Maior plataforma de streaming da China quer que maioria dos novos filmes seja feita com IA
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April 20, 2026
A iQIYI, maior plataforma de streaming da China, quer que a maior parte de seus novos filmes e séries passe a ser produzida com inteligência artificial nos próximos cinco anos. A estratégia foi apresentada pelo CEO da empresa, Gong Yu, e faz parte de uma mudança mais ampla no modelo de produção do grupo. O objetivo é ampliar o uso de IA em praticamente todas as etapas do processo audiovisual, do roteiro à renderização final, com apoio de ferramentas próprias e de modelos desenvolvidos por empresas como Alibaba e ByteDance no mercado chinês, além de uma versão internacional baseada no Veo, do Google. De acordo com a Bloomberg, a empresa informou em 2024 que a integração inicial de IA generativa às suas operações produzia resultados promissores, o que mostra que o novo plano não parte do zero, mas de uma adoção que vinha sendo testada dentro da companhia. Gong Yu, diretor executivo e fundador da iQiyi Inc Getty Images O anúncio reforça a pressão competitiva no setor de entretenimento digital, em um momento em que plataformas buscam reduzir custos, acelerar ciclos de produção e testar novos formatos de conteúdo. Na prática, o uso mais amplo de IA pode encurtar etapas tradicionalmente caras e demoradas da produção audiovisual, embora ainda haja dúvidas sobre qualidade, aceitação do público e impacto sobre profissionais criativos. No início deste ano, Anthony Wood, fundador e CEO da Roku, previu que "o primeiro filme de sucesso 100% gerado por IA" seria lançado nos próximos três anos. Hollywood também começou a investir pesado em IA. O YouTube introduziu ferramentas de IA para criação de conteúdo em setembro passado, segundo o Gizmodo. No ano passado, a Netflix anunciou que havia começado oficialmente a usar imagens finais geradas por IA em suas séries, com a série argentina “El Eternauta” sendo o primeiro exemplo conhecido. Quase simultaneamente, a Amazon MGM Studios lançou uma equipe interna dedicada ao desenvolvimento de ferramentas de IA para produção de cinema e TV. A expansão ocorre em meio ao avanço acelerado de modelos de vídeo na China. Em fevereiro, a Reuters informou que o Seedance 2.0, da ByteDance, chamou atenção por sua capacidade de gerar conteúdo audiovisual com qualidade cinematográfica a partir de poucos comandos, com foco declarado em aplicações para cinema, publicidade e comércio eletrônico. O plano da iQIYI, no entanto, também já provoca reação. Veículos asiáticos relataram críticas ao lançamento de iniciativas ligadas ao uso de imagens de atores em obras geradas por IA, o que indica que a adoção da tecnologia no entretenimento deve avançar junto com debates sobre direitos de imagem, remuneração e limites criativos. A companhia não detalhou qual parcela exata da produção será automatizada nem quando esse objetivo começará a aparecer de forma visível no catálogo. O que o anúncio deixa claro é a ambição de transformar a IA de ferramenta de apoio em peça central da estratégia de conteúdo da plataforma. Mais Lidas
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