Natura investe em biometano para reduzir 1,3 mil toneladas de CO₂ ao ano em Cajamar
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March 2, 2026
Os resíduos orgânicos que produzimos no dia a dia podem ter um novo uso como combustível para mover caminhões e aquecer caldeiras industriais. É essa a lógica por trás da nova unidade de biometano inaugurada pela Natura em seu complexo de Cajamar, em parceria com a Ultragaz. Produzido a partir de resíduos coletados de aterros sanitários, o gás passa a responder por 45% da energia usada nos processos produtivos da fábrica e a abastecer integralmente a frota de 28 caminhões que atende a região metropolitana de São Paulo, conectando eficiência operacional à economia de baixo carbono. A autonomia dos veículos é de 500 km. Initial plugin text O projeto, iniciado em maio do ano passado, integra simultaneamente as operações industriais e a logística da gigante de cosméticos. O biometano utilizado tem origem no aterro sanitário de Caieiras (SP), que processa cerca de 3.000 toneladas de resíduos por dia. O combustível é produzido pela Ultragaz a partir da captura e purificação do biogás gerado pela decomposição de matéria orgânica, transformando resíduos em fonte de energia limpa. A eficiência energética já fazia parte da estratégia da Natura. Antes da parceria, os caminhões do complexo de Cajamar operavam com etanol. A adoção do biometano representa um avanço na meta da empresa de zerar as emissões líquidas até 2030, já que o combustível tem pegada de carbono cerca de 50% menor que a do etanol derivado da cana-de-açúcar. Com a iniciativa, a companhia estima reduzir até 1,3 mil toneladas de CO₂ por ano. Circularidade na indústria Estação de abastecimento da Ultragaz no complexo industrial da Natura em Cajamar, SP Divulgação “O biometano tem baixa emissão de carbono e opera dentro de um modelo de circularidade, uma vez que os resíduos dos aterros são transformados em um gás equivalente ao natural que é reinserido na indústria”, afirma Denise Leal, diretora de operações da Natura. Outra vantagem do biometano é a eficiência, tanto na frota quanto na operação industrial e logística. Na estação da Ultragaz instalada no complexo de Cajamar (semelhante a um posto de gasolina), o abastecimento leva cerca de 10 minutos. Em postos nas rodovias, o mesmo procedimento pode chegar a 50 minutos. Nas caldeiras industriais, o uso do gás elevou a eficiência em mais de 15%, segundo a empresa. “O projeto reduz as emissões de carbono, gera uma economia média de 15% — já que o gás tem poder calorífico superior ao do etanol — e ainda aumenta a produtividade com a maior eficiência da frota”, afirma a diretora. A poucos meses de completar um ano, a iniciativa pode ser expandida para outras regiões. A empresa avalia a construção de uma nova unidade de abastecimento no complexo industrial Ecoparque, em Benevides, no Pará. O principal desafio está na infraestrutura para abastecimento fora dos grandes centros. Desafios do projeto “Um veículo que sai de Cabreúva, em São Paulo, e segue para São Filipe, na Bahia, precisa parar no trajeto para abastecer. Não basta desenvolver tecnologia para fabricar veículos a gás; é necessário garantir a oferta de biometano em escala”, afirma a diretora. Para atender a essa demanda, Erik Trench, diretor de gases renováveis da Ultragaz, afirma que a companhia trabalha na ampliação do abastecimento de biometano em rodovias e centros de distribuição, como o da Natura, em Cajamar. O cenário envolve investimentos, parcerias e articulação com o poder público. Ainda assim, segundo ele, o fato de o biometano ser produzido de forma descentralizada favorece a expansão da oferta pelo país. “O biometano é o gás do Brasi. Existem os aterros que foram poucos utilizados, as indústrias sucroalcooleiras — uma vez que o Brasil é expoente em cana-de-açúcar — e o mercado de pecuária”, pontua o executivo. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Estado de São Paulo concentra metade das plantas de biometano autorizadas no país e é lider na produção do combustível renovável derivado de resíduos orgânicos. Além do Sudeste, a região Sul também se destaca em produção de bioenergia. Erik Trench, diretor de gases renováveis da Ultragaz Divulgação Banner da série Inovação de Resultado (Novo) Clayton Rodrigues Mais Lidas
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