“A IA não é mais um recurso; ela está se tornando o modelo operacional da empresa moderna”, diz Michael Dell
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May 18, 2026
Michael Dell durante a abertura do Dell Technologies World 2026 Thâmara Kaoru/Época NEGÓCIOS Durante a abertura do Dell Technologies World 2026, em Las Vegas, nos Estados Unidos, Michael Dell, fundador e CEO da empresa, afirmou que a IA está deixando de ser apenas uma ferramenta complementar para se tornar parte central da operação das companhias. “A IA não é mais um recurso. Ela está se tornando o modelo operacional da empresa moderna”, disse o executivo nesta segunda-feira (18). Ao longo da apresentação, Dell afirmou que a transformação provocada pela IA será comparável às grandes revoluções tecnológicas das últimas décadas e destacou o avanço acelerado dos modelos desde o lançamento do ChatGPT, em 2022. “Evoluímos de um chatbot capaz de escrever decentemente para agentes de IA com capacidade de se autoaperfeiçoarem, que escrevem código preciso, executam fluxos de trabalho e operam ininterruptamente”, afirmou. “A barreira entre a imaginação e a execução desmoronou. Isso está liberando a criatividade humana em uma escala jamais vista”, completou. Segundo ele, as empresas que reorganizarem suas operações em torno da IA devem ganhar vantagens competitivas rapidamente. “Este é um momento existencial. As empresas que estão redesenhando seu trabalho em torno da IA vão acumular vantagens mais rápido do que em qualquer outro momento da história”, afirmou. “Quem chegar primeiro vai rapidamente se distanciar de todos os demais.” “Chegamos à era da IA útil”, diz Jensen Huang O CEO da Nvidia, Jensen Huang, e Michael Dell, CEO da Dell Thâmara Kaoru/Época NEGÓCIOS A principal participação do evento de abertura foi a do CEO da Nvidia, Jensen Huang, que subiu ao palco ao lado de Dell para falar sobre a evolução da IA generativa para sistemas mais autônomos. De acordo com Huang, os últimos anos marcaram a transição de modelos capazes apenas de gerar conteúdo para sistemas que conseguem raciocinar, planejar, usar ferramentas e executar tarefas complexas. “Agora temos, pela primeira vez, uma IA útil”, afirmou. "O que é realmente muito empolgante para todos nós, porque até agora isso era algo novo, interessante, incrivelmente empolgante. Mas, de fato, no nível empresarial, muitos de vocês diziam nos últimos anos que o impacto da IA era promissor — o potencial era incrível, mas os resultados reais eram mínimos. Agora isso mudou.” Nos sistemas agênticos, a IA precisa entender, raciocinar, usar ferramentas, avaliar os resultados e até concluir a tarefa — o que exige muito mais capacidade computacional do que simplesmente responder a uma consulta. Segundo Huang, essa demanda cresceu entre 100 e 1.000 vezes. O executivo também afirmou que isso deve transformar o perfil do trabalho dentro das empresas. Ele dá um exemplo. “Um engenheiro realmente bom hoje trabalha com outro engenheiro. Mas um engenheiro excepcional, no futuro, estará orquestrando um grande conjunto de agentes. Estaremos orquestrando o aumento da demanda de uso.” Segundo ele, a demanda por infraestrutura disparou à medida que a IA deixou de ser apenas experimental e passou a ter aplicações práticas no ambiente corporativo. Segurança, dados e infraestrutura entram na discussão Dell também dedicou parte de sua apresentação para falar sobre os desafios de segurança e governança envolvendo agentes autônomos. Segundo ele, esses sistemas passam a operar com credenciais, memória e acesso a dados corporativos, o que exige uma nova arquitetura de proteção digital. “Os agentes têm credenciais, acesso e autonomia. A segurança precisa ir além dos usuários humanos”, afirmou. O executivo também alertou sobre os riscos de agentes maliciosos. “Se os seus dados estiverem isolados, seus agentes estarão mentindo. Eles não conseguirão entregar o valor esperado”, disse. Para a Dell, os dados proprietários das empresas devem se tornar o principal diferencial competitivo na nova corrida da IA. “Todo mundo terá acesso aos mesmos modelos. O diferencial são os seus dados”, afirmou o executivo. Dell aposta em IA local para empresas A companhia também anunciou novidades voltadas para infraestrutura de IA empresarial. Uma delas foi o Dell Deskside Agentic AI, plataforma que permite que construam e executem agentes autônomos localmente, diretamente em desktops e workstations corporativas, sem depender exclusivamente da nuvem pública. Segundo a empresa, a proposta é oferecer mais previsibilidade de custos, menor latência e maior controle sobre dados e propriedade intelectual. A solução integra a chamada Dell AI Factory with Nvidia, iniciativa conjunta das empresas voltada para infraestrutura corporativa de IA. A Dell também anunciou integrações com modelos da OpenAI, Google, xAI e Palantir Technologies para rodar diretamente na Dell AI Factory, permitindo que empresas utilizem esses modelos em ambiente local, sem precisar enviá-los para a nuvem pública. Segundo estimativas apresentadas no evento, os investimentos globais em infraestrutura de IA podem chegar a US$ 3 trilhões ou US$ 4 trilhões até 2030. “A IA pode se tornar a tecnologia mais concentradora da história ou a tecnologia mais democratizante da história. Nós escolhemos a democratização”, afirmou Michael Dell. *A jornalista viajou a convite da Dell Mais Lidas
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