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  "textContent": "\nLEGENDA: Pesquisa com trigo editado via Crispr reduziu em até 93% a presença de asparagina livre, precursora da acrilamida, sem perda de produtividade agrícola Cientistas criam trigo modificado que evita risco cancerígeno Mishaal Zahed/Unsplash Cientistas do instituto Rothamsted Research, no Reino Unido, desenvolveram uma variedade de trigo editada geneticamente que é capaz de reduzir de forma significativa a formação de acrilamida - composto classificado como \"cancerígeno provável\" presente em pães e biscoitos durante o processo de torra, fritura ou cozimento em altas temperaturas. A pesquisa utilizou a técnica Crispr, que permite edições precisas no DNA de organismos vivos, segundo informações do The Guardian. O alvo foi o gene responsável pela produção de asparagina livre, um aminoácido presente naturalmente no trigo que, ao ser exposto ao calor, se converte em acrilamida. O trigo acumula asparagina livre como forma de armazenar nitrogênio. Esse processo é benéfico para a planta, mas gera um efeito indesejado na mesa do consumidor: quanto mais a farinha é submetida ao calor, especialmente em temperaturas altas, como na torra , maior a concentração de acrilamida no produto final. A substância está presente em uma ampla variedade de alimentos processados à base de cereais e batatas e é monitorada por autoridades sanitárias em diversos países. A União Europeia já conta com regulação que estabelece níveis de referência para acrilamida nos alimentos e deve restringir os limites máximos permitidos ainda neste ano. Como a edição genética resolve o problema A equipe do Rothamsted Research trabalhou com duas abordagens de edição via Crispr. Na primeira, apenas o gene principal ligado à produção de asparagina foi modificado, resultando em uma redução de 59% do aminoácido no grão. Na segunda, um gene relacionado também foi editado, levando a uma queda de até 93%, sem qualquer perda na produtividade da lavoura. Os resultados foram obtidos após dois anos de ensaios de campo e se traduziram diretamente nos alimentos: pães e biscoitos produzidos com o trigo editado apresentaram níveis substancialmente menores de acrilamida, e em algumas amostras, a substância ficou abaixo dos limites detectáveis mesmo após a torra. Para fins de comparação, a pesquisa também avaliou métodos convencionais de melhoramento genético, que envolvem a exposição do material genético a agentes químicos para induzir mutações aleatórias, uma prática permitida por não ser considerada edição direta. Esse método chegou a reduzir a asparagina em 50%, mas com uma perda de quase 25% na produtividade, provavelmente por conta de mutações não intencionais em outras partes do genoma. Nigel Halford, que liderou o estudo, destacou a relevância prática da descoberta: um trigo com baixo teor de acrilamida permitiria que empresas do setor alimentício se adequem a normas sanitárias mais restritivas sem comprometer a qualidade dos produtos nem incorrer em custos adicionais de produção. A pesquisadora Navneet Kaur, também do Rothamsted Research, ressaltou o papel da tecnologia Crispr nesse avanço: \"Este trabalho demonstra o poder da tecnologia Crispr para promover mudanças precisas e benéficas na genética das culturas. Com marcos regulatórios favoráveis, podemos desbloquear benefícios significativos para a agricultura e os sistemas alimentares.\" Mais Lidas",
  "title": "Cientistas desenvolvem trigo geneticamente editado para evitar que as torradas sejam cancerígenas"
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