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"publishedAt": "2026-04-28T14:52:45.000Z",
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"textContent": "\nNo Núcleo de Sustentabilidade da Fundação Dom Cabral, estamos conduzindo um estudo sobre o futuro da sustentabilidade corporativa. Em um contexto em que “a festa do ESG acabou”, como provocou o Financial Times, e diante de novas tensões geopolíticas e econômicas, a pergunta central mudou: o que da sustentabilidade corporativa, de fato, ainda gera valor para as empresas no Brasil? Uma tendência já se destaca com clareza: economia circular deixou de ser agenda ambiental e virou agenda estratégica. A relevância da economia circular está em alta em publicações sobre tendências da Forbes, do IMD e do Fórum Econômico Mundial na Suíça, além da Ipsos Mori. No Brasil, os números ajudam a entender o tamanho da oportunidade e da ineficiência atual. Geramos cerca de 81 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano, sendo 33,6% recicláveis. No entanto, apenas de 2,4% a 8,3% são efetivamente reciclados. O resultado? Enterramos aproximadamente R$ 14 bilhões por ano, além de enfrentarmos pressão sobre custos, cadeias de suprimento e reputação. O ponto mais interessante para o negócio não está na regulação. Apesar de avanços recentes como o fim da bitributação de recicláveis e o reforço da lei de resíduos sólidos, a pergunta recorrente no Brasil continua válida: a lei pega? Por isso, talvez o melhor termômetro seja outro: para onde está indo o capital? Alguns movimentos recentes são bastante reveladores. A Ambev investiu R$ 1 bilhão na verticalização da produção de garrafas, com uma planta que pode operar com até 80% de vidro reciclado. A Heineken co-investiu R$ 17,5 milhões em cadeias de coleta para aumentar a circularidade de vidro. No setor de bebidas estamos falando do vidro. Mais interessante ainda se falamos de minerais críticos, um insumo importante para a transição energética. A Agência Internacional de Energia estima que a reciclagem de lítio, cobalto, níquel e cobre podem reduzir a necessidade de novas minas entre 25 a 40% até 2050. No Brasil vemos o Grupo Moura aportando R$ 850 milhões para garantir a reciclagem de 100% das baterias comercializadas, transformando resíduo em segurança de abastecimento com menor custo. Essa estratégia não é sobre “ser sustentável”. É sobre reduzir dependência de insumos críticos, proteger margens e ganhar resiliência operacional. E o movimento vai além da indústria pesada. A Philips já gerou 27,6% de suas receitas globais em 2025 com modelos circulares, baseados em leasing e reuso. A IKEA está criando mercados secundários para seus próprios produtos, capturando valor onde antes havia descarte. O padrão é claro: empresas com visão de futuro estão usando economia circular para redesenhar seus modelos de negócio. Não como iniciativa periférica, mas como resposta direta a três pressões estratégicas: Risco de abastecimento (especialmente em minerais críticos e cadeias globais instáveis). Eficiência de capital (extrair mais valor dos mesmos ativos). Novas fontes de receita (servitização, revenda, recuperação de materiais). A implicação para executivos é direta: economia circular não é mais uma agenda de sustentabilidade, é uma alavanca de competitividade. Ainda mais aproveitando a nova lei Rouanet da reciclagem, que permite que investimentos em circularidade possam ser abatidos dos impostos. Sua empresa já está capturando essas oportunidades?",
"title": "Tendências ESG em 2026: economia circular como estratégia de negócio"
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