Pentágono quer GM e Ford produzindo armamento, como na Segunda Guerra Mundial
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April 16, 2026
O Pentágono está em negociação com as maiores montadoras e fabricantes industriais dos Estados Unidos para que parte de sua capacidade produtiva seja redirecionada à produção de armamentos — numa estratégia que remonta à mobilização industrial da Segunda Guerra Mundial. A informação foi publicada pelo The Wall Street Journal. Segundo o jornal, altos funcionários do Departamento de Defesa já realizaram conversas com executivos de empresas como General Motors, Ford, GE Aerospace e Oshkosh. Entre os nomes citados estão Mary Barra, CEO da GM, e Jim Farley, CEO da Ford. As tratativas foram descritas como preliminares e de amplo escopo. O que o governo quer das empresas Nas reuniões, os oficiais da defesa apresentaram o reforço da produção de armamentos como uma questão de segurança nacional. Foram feitas perguntas sobre a viabilidade de deslocar pessoal e capacidade fabril para a fabricação de munições e equipamentos militares (como mísseis e tecnologia antidrone) e pedido que os executivos identificassem os principais obstáculos para assumir contratos de defesa, incluindo exigências de licitação. O Departamento de Defesa afirmou, em nota, estar "comprometido em expandir rapidamente a base industrial de defesa, aproveitando todas as soluções e tecnologias comerciais disponíveis para garantir que nossos combatentes mantenham uma vantagem decisiva". As conversas tiveram início antes do conflito com o Irã, mas a guerra acelerou a urgência. O desgaste nos estoques de munição dos EUA, causado tanto pelo apoio à Ucrânia desde 2022 quanto pelas operações mais recentes, tornou evidente que as empresas tradicionais de defesa não conseguem, sozinhas, atender à demanda em ritmo suficiente. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, vem chamando a atenção para a necessidade de colocar a produção militar em "pé de guerra". O mais recente orçamento solicitado pelo Pentágono, de US$ 1,5 trilhão, o maior da história moderna do departamento, prevê investimentos expressivos em fábricas de munições e drones. Hoje, a maior parte da produção militar americana está concentrada em um número limitado de contratadas. Muitas grandes empresas fora do setor de defesa já têm algum contrato com o Pentágono, mas, em geral, de escopo restrito e baixo valor. O precedente histórico A iniciativa evoca um capítulo bem conhecido da história industrial americana. Durante a Segunda Guerra Mundial, as montadoras de Detroit pararam completamente a produção de carros para fabricar bombardeiros, motores de aviação e caminhões militares — o que ficou conhecido como o "Arsenal da Democracia". Mais recentemente, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já havia recorrido ao setor privado em contexto de emergência: durante a pandemia de covid-19, GM e Ford se uniram a fabricantes de dispositivos médicos para produzir dezenas de milhares de respiradores. A empresa Oshkosh, fabricante de veículos e maquinário com sede no Wisconsin, já iniciou esse diálogo formalmente. Logan Jones, diretor de crescimento do segmento de transporte da empresa, disse ao WSJ que a companhia entrou em conversas com o Pentágono em novembro, após o chamado de Hegseth por maior produção. A Oshkosh fabrica veículos táticos para o Exército americano e seus aliados, mas a maior parte de sua receita anual de US$ 10,5 bilhões vem do setor civil. A GM também tem participação no setor: uma subsidiária produz um veículo leve de infantaria baseado na picape Chevrolet Colorado. A empresa também é cotada como candidata para fabricar um novo veículo maior que substituirá o Humvee no Exército dos EUA. Mais Lidas
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