbvio que a questão de se vai ou não ser usado não é aberta. É uma decisão inteiramente deles, mas é sempre do nosso interesse colaborar com eles. E estamos em conversas com outras agências espaciais também\", afirmou Okamoto. “Vamos fazer todo o possível para que esteja no Artemis III e, especialmente, no IV. Poder ver nosso actímetro pousar na Lua seria um momento muito marcante para a gente”, disse. Mais Lidas",
  "title": "Empresa criada por ex-alunos da USP leva tecnologia brasileira para missão lunar da Nasa"
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