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"textContent": "\nA edição de 2026 do SXSW, que será realizada entre os dias 12 e 18 de março em Austin, acontece em meio a uma transformação estrutural do festival. Mas, para executivos e fundadores brasileiros que embarcam para o Texas, a principal mudança parece estar no conteúdo. Se, nos últimos anos, o evento foi palco para lançamentos de tendências como NFTs, metaverso e a explosão inicial da IA generativa, agora a expectativa dominante é outra: menos promessa e mais execução. Época NEGÓCIOS conversou com lideranças brasileiras que estarão presentes no evento. Segundo eles, três eixos aparecem como destaque. O primeiro é a busca por aplicações concretas de inteligência artificial, especialmente no contexto de agentes autônomos e integração com processos corporativos. O segundo é a convergência entre tecnologia e dimensão humana, seja sob a ótica da ética, da cognição, da cultura organizacional ou da saúde. E o terceiro é o papel estratégico do Brasil no evento, que é visto cada vez mais como uma vitrine global e um espaço de articulação internacional. IA, IA, IA… Para Leandro Herrera, fundador e CEO da Tera, 2026 deve marcar uma virada clara. “Este é o ano dos agentes de IA”, afirma. “Passamos a fase dos chatbots, a maioria das pessoas já entende o básico do funcionamento de IA generativa e agora o desafio das organizações é entender como integrar agentes de IA e humanos nos processos.” Para ele, o foco deixa de ser a tecnologia em si e passa a ser sua aplicação no futuro do trabalho e das empresas. “Estou curioso para entender se o festival trará novas perspectivas sobre esse tema e suas implicações.” A mesma expectativa aparece na fala de Daniel Murta, cofundador e CTO do Looqbox. Ele lembra que o SXSW já atravessou ciclos de entusiasmo com NFTs e metaverso, “mostrando aquilo como se fosse uma revolução global”. Mas pondera: “Na prática, a gente não viu isso acontecendo.” Agora, segundo ele, a pergunta é outra: “Se existe um movimento global tão grande em torno da IA, o que realmente funciona? Quais são aqueles 4% ou 5% de projetos com inteligência artificial que movem o mercado para algo palpável, para uma entrega de valor?”, diz. SXSW 2026 acontecerá de forma mais distribuída, em edição histórica sem seu tradicional centro de convenções Getty Images No Cubo Itaú, a leitura é de amadurecimento estrutural. Filipe Guimarães, head de Corporates, destaca que a consolidação do antigo “Interactive” como SXSW Innovation reflete uma expansão da tecnologia para além do digital, interligando IA, saúde, clima, marketing, startups e economia criativa. “A descentralização do evento é um dos pontos mais singulares desta edição”, afirma. “O SXSW vai transformar o centro de Austin em uma verdadeira ‘vila criativa’, distribuindo as dinâmicas em diferentes espaços da cidade.” Para ele, o novo formato reforça uma convicção do Cubo: “Inovação não acontece isoladamente, mas sim nos encontros, nas trocas e nos cruzamentos de perspectivas.” Fernando Wolff, cofundador da Tech for Humans, observa uma mudança ainda mais profunda: “A IA deixa de ser apenas uma ferramenta criativa e passa a ser vista como uma camada operacional que executa processos, transaciona valor e atua como força de trabalho digital.” A expectativa é encontrar discussões sobre governança, infraestrutura, monetização e impacto real nos negócios. Vinicius Schroeder, CEO da Brick, resume o momento como uma transição cultural: “Estamos entrando em uma fase em que a pergunta não é mais ‘O que a IA consegue fazer?’, mas ‘Como as empresas redesenham seus processos, times e modelos mentais para operar com IA no centro?’.” Marcella Mosquini, diretora de marketing da Estapar, espera ver uma evolução nas discussões sobre IA aplicada aos negócios, experiência do cliente e cidades inteligentes. “Operamos em ambientes urbanos complexos e precisamos buscar formas de aumentar a eficiência”, diz. South by Southwest, o SXSW, é o palco ideal para discutir impacto da inteligência artificial na educação Getty Images Na saúde, Gustavo Meirelles, VP Médico da Afya, afirma que o festival tem deixado de ser “um espaço apenas de tendências” para mostrar o impacto real das inovações. Ele espera ver “mais casos concretos de transformação digital, incluindo a aplicação da inteligência artificial e a integração entre humano e tecnologia, juntando o melhor dos dois mundos”. Humano no centro Se a aplicação prática da IA é consenso, outro tema atravessa as falas é a centralidade do ser humano. Vanessa Mathias, da White Rabbit, vê o SXSW em “um momento muito claro de transição”. Segundo ela, o evento “ficou mais corporativo” e “nunca teve tantas grandes marcas no palco e organizando side events”. A atmosfera, diz, “fica menos caótica, menos imprevisível, menos contracultural como já foi”. Mas ela enxerga nisso uma mudança estratégica. “Durante anos eu ouvi a pergunta: ‘Mas isso serve pra quê? Como isso conecta com negócios?’ Essa ponte hoje está muito mais explícita.” Sua agenda reflete outra preocupação: soberania cognitiva. “Estou especialmente interessada nas conversas que cruzam tecnologia, cognição e ética”, afirma. Ela destaca o painel de Tristan Harris, co-fundador do Center for Humane Technology, e as sessões que discutem como decisões humanas e sistemas tecnológicos estão cada vez mais entrelaçados. Imagem mostra como será entrada da nova SP House Divulgação Vanessa também levanta uma reflexão geopolítica. “Talvez já tenha passado o tempo de olharmos para os Estados Unidos como única referência de futuro.” Segundo ela, o pensamento relevante hoje está distribuído entre Ásia, África, América Latina e Europa. “Inovação não é só tecnologia, é contexto. E o contexto muda tudo.” “Esperamos ver debates que cruzem tecnologia com propósito humano e cultura”, afirma Filipe Guimarães. Temas como IA centrada no humano e modelos de colaboração entre grandes empresas e startups são, segundo ele, especialmente relevantes. Gustavo Meirelles, da Afya, reforça que, na saúde, o foco precisa ser humanista. A IA deve liberar o médico para interagir mais com os pacientes e apoiar a transição de uma medicina curativa para uma medicina preventiva, além de abordar saúde mental e longevidade. Um SXSW mais orgânico A descentralização do festival também é vista como mudança cultural. Felipe Lemos, cofundador e CXO da Alternativa F, avalia que, com o Austin Convention Center fechado, o evento passa a ocupar ainda mais a cidade. “Austin deixa de ser apenas cenário e se torna parte ativa da experiência.” Amy Webb, CEO do Future Today Strategy Group, uma das principais atrações do evento Getty Images Para ele, essa descentralização torna o evento “mais fluido e orgânico, baseado menos em agendas rígidas e mais em encontros e descobertas”. É um formato que, segundo Lemos, dialoga com o futuro dos eventos e com a forma como as pessoas querem se conectar hoje. Ele também destaca a força da IA nesta edição. “Entramos em um momento em que a discussão não é mais sobre o que a IA pode fazer, mas sobre como vamos conviver com ela.” Brasil como protagonista Outro consenso é sobre o papel estratégico do Brasil no evento. Vanessa Mathias afirma que a grande oportunidade está na articulação coletiva. “A maior oportunidade é chegar ao SXSW como participantes ativos, não como ouvintes passivos.” Ela destaca a força da comunidade brasileira, que há dez anos se organiza em torno do evento e realiza meetups de economia criativa. Filipe Guimarães vê o SXSW como “palco importante para o ecossistema brasileiro”, reunindo olhares internacionais e locais para falar sobre tendências como IA, cultura dos criadores e economia digital. Para o Cubo, isso significa visibilidade global para startups, contato com empresas internacionais e possibilidade de posicionar soluções brasileiras como relevantes para desafios globais. Imagem mostra estrutura completa da nova SP House Divulgação Marcella Mosquini destaca que, em Austin, “todos os participantes são iguais e estão mais abertos a conversas e trocas”. Muitas conexões, segundo ela, acontecem ali de forma natural. Fernando Wolff amplia a visão para infraestrutura. O evento, diz, é uma oportunidade de posicionamento internacional e também de atração de investimentos para infraestrutura tecnológica no Brasil, como data centers, fundamentais para sustentar a demanda crescente por capacidade computacional. Mais Lidas",
"title": "IA na prática, tecnologia centrada no humano e protagonismo global: o que brasileiros esperam do SXSW 2026"
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