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  "textContent": "\nGif mostra gato enfrentando urso, em vídeo feito por IA Reprodução/MelcomMexx Recentemente, o Zoológico do Condado de Sedgwick, no Kansas, publicou um alerta que também foi um sinal claro: a chegada da IA ​​pode alterar para sempre nossa relação com a natureza. A publicação do zoológico mostrava imagens de um vídeo do TikTok em que uma lontra escalava a cerca de espaço no zoológico e pulava nos braços de um menino, que a segurava carinhosamente. \"Ela é tão escorregadia\", exclama o menino no vídeo; seu pai declara que é \"a coisa mais legal\" que ele á viu. Parece cena de livro infantil ou desenho animado. E é, na verdade, uma obra de ficção — trata-se de um vídeo gerado por inteligência artificial, e a lontra é fruto da imaginação da máquina, relata a escritora Sophie Haigney em coluna para o The New York Times. Initial plugin text O zoológico alertou que vídeos como esse podem levar a \"expectativas distorcidas\" sobre o comportamento animal. \"Quando você vê animais selvagens agindo como animais de estimação ou com comportamentos semelhantes ao dos seres humanos, fica mais fácil esquecer que eles têm necessidades complexas que não podem ser atendidas no quintal de alguém.\" Se as pessoas virem cada vez mais desses cenários imaginários, adverte o zoológico, ficarão decepcionadas quando as lontras não pularem em seus braços — ou quando descobrirem que não são avatares que encenam cenas da nossa imaginação, e sim apenas lontras. Os vídeos falsos com bichos estão por toda parte, lembra a colunista: em um deles, um urso caminha ameaçadoramente em direção a um menino desavisado, mas um heróico gato preto e branco o enfrenta, e ele sai correndo. Em outro, um coiote e um gato brincam. Em um vídeo que enganou boa parte da internet, coelhos pulam em uma cama elástica à noite. Initial plugin text Muitos desses vídeos se apresentam como sendo feitos por câmeras de vigilância, o que contribui para a aura de autenticidade. É preciso procurar por falsidades específicas para diferenciá-los de vídeos reais: membros fantasmas, movimentos bruscos ou excessivamente suaves, algo que desaparece repentinamente do quadro - ou a própria impossibilidade da cena. Comparados com outros conteúdos de IA mais manipuladores, os vídeos falsos de animais parecem relativamente inofensivos, considera o artigo do NYT. Para que servem, afinal? Imaginar a vida interior dos animais, enquanto interagem conosco ou entre si, é um desejo humano antigo; queremos ver o gato derrotar o urso e os coelhos se divertirem enquanto dormimos. Sophie conta que recentemente sentou-se ao lado de um senhor assistindo a um vídeo obviamente falso de um urso polar amigável acariciando um humano — ele sabia que era falso? Ele se importava? Mais tarde, pediu a um chatbot de IA que explicasse. Por que as pessoas gostam tanto desses vídeos? A resposta foi deuma franqueza assustadora: \"Às vezes, as pessoas querem ver um cenário bom demais para ser verdade\". Initial plugin text O problema, nesse caso, é que a verdade já era boa. Os animais reais são milagrosos, uma grande maravilha do mundo — e seus feitos povoam os vídeos na internet desde seus primórdios. Animais fazendo coisas inesperadas e maravilhosas diante das câmeras já se transformaram em conteúsod virais: uma coruja lutando contra uma cobra; uma foca batendo em um caiaquista com um polvo; e, em um dos exemplos mais clássicos, um cachorro andando de skate. Esses animais faziam coisas que desafiavam a imaginação, talvez até coisas que pareciam um pouco humanas. Mas nos contentávamos em ver essas semelhanças se desenrolarem na realidade. Agora, com vídeos gerados por IA, estamos decidindo o que conta como milagroso, como corujas de IA que lutam contra cobras com bravura de conto de fadas. Será que nos tornamos insensíveis à maravilha dos animais reais, perguna Shophie. O zoológico do Kansas estava certo ao afirmar que nosso apetite por conteúdo de IA distorceu nossa percepção da realidade. Recentemente, vídeos de um macaco japonês de 7 meses chamado Punch, do Zoológico da Cidade de Ichikawa, no Japão, começaram a circular amplamente. Punch tinha um enredo natural: depois de ser abandonado pela mãe logo após o nascimento e criado por tratadores, ele começou a se agarrar a um orangotango de pelúcia em busca de conforto. Ele teve dificuldades para se reintegrar com outros macacos no zoológico, e espectadores do mundo todo assistiram, fascinados, enquanto ele era intimidado por membros de seu grupo e se refugiava em seu brinquedo, para depois vibrar quando outro macaco lhe dava um abraço tão esperado. Como de costume, projetamos nele nossos medos e sentimentos humanos sobre bullying e pertencimento, analisa a colunista. Mas algumas pessoas online, depois de verem tantos vídeos gerados por IA, estavam céticas de que um animal com tanto sofrimento pudesse ser real. Então, o feed foi inundado com vídeos de Punch que eram de IA, alguns mostrando como ele se vingava dramaticamente de seus agressores. Quando a natureza se comporta de maneiras que não refletem nossos desejos — quando é cruel ou impiedosa — a IA pode nos ajudar a escapar da realidade, a trazê-la de volta para o nosso controle, conclui.",
  "title": "Como os vídeos feitos com IA estão mudando nossa relação com os animais"
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