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CEO da Anthropic vai à Casa Branca para negociar acesso do governo ao seu novo modelo de IA, Claude Mythos

Home | Época Negócios [Unofficial] April 17, 2026
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Dario Amodei, CEO da Anthropic, durante o AI Impact Summit em Nova Déli, na Índia, em fevereiro de 2026 Prakash Singh/Bloomberg via Getty Images Dario Amodei, CEO da Anthropic, se reúne hoje (17) com Susie Wiles, chefe de gabinete da Casa Branca, em um dos encontros mais relevantes da empresa com o governo dos Estados Unidos. O encontro ocorre em um momento crítico: a Anthropic negocia disponibilizar ao governo americano o Mythos, seu mais recente modelo de inteligência artificial, descrito pela própria companhia como um risco para a segurança cibernética de larga escala. As informações são do The Wall Street Journal. O Mythos ainda não foi lançado ao público. A Anthropic distribuiu uma versão preliminar a grandes empresas de tecnologia e operadores de infraestrutura crítica, e vem realizando reuniões com autoridades para discutir como reduzir eventuais danos causados pelo software - que é capaz de detectar vulnerabilidades em qualquer software, e tirar proveito disso. Paralelamente, a empresa está em conversas para oferecer acesso antecipado a agências federais - o que também pode significar um grande risco para o mundo. O Office of Management and Budget (OMB), equivalente ao Ministério do Planejamento dos Estados Unidos, comunicou a agências governamentais que está implementando salvaguardas para permitir o uso do Mythos, segundo fontes ouvidas pelo WSJ. A medida foi coordenada pelo Diretor Nacional de Segurança Cibernética, Sean Cairncross. O degelo de uma relação tensa A aproximação é significativa porque Anthropic e governo Trump viveram meses de conflito aberto. O ponto de ruptura foi a recusa da empresa em aceitar que seus modelos Claude fossem usados pelo Departamento de Defesa para "todos os usos legais" — uma cláusula que a Anthropic considerou incompatível com seus princípios de segurança. A companhia exigiu garantias explícitas contra o uso da tecnologia em armas autônomas e sistemas de vigilância em massa. A resposta do governo foi dura: o secretário de Defesa Pete Hegseth classificou a empresa como um risco à segurança nacional e Trump determinou que agências federais cortassem vínculos com a Anthropic. A empresa recorreu à Justiça e hoje disputa o caso em dois tribunais distintos. O Mythos, paradoxalmente, tornou-se o catalisador da reaproximação. Com um modelo de tal potencial — e risco — em vias de ser lançado, ambos os lados têm interesse em sentar à mesa. Lobby e reposicionamento político Para facilitar o diálogo, a Anthropic também reforçou sua estrutura de articulação política em Washington. A empresa contratou Brian Ballard, um dos lobistas mais influentes do entorno republicano, responsável por arrecadar mais de US$ 50 milhões para a campanha de Trump em 2024. Também passou a trabalhar com uma firma fundada por Carlos Trujillo, ex-integrante do primeiro governo Trump. O movimento contrasta com o histórico recente da empresa: a Anthropic financiou um grupo político que se opõe à estratégia de IA do governo Trump nas eleições de meio de mandato e chegou a contratar ex-integrantes do governo Biden. Analistas ouvidos pelo WSJ avaliaram que a postura confrontacional adotada inicialmente pode ter prejudicado a empresa, tanto em sua relação com o governo quanto em sua imagem junto ao campo republicano, o que seria um problema relevante para uma companhia que planeja abrir capital. Enquanto a Anthropic negocia sua reinserção no ecossistema governamental, concorrentes avançam. O Pentágono já fechou acordos com a OpenAI e com a xAI, empresa de Elon Musk, para uso de seus modelos em ambientes classificados. Analistas de segurança, no entanto, estimam que ainda levará meses para que essas ferramentas sejam integradas operacionalmente da mesma forma que os modelos da Anthropic já estavam, o que, segundo eles, torna contraproducente a punição a uma das principais empresas de IA do país às vésperas de um lançamento com implicações de segurança nacional. A reunião de Amodei com Wiles é, até agora, o contato de mais alto nível entre a empresa e o governo Trump, superando encontros anteriores com Hegseth e outros membros da administração. Mais Lidas

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