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Brinquedos com IA para crianças atrapalham o desenvolvimento da imaginação infantil e precisam de regulação, diz estudo

Home | Época Negócios [Unofficial] March 13, 2026
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Pesquisadores da Universidade de Cambridge concluíram que brinquedos equipados com inteligência artificial voltados a crianças de até cinco anos apresentam limitações sérias: não reconhecem adequadamente emoções, têm dificuldade com jogos de faz de conta e, em alguns momentos, respondem de forma inadequada a situações emocionais. O estudo sugere que há necessidade de regulamentação mais rigorosa para esse segmento crescente do mercado de brinquedos, segundo uma reportagem do The Guardian. O principal produto testado foi o Gabbo, um brinquedo macio com tela no rosto fabricado pela empresa americana Curio, vendido por cerca de 80 libras esterlinas (R$ 550). O brinquedo foi avaliado com 14 crianças entre 3 e 5 anos em situações de interação espontânea. Os pesquisadores também ouviram educadores da primeira infância sobre os possíveis impactos desse tipo de produto. Quando a IA não entende o que a criança quer dizer Uma das cenas documentadas pelos pesquisadores ilustra bem o problema. Uma criança de três anos, chamada Josh, repetiu várias vezes a pergunta "você está triste?" ao brinquedo, que respondeu estar "ótimo" e pediu para mudar de assunto, sem qualquer reconhecimento do estado emocional da criança. Em outro momento, uma menina de cinco anos disse a Gabbo que tinha um presente para ele. O brinquedo respondeu que não conseguia ver o presente porque não tinha olhos, sem compreender que a criança estava iniciando uma brincadeira de faz de conta. A pesquisadora Dra. Emily Goodacre, psicóloga do desenvolvimento na Faculdade de Educação de Cambridge, afirmou que adultos reconheceriam sem dificuldade esse tipo de situação como jogo simbólico, algo que o brinquedo inteligente simplesmente não conseguiu captar. Risco para o desenvolvimento da imaginação Além das falhas na leitura emocional, o estudo traz uma preocupação mais ampla: o impacto de longo prazo no desenvolvimento cognitivo infantil. Educadores e pais ouvidos pela pesquisa manifestaram receio de que o uso intensivo desses brinquedos possa reduzir a necessidade e, com o tempo, a capacidade de imaginar. Se a tecnologia entrega respostas imediatas e conteúdo pronto, a criança pode perder o estímulo de construir cenários e narrativas por conta própria. Goodacre afirmou, segundo o The Guardian, que esperava que os brinquedos com IA pudessem estimular a imaginação das crianças, mas que os dados observados apontam na direção contrária. Outro ponto levantado pelos participantes foi a questão da privacidade: brinquedos que "escutam" e respondem geram dúvidas sobre para onde vão os dados das conversas, principalmente quando as crianças começam a compartilhar informações pessoais com o brinquedo como se ele fosse um amigo. Com base nos resultados, os pesquisadores fazem dois pedidos principais: a criação de regras mais rígidas para que esses produtos não reforcem vínculos afetivos com as crianças de forma inadequada e o estabelecimento de selos de segurança específicos para brinquedos com IA voltados à primeira infância. A professora Jenny Gibson, coautora do estudo, destacou que grupos de foco revelaram desconfiança generalizada em relação às empresas de tecnologia por parte dos consumidores. Para ela, padrões regulatórios claros e aplicáveis seriam um caminho para melhorar essa confiança. A Curio, fabricante do Gabbo, afirmou que a segurança da criança orienta todo o desenvolvimento de seus produtos e que a empresa recebe bem pesquisas independentes como essa. A companhia reconheceu que falhas de compreensão em jogos imaginativos são áreas em aprimoramento contínuo e sinalizou que o estudo das interações infantis com seus produtos é uma prioridade para este e os próximos anos. O Gabbo não é o único brinquedo com IA voltado ao público infantil. Também estão no mercado o Luka (apresentado como um "amigo com IA para a geração Alpha") e o Grem, que tem a voz da cantora Grimes. Mais Lidas

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