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  "textContent": "\nCom a guerra entre Israel e Irã em curso desde fevereiro, o ambiente informacional ao redor do conflito tornou-se um campo minado de imagens sintéticas, vídeos manipulados e alegações sem sustentação. Nesse contexto, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu publicou nas redes sociais, na semana passada, um pronunciamento em vídeo dirigido ao povo israelense. A reação de parte da internet foi imediata, de que o vídeo era falso, gerado por inteligência artificial, segundo reportagem do The New York Times. Netanyahu estava vivo, mas isso, ao que parece, já não é informação suficiente para convencer todo mundo. O argumento dos seis dedos A principal evidência citada por quem negava a autenticidade do vídeo era a presença de um suposto sexto dedo na mão direita do primeiro-ministro, uma falha conhecida de sistemas de geração de imagens por IA, que historicamente têm dificuldade em representar mãos com precisão. Checadores de fatos não encontraram nenhum dedo extra. Ainda assim, uma publicação com essa afirmação foi vista mais de 2 milhões de vezes no X. Dois dias depois, Netanyahu gravou um segundo vídeo, desta vez em uma cafeteria. Nele, levantou as duas mãos diante da câmera e abriu os dedos: dez, no total, como esperado. Foi uma resposta direta e calculada a uma acusação que, mesmo sem qualquer evidência, havia se espalhado. A estratégia pode ser descrita como uma nova forma de \"prova de vida\", adaptada à era em que deepfakes tornaram a simples aparição em vídeo insuficiente para atestar existência. O dividendo do mentiroso Segundo o NYT, o que aconteceu com Netanyahu tem nome na literatura sobre desinformação: liar's dividend, ou \"dividendo do mentiroso\". O conceito descreve um efeito colateral direto da proliferação de ferramentas de inteligência artificial generativa: à medida que o público se torna mais consciente de que vídeos e imagens podem ser fabricados, cresce também a disposição de rejeitar conteúdo autêntico com o argumento de que é falso. O fenômeno vem ganhando escala desde o início do conflito com o Irã. Imagens de destruição em Teerã e em outras cidades circularam ao lado de conteúdo gerado por IA, e a distinção entre um e outro raramente é perceptível para quem assiste pelo celular. Isso criou um ambiente em que documentações reais de vítimas civis podem ser descartadas como manipulações, exatamente porque existe conteúdo fabricado em circulação. \"Esta não é uma ameaça conceitual\", disse Alberto Fittarelli, pesquisador sênior de desinformação do Citizen Lab, unidade de pesquisa da Universidade de Toronto, ao NYT. Para ele, qualquer ator com conhecimento de técnicas de manipulação e disposição para aplicá-las vai explorar esse mecanismo para semear dúvidas sobre a realidade de uma guerra. \"Verificar tudo é exaustivo, e nem todo mundo pode fazer isso\", afirmou. Um dos casos mais graves documentados envolve um ataque de míssil que destruiu uma escola de meninas, matando ao menos 175 pessoas, resultado de um erro de mira, segundo investigação militar preliminar dos Estados Unidos. Vídeos autênticos do local circularam online. Ainda assim, parte dos usuários afirmou, sem evidência, que as imagens eram montagens ou registros de outros conflitos. O movimento oposto também ocorreu. A embaixada do Irã na Áustria publicou a imagem de uma mochila infantil ensanguentada como símbolo do custo humano da guerra. A imagem parecia legítima. Segundo o NYT, o detector da própria empresa indicou que ela havia sido criada pelo gerador de imagens do Google. Mahsa Alimardani, diretora associada de tecnologia da organização de direitos humanos Witness, observou que o regime iraniano, que em janeiro tentou bloquear a documentação de mortes de manifestantes, passou a ter interesse em registrar as baixas causadas por ataques israelenses e americanos. Mas a estratégia tem custo: \"O regime engendrou a própria dúvida que agora está sendo usada como arma contra documentação autêntica\", disse ela. O Citizen Lab identificou, em outubro, que o governo israelense ou um subcontratado havia utilizado conteúdo gerado por IA para incentivar iranianos a derrubar seu governo. Quando o chatbot confirma a mentira A situação ganhou uma nova dimensão quando o Grok, chatbot de IA desenvolvido pela empresa xAI, de Elon Musk, classificou o vídeo da cafeteria de Netanyahu como um deepfake. A resposta, vista mais de 100 mil vezes no X, dizia: \"Meme clássico de deepfake.\" A xAI não comentou o caso. A cafeteria onde o vídeo foi gravado chegou a publicar suas próprias fotos da visita, imagens sem produção, tiradas de ângulos distintos, apresentadas como evidência adicional de que o encontro havia ocorrido. Não foi suficiente para encerrar as dúvidas. Usuários alegaram que o vídeo teria partido de uma foto de 2024, ignorando que o estabelecimento só abriu no verão de 2025. O conselho de supervisão quase independente da Meta reconheceu recentemente que o problema se manifesta com particular gravidade durante conflitos armados e pediu que a empresa adote medidas mais concretas para identificar e sinalizar conteúdo sintético com fins enganosos nesses contextos. Soluções práticas, porém, ainda não estão claras. \"Benjamin Netanyahu tendo que provar que está vivo e que sua imagem não foi gerada por IA mostra que o risco é bilateral\", disse Fittarelli ao NYT. A tecnologia que permite fabricar o falso também serve para desacreditar o verdadeiro e, nesse jogo, a dúvida em si já é uma forma de vitória para quem quer esconder os fatos. Mais Lidas",
  "title": "Com boatos de morte, Netanyahu filma os dedos para provar que não é deepfake"
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