Bilionários do petróleo ficam ainda mais ricos com conflitos na Venezuela e no Irã
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March 4, 2026
Petroleiro ancorado no lago Maracaibo em abril de 2025, depois de entregar uma carga de petróleo cru na Refinaria de Bajo Grande Jose Bula Urrutia/UCG/Universal Images Group via Getty Images A desestabilização política e militar no Oriente Médio e da América Latina está gerando um dos ciclos mais rentáveis para o setor de transportes marítimos especializados em petróleo. Segundo a Forbes, a fortuna coletiva dos 13 maiores proprietários de petroleiros cresceu mais de 50% no último ano, atingindo US$ 130 bilhões, e segue em rota de crescimento, impulsionada pelos últimos eventos geopolíticos, que reconfiguram cadeias globais de suprimento de energia. Quanto maior a instabilidade nas rotas, maiores as margens de lucro das empresas de navegação que operam dentro do marco regulatório ocidental. Isso ocorre porque crises reduzem a oferta de transporte disponível, elevam os valores de frete e valorizam os ativos (os próprios navios) dessas companhias. Demanda inesperada Em janeiro, o sequestro do presidente Nicolás Maduro pela administração Trump reabriu as exportações de petróleo venezuelano. O impacto foi imediato: navios de bandeira ocidental, que haviam sido afastados do país por sanções, voltaram a operar. Uma empresa de navegação conseguiu que o Mediterranean Voyager, um de seus navios, fosse o primeiro a carregar óleo da Venezuela logo no primeiro dia. As taxas de frete subiram dramaticamente. Segundo a Forbes, as tarifas para contratar um petroleiro na Venezuela saltaram de US$ 70 mil por dia, antes de Maduro cair, para US$$ 110 mil, no final de janeiro. Após os ataques aéreos ao Irã, essas mesmas tarifas chegaram a US$ 160 mil por dia, para certos tipos de embarcação. Os ataques coordenados entre EUA e Israel ao Irã intensificaram ainda mais a escassez de transporte. A guerra afeta dois pontos críticos da logística mundial: o Mar Vermelho, onde milícias apoiadas por Teerã atacam navios ocidentais, e o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da oferta diária de petróleo global. A criação desses pontos de fricção força navios a rotas alternativas mais longas, consumindo mais espaço de transporte e multiplicando a demanda. A crise das frotas fantasma Um segundo fator alimenta essa bonança: a campanha americana contra a "frota cinzenta", um conjunto com mais de mil petroleiros antigos registrados em jurisdições obscuras que operavam sem seguro e transportavam óleo iraniano, venezuelano e russo, contornando sanções. Desde dezembro passado, segundo a Forbes, o governo americano apreendeu dez navios dessa frota e sancionou aproximadamente 300 outros. Essa ofensiva criou um vácuo: a China, maior importadora de petróleo venezuelano, costumava pagar taxas elevadas para usar navios da frota cinzenta. Agora, precisa recorrer a empresas legítimas de transporte, abrindo um mercado que não existia antes. Essa mudança tem peso político e econômico. A China continuará importando petróleo com urgência, mas, sem acesso às embarcações não reguladas que antes dominavam essa rota, terá de pagar prêmios mais altos aos operadores legalizados. Boom de ações e revalorização de ativos As cotações de empresas de navegação dispararam. Ações da Tsakos Energy Navigation subiram 69% desde o início do ano, com um salto adicional de mais de 4% no primeiro dia de negociações após os ataques iranianos. A Frontline, quinta maior empresa de petroleiros do mundo, teve desempenho ainda melhor: alta de 93% nos últimos 60 dias. Além das ações, o valor dos navios também subiu. A demanda por VLCCs (Very Large Crude Carriers), embarcações gigantes usadas em longas distâncias, começou a crescer aceleradamente em dezembro, antes mesmo dos conflitos recentes. Companhias como a Sinokor adquiriram mais de US$ 2,5 bilhões em VLCCs em poucos meses, elevando os preços de unidades usadas a patamares não vistos em uma década. Navios com dez anos de idade foram negociados por mais de $100 milhões cada. E esse movimento não deve parar tão cedo. Mais Lidas
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