Jeff Bezos destina US$ 34 milhões ao desenvolvimento de tecidos para substituir algodão e poliéster
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April 25, 2026
Lauren Sanchez e Jeff Bezos na festa do Oscar da Vanity Fair 2025 Taylor Hill/FilmMagic O bilionário Jeff Bezos e sua esposa Lauren Sánchez Bezos estão reforçando suas apostas na indústria da moda. Por meio do Bezos Earth Fund, eles destinaram US$ 34 milhões em subsídios a instituições que pesquisam e desenvolvem materiais capazes de, no futuro, substituir o poliéster e o algodão, os têxteis mais utilizados no mundo e entre os mais dependentes de recursos naturais. As informações são do The Wall Street Journal. O investimento marca uma mudança relevante na atuação do fundo, que desde 2020 — quando Bezos prometeu US$ 10 bilhões para iniciativas climáticas — vinha focando principalmente em conservação ambiental. Agora, parte desse esforço se volta para a moda, uma indústria altamente dependente de combustíveis fósseis e uma das maiores responsáveis pelas emissões globais. De acordo com o site Inc, hoje, alguns dos materiais mais comuns, como poliéster e viscose, são derivados de petróleo e carvão. São baratos, duráveis e amplamente utilizados tanto por marcas de fast fashion quanto de luxo, mas têm um alto custo ambiental. Esses tecidos não são biodegradáveis, liberam microplásticos e podem despejar os chamados “químicos eternos” nos sistemas hídricos, levantando preocupações crescentes de saúde, de acordo com a Agência Europeia do Ambiente. “O uso de combustíveis fósseis na indústria da moda é um grande problema”, afirmou Tom Taylor, presidente e CEO do fundo, segundo o The Wall Street Journal. O financiamento de Bezos apoia pesquisadores que experimentam materiais produzidos a partir de bactérias, resíduos agrícolas e outras fontes não convencionais — inovações que podem redefinir, em nível molecular, do que as roupas são feitas. Entre os beneficiados estão a Columbia University, em parceria com o Fashion Institute of Technology (US$ 11,5 milhões), além da University of California, Berkeley (US$ 10 milhões), da Clemson University (US$ 11 milhões) e da Cotton Foundation (US$ 1,5 milhão). “A moda sempre me inspirou. O trabalho artesanal, a criatividade, a forma como se conecta à cultura. Então, quando comecei a fazer perguntas sobre como as roupas são realmente feitas, não consegui mais parar. A ciência que está acontecendo agora é incrível. Essas equipes estão cultivando fibras a partir de bactérias, desenvolvendo algodão que já nasce colorido e criando fibras semelhantes à seda a partir de compostagem. Isso não é apenas bom para o planeta. É o futuro da moda”, afirmou Lauren, que é vice-presidente do Bezos Earth Fund. Ainda assim, a ciência é apenas parte do desafio. Escalar esses materiais tem se mostrado difícil. Têxteis sustentáveis continuam caros de produzir, e muitas startups do setor têm dificuldade para sobreviver. Mesmo quando existem alternativas viáveis, marcas e consumidores acabam optando por tecidos mais baratos e já conhecidos. “É um setor pequeno, com pouco financiamento, e que não tem as relações com a indústria necessárias para avançar mais e com mais profundidade”, afirmou Steven Kolb, CEO do Council of Fashion Designers of America, de acordo com o Wall Street Journal. O fundo espera que alguns desses materiais cheguem ao mercado em três a cinco anos. Ainda assim, esse prazo evidencia o tamanho do desafio: transformar uma cadeia global baseada em sintéticos baratos não acontecerá rapidamente. Parte dos defensores da sustentabilidade argumenta que materiais melhores, por si só, não resolverão o problema climático da moda, defendendo também a redução da produção e do consumo. Taylor reconheceu esse debate, mas destacou a estratégia do fundo. “Pessoas diferentes têm valores diferentes”, disse. “Esses são os nossos.” A investida na moda também ocorre enquanto Bezos e Sánchez Bezos assumem um papel de destaque como patrocinadores principais do Costume Institute do Metropolitan Museum of Art — responsável pelo Met Gala — conectando suas ambições climáticas a uma das plataformas culturais mais visíveis da indústria.
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