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Como cada país do Golfo Pérsico está se defendendo contra ataques iranianos

Home | Época Negócios [Unofficial] March 11, 2026
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Desde a ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, que resultou na morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei, as forças militares do país têm retaliado por meio de bombardeios contra cidades israelenses e bases americanas em nações vizinhas. A resposta do Irã fez com que Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar e outros países da região ativassem seus sistemas de defesa antiaérea, e as interceptações têm sido testemunhadas pela população local. De acordo com o Wired, vídeos das ações de defesa chegaram a se espalhar pelas redes sociais, mas as autoridades dos países atacados pediram que a população parasse de filmar e compartilhar o material. De acordo com as solicitações, as imagens poderiam revelar informações sensíveis sobre suas operações militares. Relatos dos países atacados apontam que já detectaram e interceptaram mísseis disparados contra o espaço aéreo, as instalações militares e a infraestrutura das bases americanas nos países que as abrigam. Veja, a seguir, como cada um têm reagido aos ataques. País por país Presença americana no Golfo Pérsico cerca o Irã, que busca retaliar os bombareios dos EUA e de Israel Wikimedia Commons Os Emirados Árabes Unidos operam um dos sistemas mais robustos da região. Na camada mais alta de altitude, o THAAD (Terminal High Altitude Area Defense) intercepta mísseis balísticos no estágio final da trajetória por impacto direto, sem ogiva explosiva. Mais próximo ao solo, baterias antimísseis Patriot cobrem altitudes menores. Os equipamentos são compostos por um radar de rastreamento, uma central de controle de engajamento, geradores de energia e quatro a oito lançadores com mísseis interceptadores. Desde 28 de fevereiro, 196 mísseis balísticos foram detectados em direção as Emirados Árabes Unidos. 181 deles foram destruídos, 13 caíram no mar e dois atingiram o território do país. Até o momento, são contabilizados três mortos e 78 feridos pelos ataques, a maioria por destroços. Também houve ataques iranianos contra servidores da AWS (Amazon Web Services), tanto nos Emirados Árabes quanto no Bahrein. A Arábia Saudita, com um dos maiores territórios do Golfo, enfrenta o desafio adicional da extensão geográfica: cidades, instalações militares e infraestrutura de energia estão dispersas por um grande territóri. O reino opera o sistema Patriot e o interceptor PAC-3 MSE — versão mais avançada dos mísseis usados no Patriot, com um motor de dois estágios que amplia o alcance e a manobrabilidade. Drones e mísseis foram interceptados em diferentes regiões, incluindo ameaças à refinaria de petróleo de Ras Tanura, uma das maiores do mundo. Em ao menos um ataque posterior, um projétil não identificado atingiu o complexo, apesar da defesa ativa. O Catar abriga a maior base militar americana do Oriente Médio, Al Udeid, e sua postura defensiva está integrada a essa presença. Radares instalados na base contribuem com cobertura de alerta precoce para toda a região. Dos 101 mísseis balísticos lançados contra o país, 98 foram interceptados, além de três mísseis de cruzeiro e 24 dos 39 drones disparados contra as bases no território catari. O Kuwait e o Bahrein também ativaram seus sistemas Patriot. O Bahrein, que sedia o Quinto Esquadrão da Marinha americana, relatou a interceptação de 75 mísseis e 123 drones, mas não saiu ileso: um drone atingiu um edifício na capital Manama, causando ao menos uma morte. A pequena extensão territorial da ilha deixa pouca margem entre a ameaça e as áreas habitadas. Omã apresenta um perfil diferente: não opera o Patriot e recorre a sistemas de alcance mais curto, como o norueguês NASAMS — mais flexível, por ser compatível com diferentes modelos de mísseis, e mais resiliente por operar de forma distribuída, com componentes separados. O porto comercial de Duqm foi atingido por múltiplos drones, e um petroleiro próximo ao Estreito de Ormuz também foi alvo, o que demonstra a forma como o conflito tem se estendido às rotas marítimas vitais para o fornecimento global de petróleo. A Jordânia, por sua posição geográfica entre o Irã e Israel, viu mísseis cruzarem seu espaço aéreo mesmo sem ser o alvo principal. Até o momento, o exército jordaniano relatou a interceptação de 13 mísseis balísticos e 49 drones, com danos materiais mas sem mortes registradas. Tecnologia cara contra ameaças baratas Para Andreas Krieg, professor associado no Departamento de Estudos de Defesa do King's College London, o desempenho dos sistemas do Golfo pode ser descrito como "taticamente capaz, mas estrategicamente pressionado". A questão central não é se os países conseguem interceptar mísseis, mas por quanto tempo conseguem sustentar esse ritmo. Cada interceptador pode custar milhões de dólares. Muitos dos drones usados nos ataques custam uma fração disso. Em conflitos prolongados, a profundidade do arsenal, a velocidade de reabastecimento e a matemática do custo se tornam variáveis tão decisivas quanto a precisão tecnológica. "Quem ataca não precisa de sucesso total", diz Krieg. "Precisa de algumas penetrações, mais o medo e a disrupção, para criar um efeito estratégico." *Com supervisão de Marisa Adán Gil Mais Lidas

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