ByteDance suspende lançamento global da IA de vídeo Seedance 2.0 após pressão de Hollywood
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March 16, 2026
Um dos modelos de inteligência artificial mais comentados das últimas semanas não deve chegar tão cedo ao público fora da China. A ByteDance, empresa responsável pelo TikTok, suspendeu o lançamento global do Seedance 2.0 por conta de disputas legais envolvendo direitos autorais, segundo o site Gizmodo. O modelo havia chamado atenção porque, ao contrário de muitos sistemas de geração de vídeo, o Seedance 2.0 foi lançado, inicialmente, sem filtros suficientes para impedir a criação de vídeos com rostos de celebridades, personagens protegidos por lei ou combinações dos dois. O resultado foram clipes que viralizaram nas redes sociais, entre eles, cenas de luta estilizadas envolvendo atores famosos, como Brad Pitt e Tom Cruise. Initial plugin text Do viral ao jurídico O formato que projetou o ao noticiário foram vídeos de ação ao estilo de John Wick: coreografias improváveis, com física questionável, mas com apelo suficiente para circular amplamente no X (antigo Twitter) e em outras plataformas. Um dos clipes mais comentados simulava uma briga entre Pitt e Cruise. Outro, além de repetir o duo, trazia referências a Jeffrey Epstein e expunha as limitações do modelo na reprodução de vozes de celebridades. A repercussão chamou a atenção de empresas que vivem justamente da exploração comercial dessas imagens. Estúdios de cinema e serviços de streaming iniciaram ações legais contra a ByteDance. Entre os nomes está a Disney, que tem parceria de conteúdo justamente com a OpenAI, principal concorrente da ByteDance no segmento de IA generativa. A tensão entre modelos de geração de vídeo por IA e a indústria do entretenimento não é nova. Cada lançamento relevante nessa área tem sido acompanhado de controvérsias similares. No caso do GPT-4o, da OpenAI, o fenômeno foram os filtros em estilo Ghibli, que, por sua vez, também geraram debate sobre o uso de estilos artísticos protegidos. Indústria do entretenimento na defensiva O caso Seedance 2.0 ganhou uma dimensão mais concreta quando o roteirista Rhett Reese, conhecido por seu trabalho em Deadpool, se pronunciou publicamente. Em declaração ao New York Times, ele afirmou que a situação é "aterrorizante" para quem dedicou a carreira à indústria criativa, e que esse tipo de tecnologia pode custar empregos em larga escala. Modelos que geram vídeos de alta qualidade com rostos, vozes e movimentos de atores reais, sem qualquer autorização ou remuneração, colocam em xeque tanto direitos de imagem quanto modelos de negócio consolidados em Hollywood e em outras indústrias criativas. Atualmente, o Seedance 2.0 está disponível apenas para usuários com número de telefone com código +86, ou seja, usuários na China, e conta em plataformas locais da ByteDance. O lançamento global estava previsto para antes de meados de março de 2026, sem data confirmada, conforme publicou uma conta associada à empresa de computação em nuvem Atlas Cloud no Reddit. A equipe da ByteDance ainda estaria trabalhando em mecanismos de restrição de conteúdo e adequação às regras de direitos autorais, o que tornava o prazo indefinido. O Gizmodo entrou em contato com a ByteDance para obter posicionamento oficial, mas não recebeu resposta até o fechamento da reportagem. Mais Lidas
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