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IA identifica quais pacientes com câncer não vão se beneficiar de novo remédio

Home | Época Negócios [Unofficial] April 13, 2026
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Pesquisadores do Institute of Cancer Research, de Londres, e da RCSI University of Medicine and Health Sciences, de Dublin, anunciaram uma nova ferramenta baseada em inteligência artificial capaz de prever como pacientes com câncer colorretal avançado vão reagir ao bevacizumabe, medicamento recentemente incorporado ao sistema público de saúde do Reino Unido, o NHS. O estudo foi divulgado pelo The Guardian. O bevacizumabe funciona bloqueando proteínas que os tumores precisam para crescer. O problema é que o medicamento é eficaz apenas para uma parcela dos pacientes e pode causar efeitos colaterais sérios, como coágulos sanguíneos e complicações gastrointestinais. Sem uma forma de identificar previamente quem vai responder bem ao tratamento, médicos acabam expondo desnecessariamente parte dos pacientes a esses riscos. Como funciona o PhenMap A ferramenta desenvolvida pelos pesquisadores se chama PhenMap, combinação das palavras "phenotype" (fenótipo, ou seja, as características observáveis de um organismo) e "mapping" (mapeamento). O sistema usa IA para integrar dados complexos sobre a composição genética dos tumores e identificar padrões de resposta ao medicamento em diferentes pacientes. No estudo, foram acompanhados 117 pacientes europeus com câncer colorretal avançado, tratados com quimioterapia e bevacizumabe. O PhenMap conseguiu identificar um grupo específico de pacientes que compartilhavam a mesma mutação genética e apresentavam alto risco de reações negativas ao tratamento. O câncer colorretal é o segundo tipo de câncer com maior taxa de mortalidade no Reino Unido, atrás apenas do câncer de pulmão. Quando detectado em estágio inicial, a taxa de sobrevivência em cinco anos pode chegar a 98%. Nos casos avançados, essa taxa despenca para cerca de 10%. Só no Reino Unido, quase 10 mil casos de câncer colorretal avançado são diagnosticados por ano e jovens adultos estão entre os grupos com maior crescimento de diagnósticos. "Uma vez que o câncer colorretal se espalha para outras partes do corpo, há muito poucas opções de tratamento disponíveis para os pacientes", disse ao The Guardian Anguraj Sadanandam, professor de medicina de precisão no Institute of Cancer Research. "Sabemos que a maioria dos pacientes não vai se beneficiar do medicamento, o que significa que milhares de pessoas na Inglaterra podem estar enfrentando efeitos colaterais desagradáveis desnecessariamente." Os pesquisadores ressaltam que os resultados são promissores, mas que a ferramenta ainda precisa ser testada em uma amostra maior de pacientes para ser validada clinicamente. A equipe também planeja investigar se o PhenMap pode ser aplicado a outros tipos de câncer além do colorretal. "No futuro, espero que essa abordagem leve a um teste que possa ser usado por médicos para garantir que os pacientes recebam um tratamento personalizado com a maior chance de funcionar contra o câncer deles", afirmou Sadanandam. Se confirmada em larga escala, a tecnologia pode mudar o processo de tomada de decisão clínica em oncologia, direcionando tratamentos caros e de risco apenas para os pacientes com maior probabilidade de se beneficiar deles. Mais Lidas

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