Itália, Japão, Chile: oito países que pagam para você se mudar; veja quanto é possível ganhar
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March 16, 2026
Com o trabalho remoto consolidado como realidade permanente para milhões de profissionais, uma competição inusitada ganhou força ao redor do mundo: municípios, regiões e países estão pagando — literalmente — para quem topar se mudar. Reportagem da Forbes mapeou oito destinos que, em 2026, mantêm programas de incentivos financeiros ativos para atrair novos residentes. O pano de fundo é demográfico. Comunidades rurais e insulares em envelhecimento enfrentam esvaziamento populacional, enquanto as grandes cidades continuam concentrando população e renda. Ao mesmo tempo, a expansão do trabalho remoto criou uma nova categoria de profissional sem amarras geográficas. Segundo a consultoria MBO Partners, cerca de 18,5 milhões de americanos se identificavam como nômades digitais em 2025, um crescimento de mais de 150% desde 2019. Uma pesquisa do Gallup, de setembro do mesmo ano, indicou que aproximadamente um em cada quatro funcionários nos Estados Unidos trabalha remotamente ao menos parte do tempo. A combinação de lugares que precisam de mão de obra e pessoas que podem escolher onde morar criou uma janela de oportunidade que vários países decidiram explorar. Irlanda: reformar para ficar Propriedade na Ilha Aran, Irlanda Getty Images O programa governamental "Our Living Islands" disponibiliza até 84 mil euros (R$ 500 mil) para quem reformar imóveis desocupados ou deteriorados em ilhas costeiras remotas. O foco é na recuperação de edificações, não na simples mudança, mas o objetivo é o mesmo: reverter a queda populacional em comunidades que há décadas perdem habitantes. Suíça: subsídio com prazo de validade Albinen, Suiça Onepau / Wikimedia Commons / Creative Commons Na vila alpina de Albinen, a oferta é de 25 mil francos suíços (R$ 160 mil) por adulto e 10 mil francos por criança para famílias dispostas a se instalar permanentemente. Há condições: é preciso comprar um imóvel no valor mínimo de 200 mil francos e se comprometer a residir por pelo menos dez anos, caso contrário, o subsídio deve ser devolvido. Itália: dinheiro para abrir negócio e casas por quase nada Região da Sicília, no sul da Itália, abriga várias cidades que lançam projetos de venda de casas a 1 euro Getty Images O país tem dois atrativos distintos. O primeiro são os programas de pequenas cidades do sul, especialmente na Calábria, onde municípios com menos de 2 mil habitantes chegam a oferecer até 30 mil euros (R$ 180 mil) para quem se mudar e abrir um negócio local, geralmente em parcelas ao longo de anos, com restrição de idade (normalmente até 40 anos). O segundo são os famosos imóveis por 1 euro, casas abandonadas vendidas a preço simbólico mediante compromisso de reforma e depósito de garantia. Grécia: bolsa mensal para quem escolher uma ilha esquecida Antikythera, Grécia Jimmyoneill na English Wikipedia Na ilha de Antikythera, famílias que se mudarem recebem moradia, terra e uma bolsa mensal de cerca de 500 euros (R$ 3 mil) por alguns anos, numa tentativa de sustentar comunidades insulares que correm risco de desaparecer por falta de moradores. Espanha: cada município tem sua própria oferta Ponga, em Astúrias, na Espanha Sitomon/Wikimedia Em regiões como Astúrias e Galícia, governos locais e iniciativas privadas oferecem subsídios habitacionais e auxílios financeiros para atrair moradores em áreas rurais com declínio populacional. Os valores e condições variam por município, mas o diagnóstico é o mesmo em todo o país: o interior está se esvaziando. Japão: incentivo para quem trocar Tóquio pelo interior Casas rurais cercadas por campos de arroz em Akita, Japão Noriko Hayashi/Bloomberg via Getty Images O país enfrenta um dos desequilíbrios demográficos mais severos entre as economias desenvolvidas. Para tentar redirecionar parte do fluxo migratório interno, o governo ampliou um programa de revitalização regional que pode conceder até 1 milhão de ienes (R$ 33 mil) por filho para famílias que saiam de Tóquio e se instalem em municípios designados. Alguns deles também oferecem subsídios habitacionais ou apoio a empreendedores. Croácia: meio imóvel de graça e visto para nômade Legrad, na Croácia Getrty Images Algumas cidades croatas oferecem auxílio para cobrir até metade do custo de aquisição de imóveis. O país também criou um visto para trabalhadores remotos, que permite residência legal por até um ano, algo que, junto ao custo de vida relativamente baixo, tem atraído profissionais internacionais em busca de base europeia sem os preços da Europa Ocidental. Chile: até R$ 420 mil para fundar uma startup Santiago, capital do Chile Getty Images O país aposta em empreendedores. O programa Start-Up Chile, apoiado pelo governo chileno, oferece financiamento sem participação acionária (ou seja, sem ceder parte da empresa), além de mentoria e suporte para fundadores. Historicamente, os pacotes variam de 15 mil a 80 mil dólares, dependendo do estágio e da modalidade do programa. Os incentivos têm condições — e limitações Atraentes no papel, esses programas raramente funcionam como um cheque em branco. A maioria exige contrapartidas concretas: compra de imóvel, abertura de negócio, permanência mínima por anos ou faixas etárias específicas. Muitos pagamentos são distribuídos em parcelas ao longo do tempo justamente para garantir que o novo morador não desapareça após receber o primeiro repasse. O quadro mais amplo, porém, é o que importa. Comunidades menores ao redor do mundo perceberam que podem competir por moradores da mesma forma que cidades competem por empresas, e o trabalho remoto tornou essa disputa viável pela primeira vez. Para o profissional sem vínculo geográfico fixo, esses programas se tornam mais um fator na equação de onde construir a vida, ao lado de infraestrutura, comunidade internacional e qualidade de serviços públicos. Mais Lidas
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