Por que os homens estão obcecados com fertilidade e como as empress estão ganhando dinheiro com isso
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April 8, 2026
Há um mercado em expansão nos Estados Unidos que mistura ansiedade reprodutiva, redes sociais e capitalismo de bem-estar: o de suplementos voltados à fertilidade masculina. A ideia de se preparar fisicamente nos meses anteriores à concepção, chamada de "trimestre zero", já era comum entre mulheres. Agora, mais homens passam a integrar essa lógica, e marcas de wellness respondem ao movimento com uma oferta crescente de suplementos e testes domésticos de esperma, mostra reportagem do The Wall Street Journal. Um nicho que virou negócio A empresa de fertilidade Perelel, que começou a vender um kit de suplementos masculinos em 2021, afirma que o produto já figura entre os cinco mais vendidos da marca. Na Bird&Be, os itens para homens representam mais de 30% das vendas, o que, segundo Samantha Diamond, cofundadora e CEO da empresa, não era o caso quando ela foi fundada, há quatro anos. A Bird&Be comercializa dois suplementos masculinos, com preços entre US$ 63 e US$ 78 para um mês de uso, além de kits de teste de fertilidade em casa, incluindo um exame de esperma por US$ 99. A SwimClub, uma das entrantes no segmento, foi criada por Osman Khan depois que ele descobriu ter baixa contagem de espermatozoides durante uma tentativa frustrada de fertilização in vitro. Com a ajuda de especialistas, incluindo o urologista Michael Eisenberg, da Universidade Stanford, ele montou um suplemento que oferece ao consumidor um estoque para 90 dias por cerca de US$ 300. Segundo dados da PitchBook, investidores de risco aportaram US$ 121 milhões em startups focadas em fertilidade masculina apenas no ano passado. O número mostra que o interesse vai além do consumidor final: o capital de risco enxerga um mercado em formação. Redes sociais como vetor de consumo Posts com influenciadores incentivando homens a melhorar a fertilidade por meio de exercícios, dieta, suplementos e redução do consumo de álcool têm alcance crescente nas plataformas digitais. O modelo de negócio combina conteúdo patrocinado com venda direta, um formato já consolidado no universo da saúde feminina e que agora migra para o público masculino. Podcasts de saúde voltados para homens também passaram a dedicar episódios inteiros ao tema. O médico Mark Hyman chegou a intitular um deles "Por que a fertilidade masculina está em colapso e o que isso significa para o nosso futuro". O empreendedor Bryan Johnson, de 48 anos, conhecido por sua obsessão com longevidade, publicou no X que a qualidade de seu esperma é equivalente à de um homem saudável de 20 anos. Ele afirmou ao The Wall Street Journal que, em encontros com CEOs influentes, a saúde reprodutiva masculina tem sido tema recorrente. O que dizem os médicos A expansão comercial, no entanto, encontra resistência no meio médico. O médico Bobby Najari, diretor do programa de infertilidade masculina da NYU Langone, observou um aumento no número de pacientes que chegam ao consultório já tomando suplementos. Ainda assim, ele não os recomenda de rotina, citando a escassez de estudos clínicos específicos para homens e a dificuldade de avaliar a qualidade das marcas disponíveis, já que os suplementos não precisam de aprovação da agência regulatória americana, a FDA. Um benefício que Najari reconhece é de outra ordem: a sensação de participação conjunta no processo de tentar engravidar. "Há um benefício indireto de o homem se sentir engajado, mostrando que estão juntos nisso. São benefícios não médicos, intangíveis", disse. O crescimento do mercado se insere num pano de fundo demográfico no qual as taxas de fertilidade nos Estados Unidos atingiram mínimas históricas nos últimos anos, mantendo-se baixas ao longo de boa parte das últimas cinco décadas, o que alimenta preocupações com o declínio populacional. A Organização Mundial da Saúde estima que a infertilidade afeta cerca de 1 em cada 6 pessoas no mundo. O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem adotado medidas para tentar reverter a queda na taxa de natalidade. Trump se autodeclarou o "presidente da fertilização", e o vice-presidente JD Vance expressou o desejo de "tornar a América fértil novamente". As chamadas Trump Accounts, contas de investimento para crianças, oferecem US$ 1.000 em recursos federais para bebês nascidos entre 2025 e 2028. Mais Lidas
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