Blue Origin, de Jeff Bezos, mira nova megaconstelação — desta vez para hospedar data centers no espaço
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March 20, 2026
Jeff Bezos acaba de colocar mais uma ficha na mesa da corrida espacial. Segundo o site Ars Technica, a Blue Origin, sua empresa de exploração do espaço, protocolou um pedido junto à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) para operar uma constelação de até 51.600 satélites em órbita terrestre baixa. O projeto tem nome: Projeto Sunrise. E seu objetivo é diferente de tudo que a Blue Origin anunciou até agora: construir data centers no espaço para atender à crescente demanda por processamento de inteligência artificial. A proposta da Blue Origin prevê satélites distribuídos em órbitas entre 500 e 1.800 quilômetros de altitude, em inclinações entre 97 e 104 graus em relação ao equador. Esse tipo de trajetória é conhecido como órbita heliossincrona — um posicionamento que permite aos satélites ficarem praticamente em luz solar permanente durante todo o ano, o que é fundamental para garantir energia contínua às operações de processamento de dados. No pedido à FCC, a Blue Origin argumenta que a infraestrutura terrestre de data centers enfrenta limites para crescer na velocidade que a demanda por IA exige. "A demanda insaciável por cargas de trabalho de IA levou à rápida construção de data centers terrestres em todo o mundo", diz o documento protocolado pela empresa. "Data centers espaciais serão um complemento à infraestrutura terrestre, introduzindo um novo nível de processamento que opera independentemente das restrições terrestres", completa o texto, citado pelo Ars Technica. A transmissão de dados entre os satélites e a Terra seria feita por meio de links ópticos, com o tráfego roteado pela própria rede TeraWave, outra constelação que a Blue Origin anunciou em janeiro deste ano para oferecer conectividade de alta velocidade a clientes corporativos. Uma corrida por territórios orbitais Pouco mais de um mês antes do anúncio de Bezos, a SpaceX, de Elon Musk, havia protocolado seu próprio pedido para operar até 1 milhão de satélites com propósito semelhante, criar uma camada de serviços de data center permanentemente disponíveis em órbita. Na sequência, a Starcloud, empresa menor com apoio da Nvidia, também entrou com um pedido para uma constelação de 88.000 satélites com finalidade parecida. O movimento conjunto das três empresas revela uma disputa que vai além da tecnologia: trata-se de garantir posições em órbitas específicas antes que os concorrentes o façam. As chamadas órbitas heliossincrônicas — que mantêm os satélites no chamado terminador solar, zona de luz permanente, são escassas. Mesmo no vasto espaço sideral, há um número limitado de trajetos que oferecem essa condição. Cada pedido regulatório funciona, na prática, como uma reivindicação de território. A terceira megaconstelação de Bezos Para a Blue Origin, o Projeto Sunrise seria a terceira megaconstelação sob responsabilidade da empresa. A primeira é a Amazon Leo (anteriormente chamada de Projeto Kuiper), voltada ao fornecimento de internet via satélite para competir com o Starlink, da SpaceX. Os primeiros satélites da Amazon Leo começaram a ser lançados no ano passado. A segunda é a TeraWave, destinada a clientes empresariais e anunciada em janeiro de 2026. Acrescentar o Projeto Sunrise a esse portfólio diz muito sobre a ambição de Bezos para a Blue Origin. A empresa já toca simultaneamente o foguete New Glenn, um programa lunar relevante, um veículo de serviços em órbita chamado Blue Ring e uma estação espacial comercial batizada de Orbital Reef. O contraste com a SpaceX, no entanto, é difícil de ignorar. A empresa de Musk acumula mais de 600 lançamentos do foguete Falcon 9 e recentemente superou a marca de 10.000 satélites em órbita ao mesmo tempo. A Blue Origin lançou o New Glenn apenas duas vezes e ainda não tem nenhum satélite operando no espaço. O regulador e a fila de pendências A recepção do Projeto Sunrise pela FCC pode não ser simples. O presidente da agência, Brendan Carr, demonstrou impaciência recente com a Amazon justamente por conta da Amazon Leo. Quando a empresa tentou barrar o pedido da SpaceX para sua megaconstelação de 1 milhão de satélites, Carr rebateu publicamente: "A Amazon deveria se concentrar no fato de que ficará cerca de 1.000 satélites abaixo de sua próxima meta de implantação, em vez de gastar tempo e recursos apresentando petições contra empresas que estão colocando milhares de satélites em órbita", disse o regulador. O prazo mencionado por Carr é julho de 2026, quando a Amazon deveria ter metade dos 3.236 satélites da Amazon Leo em operação. A questão que fica no ar é como Carr reagirá ao fato de a Blue Origin propor uma segunda megaconstelação inteiramente nova antes de ter lançado sequer um satélite para a TeraWave, a primeira delas. Mais Lidas
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