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  "textContent": "\nO pesquisador brasileiro Luciano Moreira foi incluído, na última quarta-feira (15/4), na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista Time. A publicação que reconhece líderes, inovadores e cientistas com impacto global mencionou apenas outros dois brasileiros ao lado dele em 2026: o ator Wagner Moura e a cientista Mariangela Hungria. A escolha destaca o trabalho liderado por Moreira no desenvolvimento e na aplicação do Método Wolbachia, uma estratégia biológica que tem reduzido significativamente casos de dengue, zika e chikungunya no Brasil e em outros países. Pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e uma das principais referências mundiais no controle biológico de arboviroses, Moreira tem atuado há mais de uma década no uso da bactéria Wolbachia para bloquear a transmissão de vírus em mosquitos Aedes aegypti. O reconhecimento internacional — que já tinha sido adiantado pela menção de Moreira entre as dez pessoas que moldaram a ciência pela revista Nature em 2025 — veio em meio a uma fase decisiva do projeto: a incorporação do método como política pública pelo Ministério da Saúde e a ampliação em larga escala da produção dos mosquitos modificados. “Foi uma surpresa”, disse Moreira em entrevista à Época NEGÓCIOS, ao comentar a inclusão na lista da Time. “É o reconhecimento de um trabalho de muitos anos, feito por equipes de várias pessoas tentando atingir o mesmo objetivo e batalhando no dia a dia, com todos os obstáculos e dificuldades.” Do laboratório para a rua O Método Wolbachia consiste na liberação controlada de mosquitos infectados com a bactéria Wolbachia, naturalmente presente em muitos insetos, mas não no Aedes aegypti. A presença da bactéria impede que vírus como os da dengue, zika e chikungunya se desenvolvam no mosquito, reduzindo drasticamente a transmissão das doenças sem o uso de inseticidas químicos. Ao longo da última década, a equipe liderada por Moreira fez questão de não queimar etapas: “A gente fez todo um trabalho de laboratório, depois foi para campo em pequena escala, trouxemos especialistas e tivemos workshops para discutir o método no meio acadêmico-científico. Vendo que isso teria futuro, fomos ampliando, e culminou no resultado do ano passado”, explicou o pesquisador, se referindo à incorporação do Método Wolbachia às diretrizes nacionais de controle das arboviroses. Bons sinais Os dados obtidos em cidades brasileiras ajudam a explicar o reconhecimento internacional. Em Niterói (RJ), um dos primeiros municípios totalmente cobertos pelo método, estudos publicados mostraram uma redução inicial de cerca de 69% nos casos de dengue, no período em que 75% do território estava coberto. Após a ampliação para toda a cidade, o índice chegou a 89% de redução, com base nas notificações do Sistema Nacional de Vigilância em Saúde (Sinan). Em Campo Grande (MS), cidade com quase 1 milhão de habitantes, um acompanhamento após três anos de implementação apontou uma queda de 63% nos casos de dengue. Resultados semelhantes já haviam sido registrados em outros países, como Austrália, Vietnã e Colômbia, reforçando a robustez da estratégia. “Não é uma solução imediata”, ponderou Moreira. “Às vezes, leva dois anos para ter efeito. Esse é um desafio, principalmente quando existe pressão política por soluções rápidas.” Próximos passos A ampliação do método ganhou novo impulso com a inauguração, em 2025, da Wolbito do Brasil, considerada a maior biofábrica de mosquitos com Wolbachia do mundo. A unidade tem capacidade para produzir até 100 milhões de ovos por semana, volume suficiente para proteger cerca de 14 milhões de pessoas por ano. Segundo Moreira, a expansão ainda depende da demanda dos municípios, mas o potencial é grande: “Ainda tem território para crescer, para poder expandir para mais municípios do Brasil — e, quem sabe, para países vizinhos que também estão sofrendo com o aquecimento global e doenças como dengue e chikungunya, principalmente.” Além do impacto sanitário, estudos apontam que o método também gera uma economia significativa no combate às doenças causadas pelos vírus transmitidos pelo Aedes. De acordo com levantamentos realizados em sete municípios brasileiros mencionados por Moreira, cada real investido pode gerar uma economia que varia de R$ 50 a R$ 550 em gastos evitados com hospitalizações, controle do mosquito e até mesmo com a queda da produtividade nas cidades. Fé na ciência Parte central do trabalho, segundo o pesquisador, tem sido lidar com a percepção pública e com a desinformação. “A gente sofreu bastante com isso, as pessoas achando que ‘vão inserir um chip na gente’, que ‘a gente vai virar crocodilo’” com os mosquitos modificados, relatou Moreira, com bom humor. Para enfrentar as fake news, o programa adota uma estratégia de engajamento comunitário antes de qualquer liberação. “Em parceria com os municípios, a gente faz um trabalho extenso de integração com a área de saúde, com escolas e lideranças sociais para trazer informação sobre o que é o programa, como funciona, para tirarmos todas as dúvidas. No fim, foram feitos questionários nessas comunidades para as pessoas responderem se autorizavam a liberação dos mosquitos”, afirmou o pesquisador. De acordo com ele, nos 9 municípios onde o projeto foi testado, 90% da população autorizou o processo. Mas Moreira enfatiza que o método não substitui outras medidas de prevenção. “É uma forma complementar de controle. De maneira alguma o método pede à população ou aos gestores que mudem seus hábitos de combate à dengue\", afirma o especialista, se referindo a estratégias como a eliminação de focos de água parada e a vacinação. *Com supervisão de Lia Hama Mais Lidas",
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