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  "textContent": "\nO robô Figure 02, desenvolvido para atividades domésticas, só aprende vendo como os humanos fazem Divulgação O próximo grande salto da inteligência artificial pode depender de algo bem mundano: vídeos de pessoas dobrando roupas, lavando louça e varrendo o chão. Segundo o Washington Post, empresas e pesquisadores estão construindo bancos de dados de movimentos humanos para treinar robôs domésticos, e a corrida por esse tipo de informação já gerou um mercado próprio de trabalhadores por demanda. A DoorDash, conhecida como plataforma de entrega de comida, é um dos nomes que entraram nessa disputa. A empresa passou a contratar trabalhadores avulsos para gravar a si mesmos realizando tarefas domésticas, pagando até US$ 25 (R$ 125) por hora. Os profissionais usam smartphones acoplados à cabeça, que capturam vídeo do ponto de vista de quem executa a tarefa, registrando o movimento dos dedos, das mãos e da cabeça com precisão suficiente para alimentar modelos de aprendizado de máquina. Falta de dados para robôs A lógica por trás dessa estratégia é a mesma que sustentou o avanço dos chatbots de IA: quanto mais dados de qualidade, melhor o desempenho do modelo. Pesquisadores chamam esse fenômeno de \"leis de escalonamento\". O que funcionou para o texto e para as imagens na internet, no entanto, não tem um equivalente simples no mundo físico. \"Não existe uma internet para dados de robótica\", afirmou Ken Goldberg, roboticista e professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, ao Washington Post. Para treinar um chatbot, basta vasculhar a web. Para treinar um robô a dobrar uma camisa, é preciso mostrar a ele exatamente quais movimentos executar, e isso não está disponível em nenhum repositório pronto. O maior conjunto de dados de robótica existente hoje corresponde a cerca de cinco anos de vídeos assistidos. O equivalente para o treinamento de modelos de linguagem soma aproximadamente 100 mil anos de leitura. A diferença de escala ilustra o tamanho do desafio. Nem todos os dados têm o mesmo valor. A forma mais precisa de treinar robôs é por meio da teleoperação, quando um humano controla diretamente um robô enquanto executa uma tarefa, gerando dados que incluem os comandos de movimento das máquinas. \"Os dados de teleoperação são provavelmente considerados os de maior qualidade\", disse Simar Kareer, pesquisador de robótica da Georgia Tech que ajudou a desenvolver métodos de treinamento com vídeo humano. O problema é o custo. Operar um robô é lento e caro, e o processo é muito mais demorado do que simplesmente deixar uma pessoa realizar a tarefa com as próprias mãos. Por isso, pesquisadores como Kareer investigam se uma quantidade maior de vídeos humanos mais baratos pode fornecer uma base suficiente para o aprendizado, reduzindo a necessidade de dados de teleoperação. Outras abordagens estão sendo testadas em paralelo. Algumas empresas distribuem versões portáteis de garras robóticas para que humanos demonstrem tarefas de forma mais facilmente transferível para máquinas. Outras apostam em robôs com estrutura física mais próxima à humana — a premissa é que, se um robô tiver o mesmo número de dedos e articulações de uma pessoa, a transferência de habilidades a partir de vídeos humanos fica mais direta. Há ainda iniciativas que colocam robôs para aprender em ambientes simulados, semelhantes a videogames, antes de enfrentar o mundo real. Quando um robô poderá lavar sua louça? A resposta honesta é: ninguém sabe. \"Talvez em dois anos, três, cinco, dez, vinte\", disse Goldberg. \"Ou mais.\" O setor está apostando alto. A startup Physical Intelligence, sediada em San Francisco, captou US$ 400 milhões em 2024 para desenvolver modelos de IA generalistas para robôs físicos. A Nvidia lançou o projeto GR00T, plataforma para robôs humanoides baseada em dados de vídeo humano. O mercado global de robótica doméstica, avaliado em US$ 9,1 bilhões em 2024, deve crescer a uma taxa anual superior a 25% até 2030, segundo a Grand View Research. Por ora, a matéria-prima mais valiosa dessa corrida tecnológica ainda é o gesto humano mais corriqueiro: dobrar uma camiseta sobre a cama. Mais Lidas",
  "title": "Quer ganhar dinheiro passando roupa enquanto alguém te filma? Tem empresas de tecnologia pagando por isso"
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