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Aeroporto Afonso Pena reduz em 60% consumo de água com sistema de reuso e captação

Home | Época Negócios [Unofficial] April 20, 2026
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Após décadas de uso excessivo, poluição e perturbações causadas pelas mudanças climáticas, o abastecimento de água no mundo entrou em uma era de falência, alertou o Instituto para Água, Meio Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas (UNU-INWEH) em janeiro deste ano. Diante deste cenário, iniciativas de reaproveitamento de água se tornam cada vez mais urgentes. No Sul do Brasil, o Aeroporto Internacional Afonso Pena, localizado em São José dos Pinhais, no Paraná, utiliza há alguns anos um sistema que permite captar, tratar e reutilizar diferentes fontes hídricas, reduzindo a dependência dos recursos naturais. Em 2025, o terminal, administrado pela Motiva Aeroportos, registrou redução de 60% no uso de água proveniente da rede pública após promover melhorias no processo para aumentar a eficiência. Anteriormente, o índice era de 10%. A operação combina a Estação de Tratamento de Água da Chuva (ETAC) e a Estação de Tratamento de Águas Cinzas para Reuso (ETAR). A primeira, como o nome já entrega, capta a água da chuva, que cai no telhado do local, e a envia até um tanque reservatório (ou tanque pulmão). No caso da ETA, ela capta a água que sai das pias, torneiras e chuveiros do aeroporto e envia para o mesmo tanque, onde as duas águas são misturadas. A ETAC tem capacidade de armazenamento de aproximadamente 220 mil litros e, a ETAR tem capacidade de processamento entre 4.500 e 7.500 litros por hora e permite reaproveitar cerca de 70% das águas cinzas geradas no terminal, segundo Lilian Zarpon, gerente de SGI da Motiva. Ela explica que, nas etapas seguintes, a água, já misturada, é filtrada e enviada para outro reservatório, onde passa por um processo químico; depois, por outro filtro e, por fim, pela cloração. O objetivo é limpar e desinfectar totalmente. Após o tratamento, essa água é destinada a usos não potáveis, sobretudo descargas sanitárias. “Os sistemas operam com monitoramento contínuo e seguem parâmetros rigorosos, o que assegura que a água tratada esteja adequada para uso não potável, com segurança e eficiência em diferentes aplicações dentro do aeroporto”, afirma Zarpon. Sistema de reaproveitamento de água do Aeroporto Internacional Afonso Pena, no Paraná Divulgação/Aeroporto Internacional Afonso Pena Junto com a redução de 60% na utilização de água proveniente da rede pública, a operação trouxe economia de custos relacionado ao consumo de água. O índice atual está em torno de 33% a 35%, o que representa R$ 200 mil por ano. A meta é que, no futuro, a economia de água atinja 70% e, com isso, a de custos passe para 40%. Outro ganho do processo, conforme destaca a gerente de SGI, é o da mitigação de riscos para a operação do terminal. “Imagina um aeroporto como o Afonso Pena, que recebe em torno de 15 a 16 mil passageiros por dia, ter uma única fonte de abastecimento. Isso aparece como um risco crítico. Qualquer falha, qualquer período sem água, o aeroporto todo é prejudicado. Agora, quando tenho 60% de fonte de água de frente interna e com total controle sobre isso, eu mitigo muito esse risco. Ele sai de crítico para dentro da linha de tolerável”, salienta. Outros dois aeroportos do Brasil administrados pela Motiva estão recebendo o mesmo sistema de reaproveitamento de água: o Aeroporto Internacional de Goiânia, em Goiás, e o Aeroporto de Navegantes, em Santa Catarina. “Estamos fazendo estudos para entender melhor cada local e, também, para compreender a capacidade dos equipamentos. Ainda este ano teremos valores referentes a esses dois terminais”, completa Zarpon.

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