Por que as mulheres precisam de mais horas de sono do que os homens
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April 10, 2026
Mulheres sofrem mais com insônia Pexels Mulheres têm maior risco de insônia e sentem mais intensamente os efeitos da privação de sono do que os homens, segundo especialistas de Harvard e Stanford A ideia de que as mulheres precisam dormir mais do que homens circula com frequência nas redes sociais e não é de todo errada. Tampouco é tão simples quanto parece. Segundo reportagem do The Washington Post, a diferença média documentada é de apenas 11 minutos a mais de sono por noite. O problema está em outro lugar: qualidade do sono, biologia feminina e carga social maior que a dos homens. Quatro especialistas apontaram diferenças reais entre os sexos no padrão de sono. Pequenas, mas com consequências práticas para a saúde e o desempenho diário. 1. O relógio interno feminino é ligeiramente mais adiantado O ritmo circadiano, ciclo de aproximadamente 24 horas que regula funções corporais como pressão arterial, temperatura e o ciclo sono-vigília, é um pouco mais curto nas mulheres. Isso significa que, em média, elas tendem a querer dormir e acordar um pouco mais cedo do que os homens. Rebecca Robbins, pesquisadora de sono no Brigham and Women's Hospital e professora assistente na Escola de Medicina de Harvard, explica que essa diferença de alguns minutos faz com que o horário natural do corpo feminino entre em conflito mais facilmente com as obrigações escolares ou de trabalho. O resultado é o que os cientistas chamam de "jet lag social", um desalinhamento crônico entre o relógio biológico e a rotina imposta pelo ambiente, que se manifesta como fadiga, dificuldade para dormir e dificuldade para acordar pela manhã. 2. Insônia Os dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) mostram que 17% das mulheres têm dificuldade para adormecer, contra 12% dos homens; e 21% têm dificuldade para manter o sono, contra 15% dos homens. No conjunto, as mulheres têm entre 40% e 60% mais risco de desenvolver insônia. Parte dessa diferença se deve a fatores sociais, como a maior sobrecarga com tarefas de cuidado. Mas há componentes clínicos relevantes: transtornos de humor como ansiedade e depressão, mais frequentes em mulheres, também aumentam o risco de insônia. A síndrome das pernas inquietas, condição que provoca um impulso irresistível de movimentar as pernas durante o repouso, também é mais comum entre mulheres. 3. Apneia do sono A apneia do sono, distúrbio em que as vias aéreas se fecham parcialmente durante a noite, é mais associada aos homens, mas essa diferença diminui após a menopausa. Natalie Solomon, psicóloga especializada em medicina comportamental do sono e professora na Escola de Medicina de Stanford, aponta outro problema: as mulheres com apneia frequentemente não apresentam os sintomas clássicos (ronco, engasgo). Em vez disso, relatam fadiga diurna, sonolência ou depressão, sintomas inespecíficos que acabam levando a um diagnóstico tardio e tratamento inadequado. 4. Hormônios Andrea Matsumura, médica especialista em sono e porta-voz da Academia Americana de Medicina do Sono, acrescenta que as diferenças se intensificam em momentos de transição hormonal: gravidez, puerpério, perimenopausa e menopausa. As oscilações hormonais nessas fases costumam provocar ondas de calor e suores noturnos que fragmentam o sono de maneira significativa. 5. Sono atrasado Outro achado relevante diz respeito à recuperação. Quando homens e mulheres são submetidos a reduções equivalentes de sono, o impacto no desempenho e no bem-estar é mais acentuado nas mulheres, de acordo com Solomon. Estudos com eletroencefalogramas, exames que monitoram as ondas cerebrais, mostram que, ao se recuperar de uma privação de sono, o cérebro feminino exibe maior atividade de ondas lentas, o que indica uma necessidade de sono mais profundo para restaurar o organismo. As consequências do sono insuficiente ou de má qualidade incluem névoa mental, queda no desempenho cognitivo e comprometimento do sistema imunológico, segundo Robbins. O que fazer? Os especialistas ouvidos pelo Washington Post apontam algumas medidas práticas para melhorar a qualidade do sono. Entre elas: evitar álcool e cafeína no final da tarde e à noite; criar uma rotina de desaceleração na hora de dormir, sem telas; manter horários consistentes, inclusive nos fins de semana; e ajustar o horário de dormir de forma gradual: no máximo 15 minutos mais cedo por noite, para não contrariar o ritmo circadiano natural. Um bom indicador de sono adequado, segundo Robbins, é sentir-se bem não apenas ao acordar, mas também no período da tarde, justamente o momento em que o ritmo circadiano produz uma queda natural no estado de alerta. Wendy Troxel, psicóloga clínica especializada em sono e pesquisadora da RAND Corporation, organização americana de pesquisa em políticas públicas, destaca que os problemas de sono são tratáveis. "Muitas mulheres são levadas a acreditar que as perturbações do sono são inevitáveis, mas não é assim. Distúrbios crônicos podem indicar um problema clínico, e há tratamentos eficazes", disse ao Washington Post. Mais Lidas
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