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"publishedAt": "2026-03-13T09:00:59.000Z",
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"textContent": "\nOs maiores desafios na implementação da inteligência artificial nas empresas não estão em questões técnicas, e sim organizacionais, gerenciais e de pessoas. Essa foi a tese defendida pelos pesquisadores Kai Riemer e Sandra Peter, da Universidade de Sidney, em palestra no SXSW 2026. Durante sua apresentação, Riemer e Peter apresentaram o conceito de \"tensões estruturais\". Segundo eles, o novo cenário exigirá que líderes e trabalhadores andem em uma espécie de \"corda bamba organizacional\", equilibrando interesses, expectativas e processos que muitas vezes caminham em direções opostas. A partir de entrevistas com executivos e especialistas de diferentes setores, os pesquisadores identificaram três grandes tensões que devem definir o futuro do trabalho. 1. Política corporativa vs. expectativas dos profissionais A primeira tensão é resultado do difícil relacionamento entre trabalhadores de diferentes idades atuando no mercado de trabalho. “Hoje muitas empresas têm cinco gerações trabalhando juntas”, disse Riemer durante a palestra. \"Cada uma delas tem ideias distintas sobre carreira, liderança, horários e estilo de trabalho. Essa diversidade gera pressões internas, que se agravam com a presença da IA.\" Essas diferentes gerações costumam ter opiniões diversas sobre a presença física na organização, que nem sempre coincidem com o que os líderes pensam. Isso gera uma pressão elevada sobre os gestores, além de situações como o “coffee badging”, quando funcionários passam rapidamente pelo escritório apenas para registrar presença e depois voltam para casa. Nesse cenário, a adaptação ao trabalho com sistemas e agentes de IA surge como mais um complicador, acirrando disputas e aumetando incertezas entre os profissionais. 2. Eficiência da IA vs. desenvolvimento de expertise A segunda tensão surge diretamente da inteligência artificial. Ferramentas de IA prometem fazer mais com menos. E, segundo os pesquisadores, há evidências de ganhos reais de produtividade. Além disso, praticamente todos os usuários relatam economia de tempo ao utilizar a tecnologia. Mas o ganho de eficiência traz uma preocupação. Se a IA assume tarefas iniciais, como pesquisa, síntese de informação ou produção de rascunhos, profissionais em início de carreira não serão mais contratados. “Estamos ouvindo executivos dizerem que pretendem contratar apenas pessoas com quatro anos de experiência”, disse Riemer. O problema é óbvio: se ninguém mais contrata iniciantes, como eles irão adquirir experiência? “O desafio das organizações será capturar os ganhos de eficiência da IA sem destruir o processo de aprendizado de novos profissionais”, afirmou Riemer. Os pesquisadores também mencionaram um fenômeno que começa a aparecer dentro das empresas. Ferramentas de IA frequentemente geram textos longos e convincentes, mas com conteúdo impreciso ou até mesmo falso, hoje chamado de “workslop”. Segundo dados citados no painel, 40% dos trabalhadores já tiveram contato com esse tipo de material gerado por IA no ambiente de trabalho. Se não houve profissionais experientes supervisionando as atividades, isso pode gerar perdas de reputação para a empresa. 3. Abundância de informação vs. atenção A última tensão é mais individual. “Nunca houve tanto acesso à informação. Mas nunca foi tão difícil prestar atenção”, disse Riemer. Hoje, profissionais consomem conteúdo em múltiplos canais: redes sociais, newsletters, podcasts e plataformas digitais. Pelo menos metade deles já consome notícias diretamente pelas redes sociais. Em um ambiente saturado de informação, líderes e profissionais precisam desenvolver a capacidade de decidir o que merece atenção e o que deve ser ignorado. Isso exige contexto, experiência e reflexão, algo que depende muito mais de pessoas do que de tecnologia. Segundo os pesquisadores, as organizações que conseguirem desenvolver profissionais com esse tipo de discernimento terão vantagem. “Decidir o que realmente importa continua sendo uma tarefa um tanto quanto humana”, diz Riemer. Mais Lidas",
"title": "As tensões que vão moldar o trabalho na era da inteligência artificial"
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