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Dois anos após enchente, Instituto Caldeira retoma atividades com foco em sustentabilidade, desenvolvimento urbano e IA

Home | Época Negócios [Unofficial] March 27, 2026
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Imagem da enchente no Instituto Caldeira, em maio de 2024 Divulgação No dia 3 de maio de 2024, o Instituto Caldeira, hub de inovação localizado em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, passou por um trauma. O espaço de 22 mil metros quadrados sediado no bairro do Quarto Distrito ficou totalmente alagado – se somando a dezenas de negócios gaúchos impactados pelas enchentes naquele mês. Dois anos depois, o hub vive um novo momento, já totalmente reconstruído. Agora, conta Pedro Valério, diretor executivo do instituto, o foco está em sustentabilidade, desenvolvimento urbano e IA. “Vivemos um trauma, cara. E a gente fez do nosso ponto fraco um forte. Sempre soubemos que a gente estava numa área abandonada, ruim. Então, a enchente, na nossa percepção, só colocou um holofote num problema com o qual todo mundo convivia. E agora vamos olhar com a devida atenção para isso, construindo uma comunidade formada por empreendedores, institutos, empresas e filantropos, para mudar essa realidade”, diz. Reabertura do Instituto Caldeira, que passou por enchente em 2024 Divulgação Durante o South Summit Brazil, foi anunciada a criação do NOC Caldeira, um centro de monitoramento e inteligência territorial voltado à região onde o hub está localizado. A iniciativa reúne sensores e bases públicas de dados para acompanhar, em tempo real, informações sobre clima, mobilidade e infraestrutura urbana, com o objetivo de apoiar decisões mais eficientes, tanto do poder público quanto da iniciativa privada. Viabilizado por uma campanha de financiamento coletivo lançada no fim de 2025, o projeto entra agora em sua primeira fase, com a operação de uma plataforma integrada de dados. Durante o evento, também foi formalizado um acordo de cooperação com a prefeitura de Porto Alegre, de forma que o sistema possa acessar informações de diferentes fontes. Como não poderia deixar de ser, o Caldeira também passa por um momento de investimento em inteligência artificial. O instituto tem trabalhado na gestão dos dados de todos os membros, entre empresas, empreendedores e instituições parceiras. A ideia é criar uma solução que conecte as pessoas de forma mais assertiva e customizada. Mas sempre com muitos cuidados. “Acho que sou meio Ariano Suassuna, sabe? O pessimista é chato e o otimista é tolo. Eu sou um realista esperançoso. Com a IA,temos uma oportunidade brutal nas mãos”, diz. Pedro Valério, diretor executivo do Instituto Caldeira, durante o mutirão de limpeza do espaço Divulgação Confira a seguir os principais trechos da entrevista com o diretor. ÉPOCA NEGÓCIOS Como é lidar com o trauma da enchente? PEDRO VALÉRIO Nós temtamos transformar isso em força. A região onde fica o instituto sempre foi problemática. É uma área abandonada há muito tempo, com pouca presença do poder público e pouco investimento privado. Era um problema com o qual a gente convivia internamente, que de repente virou uma questão global. Hoje somos chamados para falar sobre isso fora do Brasil. Empresas como Salesforce, Oracle, IBM vieram nos apoiar. Por isso o que era uma questão invisívelue ganhou relevância. E o desenvolvimento urbano, que já era pauta, virou prioridade. A gente começou a se posicionar não só como um hub, mas como um possível distrito de inovação. Isso envolve pensar escala, entorno, cidade. Montamos equipe, articulamos com instituições, com órgãos filantrópicos, com o poder público. E executamos o que está ao nosso alcance: iluminação, segurança, parceria com a Brigada Militar, tecnologia, câmeras. A lógica é simples: ganha quem faz. Tem muita gente falando, mas a gente tenta manter uma obstinação de execução. NEGÓCIOS Hoje a agenda de sustentabilidade passa por uma certa revisão. Como vê isso? VALÉRIO A leitura que a gente faz é que, em muitos momentos, a pauta ESG se afastou da prática. Virou uma agenda que nem sempre estava conectada com a realidade do negócio ou da vida. Aqui, a gente tenta fazer. Vamos construir uma praça? Então ela vai ser um equipamento público, com soluções baseadas na natureza, com tecnologia, com governança. Isso é ESG, mas sem precisar colocar uma placa dizendo que é. O mesmo vale para educação. Não fazemos “agenda social”, queremos ajudar o jovem. A gente tenta simplificar: o que gera valor? O que resolve problema? Não precisa ter uma discussão complexa demais para algo que é bastante elementar. NEGÓCIOS A IA mudou o perfil das startups por aqui? VALÉRIO Eu acho que a maioria das pessoas ainda está tateando, sem saber exatamente o que está procurando. A popularização da inteligência artificial e da capacidade computacional deu um acesso muito grande a ferramentas. Mas a gente ficou muito obcecado pela ferramenta e pouco preocupado com o uso. Quando alguém chega dizendo que precisa fazer IA, a pergunta é: para quê? Como isso gera valor? Como aumenta a eficiência? No caso das startups, fizemos uma grande mudança no nosso programa de aceleração, que antes era mais tradicional. Agora a gente seleciona startups que já têm alguma clareza sobre como usar IA para gerar valor e crescimento. Hoje tem muita gente dizendo que usa IA, mas não gera impacto real. Então aqui a gente tenta puxar a discussão para dados, para aplicação. NEGÓCIOS De que maneira os jovens apoiados pelo Caldeira lidam com isso? VALÉRIO Os jovens são impressionantes. Muito talentosos, muito engajados, com uma vontade enorme de crescer. Mas existe uma ansiedade. E não é só deles, é geral. Uma sensação de estar no escuro, tentando entender o que está acontecendo. O nosso papel é acompanhar. Nós mesmos estamos aprendendo junto. Hoje, por exemplo, a nossa obsessão é dados. Temos 560 empresas aqui dentro, centenas de milhares de pessoas circulando. É muita informação. No futuro, queremos oferecer uma experiência personalizada dentro do hub, conectando pessoas com base em interesse, comportamento, necessidade. Sem repertório, não tem uso qualificado de IA. Imagem do estrago causado pela enchente no Instituto Caldeira Divulgação NEGÓCIOS E pessoalmente, como você vê esse momento? VALÉRIO A transformação tecnológica abre uma oportunidade enorme, especialmente para quem está fora dos grandes centros tradicionais. Hoje a gente tem acesso a ferramentas que antes eram restritas. De uma certa maneira, quando todo mundo está meio perdido, você também está no jogo. Claro que existem desafios, especialmente no Brasil, ligados a acesso, formação, qualificação. Mas eu acho que pode ser desafiador e divertido ao mesmo tempo. E estar inserido em um ecossistema forte faz muita diferença. O Caldeira funciona como um orquestrador disso. Não é um fim, é um meio. Uma plataforma que conecta pessoas e instituições que estão buscando evoluir.Isso, por si só, já abre um conjunto enorme de oportunidades. Vai dar trabalho, vai ter desafio, mas pode ser transformador. Mais Lidas

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