Após anúncio de cortes, Meta vai monitorar cliques de funcionários para treinar agentes de IA
Home | Época Negócios [Unofficial]
April 21, 2026
A Meta deve começar a coletar movimentos de mouse, cliques e toques no teclado de funcionários nos Estados Unidos como parte de sua estratégia para treinar modelos de inteligência artificial capazes de executar tarefas de forma mais autônoma. A iniciativa faz parte de uma reorganização mais ampla da companhia em torno de IA e será implementada por meio de um software chamado Model Capability Initiative (MCI). As informações foram divulgadas pela Reuters. Mark Zuckerberg larga reuniões, senta no laboratório da Meta e volta a programar Na corrida pela IA, Zuckerberg oferece incentivo milionário para trazer nomes de peso à Meta Meta vincula salários de executivos a programa de metas agressivo: objetivo é crescer 500% e atingir valor de mercado de R$ 47 trilhões até 2031 De acordo com memorandos internos, a ferramenta vai operar em aplicativos e sites relacionados a trabalho e fará capturas ocasionais do conteúdo exibido nas telas dos funcionários. O objetivo, segundo a empresa, é ajudar os modelos a aprenderem melhor como humanos interagem com computadores em tarefas como selecionar opções em menus, navegar por interfaces e usar atalhos de teclado. Perfil do Facebook de Mark Zuckerberg NurPhoto/Getty Images Posição da Meta A Meta afirmou à agência que os dados coletados não serão usados para avaliações de desempenho nem para outros fins além do treinamento dos modelos. Ainda assim, a companhia não detalhou quais tipos de conteúdo sensível ficarão de fora da coleta, dizendo apenas que haverá salvaguardas para proteger esse material. A medida se encaixa em uma mudança mais ampla na forma como a dona de Facebook e Instagram quer organizar seu trabalho interno. Em outro memorando citado pela agência, o CTO Andrew Bosworth afirmou que a visão da empresa é chegar a um cenário em que agentes de IA façam a maior parte do trabalho, enquanto os humanos passem a dirigir, revisar e melhorar esses sistemas. A companhia também vem pressionando equipes a usar agentes de IA em atividades diárias, inclusive em programação, e criou estruturas internas voltadas a ampliar a capacidade de seus modelos de escrever código e construir produtos. Exugamento da equipe O movimento ocorre em paralelo a um enxugamento de quadro. No sábado (18), a Reuters informou que a Meta planeja cortar 10% de sua força de trabalho global a partir de 20 de maio e avalia novas reduções ainda neste ano. No centro da estratégia está a ideia de substituir parte de funções antes realizadas por pessoas por sistemas automatizados, em linha com uma tendência mais ampla entre grandes empresas de tecnologia. A iniciativa, porém, amplia o debate sobre vigilância no trabalho. Especialistas afirmam que tecnologias de registro de atividade e captura de tela já eram usadas para investigar má conduta ou uso indevido de equipamentos, mas o monitoramento contínuo de digitação leva a coleta a outro patamar. A discussão também expõe diferenças regulatórias. A reportagem afirma que, nos Estados Unidos, não há uma limitação federal específica para vigilância de trabalhadores, enquanto em partes da Europa regras de proteção de dados e legislação trabalhista provavelmente impediriam um monitoramento dessa amplitude. Para o mercado, o caso da Meta reforça uma mudança importante na corrida da IA: a disputa já não se concentra apenas em chips, modelos e capacidade computacional, mas também no acesso a dados comportamentais de alta qualidade sobre como pessoas, de fato, trabalham. Nesse cenário, o ambiente corporativo passa a ser tratado não só como local de produção, mas também como fonte de treinamento para a próxima geração de agentes inteligentes Mais Lidas
Discussion in the ATmosphere