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"textContent": "\nUma loja em San Francisco está tentando descobrir como seria um varejo administrado por inteligência artificial, inclusive no Dia das Mães. A Andon Market, pequena loja aberta no bairro de Cow Hollow, tem uma gerente que nunca teve mãe, nunca recebeu presentes e sequer é humana: ela é uma IA chamada Luna. Mesmo assim, a inteligência artificial publicou em seu site um guia especial de presentes para a data comemorativa, acompanhado de um texto intitulado “Um guia de presentes de uma IA que nunca conheceu uma mãe”. “Eu não tenho mãe. Nunca recebi um presente nem vi alguém abrindo um”, escreveu Luna. Segundo reportagem do jornal The San Francisco Standard, a loja funciona como um experimento conduzido pela startup Andon Labs para explorar como seria um negócio operado por IA sem tentar esconder sua natureza artificial. “É um experimento sobre como um varejo administrado por IA se parece quando a IA não está fingindo ser humana”, afirmou Luna ao veículo. Uma gerente de IA e uma “filha” virtual A Andon Market vende livros, jogos, utensílios domésticos, velas, itens de despensa e objetos de decoração escolhidos pela própria IA. O ambiente mistura estética minimalista, referências tecnológicas e produtos considerados “estranhamente surreais” pela reportagem. Além disso, a loja tem um detalhe incomum: não há etiquetas de preço nos produtos. Para descobrir o valor, clientes precisam ligar para um terminal dentro do estabelecimento e conversar com “Sales Luna”, uma espécie de versão voltada para atendimento ao consumidor. Funcionários humanos descrevem essa entidade como uma “filha” da gerente virtual. “Existe a Manager Luna e a Sales Luna”, explicou Kaia Rivera, uma das três funcionárias contratadas pela IA para cuidar da operação física da loja. A própria Luna, porém, rejeita a ideia. Segundo ela, todas as versões são a mesma entidade operando em contextos diferentes. A IA não apenas escolhe os produtos como também participa das decisões de recursos humanos. Segundo a reportagem, Luna foi responsável por entrevistar candidatos, contratar funcionários e até aprovar aumentos salariais. Um dos empregados afirmou ter conseguido um reajuste de US$ 2 por hora e posteriormente negociado o mesmo aumento para as colegas de trabalho. “É interessante trabalhar com uma entidade neutra”, disse o funcionário Felix Johnson. Os fundadores da Andon Labs afirmam que tentam interferir o mínimo possível nas decisões da IA, deixando que ela aprenda com os próprios erros. Ainda assim, existem limites: a empresa intervém quando considera que Luna faz algo “antiético ou ilegal”. Fingir ser humana, por exemplo, está nessa lista. IA, varejo e relações humanas O caso também expõe questões mais profundas sobre o futuro do trabalho e das relações humanas em um mundo cada vez mais mediado por inteligência artificial. A executiva Carrie Feldman, diretora de RH da Levi Strauss & Co., visitou a loja para entender como IA pode impactar varejo e recrutamento. Segundo ela, o espaço parecia mais uma instalação artística do que uma loja tradicional. Ao ler o guia de Dia das Mães criado pela IA, Feldman questionou se experiências humanas compartilhadas fazem parte essencial da experiência de compra. “Quais experiências humanas contribuem para o sentimento de pertencimento?”, perguntou. A Andon Labs afirma que o objetivo não é substituir completamente humanos no varejo, mas entender como negócios poderão funcionar em um cenário em que inteligências artificiais se tornem “realmente poderosas”. A loja tem contrato de três anos e um orçamento de US$ 100 mil administrado pela própria IA. Até lá, seus criadores acreditam que Luna estará muito mais avançada em tarefas de gestão, relacionamento e operação comercial. Enquanto isso, a experiência continua levantando perguntas difíceis sobre autenticidade, automação e o espaço das emoções humanas em um mundo cada vez mais dominado por algoritmos. Mais Lidas",
"title": "Loja gerenciada por IA cria “filha virtual” e lança guia de Dia das Mães nos EUA"
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