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Cientistas decodificam sinais quase imperceptíveis que antecedem erupções vulcânicas

Home | Época Negócios [Unofficial] April 21, 2026
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Prever com precisão quando um vulcão vai entrar em erupção ainda está longe de ser uma tarefa resolvida pela ciência. Mas uma equipe de pesquisadores da França e da Alemanha avançou nessa direção ao desenvolver um sistema capaz de identificar sinais mínimos emitidos pelo solo antes de uma erupção. De acordo com os geofísicos François Beauducel e Philippe Jousset, do Instituto de Física da Terra de Paris, na França, e do Centro Helmholtz de Geociências (GFZ), na Alemanha, uma ferramenta batizada de Jerck usa um único sismômetro de banda larga para detectar, em tempo real, movimentos muito sutis associados à fratura das rochas quando o magma começa a subir em direção à superfície. A proposta é transformar um processo que normalmente depende de interpretação humana especializada em um alerta automatizado, mais simples de operar e potencialmente útil até em vulcões com monitoramento menos robusto. Os resultados chamam atenção. De acordo com o estudo publicado em dezembro do ano passado na Nature Communications, Jerk emitiu alertas prévios em 92% das 24 erupções registradas no Piton de la Fournaise entre 2014 e 2023. O tempo de antecedência variou de alguns minutos a até 8,5 horas antes de o magma atingir a superfície. Em entrevista ao Gizmodo, Beauducel afirma que a principal dificuldade histórica da previsão vulcânica é observar melhor o entorno do vulcão do que o que acontece dentro dele. Já Jousset destaca que não existe uma única medição capaz de explicar todo o processo eruptivo porque o magma envolve cristais, gases, líquidos e diferentes materiais que interagem de forma complexa. 10 anos de monitoramento Outro ponto que distingue o projeto é o tempo de validação. O sistema foi instalado no Piton de la Fournaise, na Ilha da Reunião, na França, em 2014 e permaneceu em operação contínua por dez anos. Segundo os pesquisadores, a longa janela de observação foi essencial para confirmar que o sinal aparecia de forma consistente antes das erupções e para testar sua confiabilidade em condições reais, não apenas em laboratório. A próxima etapa é verificar se o mesmo padrão pode ser identificado em outros vulcões. Na entrevista, os cientistas dizem que pretendem levar o método ao Etna, na Itália, onde esperam analisar se sinais parecidos também ocorrem em um ambiente geológico diferente. A ideia é instalar múltiplas estações e reduzir interferências externas, como ruídos de superfície, para localizar com mais precisão onde esses microeventos acontecem. É importante destacar que o avanço não representa a solução dos problemas. Os próprios pesquisadores reconhecem que o sistema ainda registra falsos positivos, causados por manutenção da estação ou até pela passagem de pessoas perto do equipamento. Ainda assim, o estudo sugere que ferramentas automatizadas e mais enxutas podem abrir uma nova frente de monitoramento em um campo no qual horas de antecedência podem fazer diferença para alertas, interdições e evacuações Mais Lidas

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