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"textContent": "\nDocumentos recém-divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostram que Jeffrey Epstein, empresário condenado por tráfico sexual de menores, cultivou, ao longo de mais de vinte anos, uma rede de relacionamentos dentro da Microsoft que lhe garantiu acesso a informações confidenciais da companhia, incluindo discussões sobre a sucessão na presidência executiva. As informações são do The New York Times. Epstein foi preso em 2019 e morreu na prisão antes de ser julgado. Os arquivos liberados pelo governo americano revelam uma teia de contatos que vai de ex-executivos da empresa a membros do conselho de administração e colaboradores da fundação filantrópica de Bill Gates. A porta de entrada: uma jantar científico em Seattle O primeiro contato documentado de Epstein com o ambiente Microsoft aconteceu em 1996, quando Nathan Myhrvold, então diretor de tecnologia da empresa, organizou um jantar em homenagem ao físico Stephen Hawking em Seattle. Epstein compareceu ao evento acompanhado de uma executiva do setor de telecomunicações. A partir dali, Epstein manteve contato com Linda Stone, que mais tarde se tornaria vice-presidente da Microsoft com reporte direto ao então CEO Steve Ballmer. Em 2002, após deixar a empresa, Stone ajudou a organizar um simpósio sobre inteligência artificial nas Ilhas Virgens Americanas, financiado por Epstein. Stone disse ao New York Times que ele era \"charmoso e persistente\" na busca por apresentações a cientistas que pudesse patrocinar. Myhrvold tornou-se uma peça central nessa rede. Os dois mantiveram relação próxima por décadas. Foi ele quem recomendou a Gates que se encontrasse com Epstein pela primeira vez. Em dezembro de 2010, Gates escreveu a funcionários de seu escritório pessoal que \"Nathan havia concordado\" que seria proveitoso o encontro, segundo os documentos. Informações sigilosas e negociações de saída O caso mais grave descrito nos arquivos envolve Steven Sinofsky, responsável pela divisão Windows da Microsoft. Após o fracasso comercial do Windows 8, em 2012, Sinofsky buscou orientação de Epstein para negociar sua saída da empresa e chegou a compartilhar com ele documentos internos, incluindo um e-mail de executivos da companhia discutindo os fracos resultados de vendas do tablet Surface. A Microsoft reconheceu o episódio. Frank Shaw, diretor de comunicações da empresa, afirmou que a companhia ficou \"desapontada\" ao tomar conhecimento das trocas de e-mails entre Epstein e \"ex-funcionários da Microsoft agindo em capacidade pessoal.\" Shaw reconheceu, sem citar o nome, que um ex-executivo havia compartilhado informações confidenciais com Epstein. Sinofsky recebeu um pagamento de US$ 14 milhões da Microsoft em 2013 ao deixar a empresa. Ele não quis comentar o caso. Bill Gates e a Fundação Os documentos também detalham como Epstein usou contatos dentro da fundação filantrópica de Gates para monitorar as atividades do cofundador da Microsoft. Melanie Walker, uma mulher que Epstein havia apoiado financeiramente durante a faculdade de medicina, passou a trabalhar na fundação em 2006. Por meio dela, Epstein chegou a Boris Nikolic, consultor da fundação que se tornou um de seus confidentes. Nikolic afirmou, em e-mail, que lamenta ter se associado a Epstein, descrevendo-o como alguém que \"usou mentiras para perseguir sua própria agenda.\" Gates disse publicamente que buscou levantar recursos filantrópicos junto a Epstein e que não teve envolvimento com os comportamentos abusivos do financeiro. Ele classificou a relação como \"um enorme erro.\" Reid Hoffman e a chegada ao conselho da Microsoft Outra figura central nos documentos é Reid Hoffman, cofundador do LinkedIn. A conexão com Epstein foi feita por Stone, durante uma conferência TED em 2013, por meio de Joi Ito, então diretor do Media Lab do MIT. Hoffman e Ito visitaram a ilha particular de Epstein nas Ilhas Virgens Americanas em novembro de 2014, de acordo com registros de voos. Hoffman também utilizou um jato fretado por Epstein para viajar a Nova York, onde planejava participar de um café da manhã com Gates no apartamento do financeiro. Em 2016, quando a Microsoft adquiriu o LinkedIn por US$ 26,2 bilhões, Epstein ofereceu a Hoffman serviços de consultoria para minimizar sua carga tributária pessoal. No ano seguinte, Hoffman ingressou no conselho de administração da Microsoft — cargo que ainda ocupa. Em nota divulgada recentemente, Hoffman afirmou que deseja que o governo americano libere todos os arquivos relacionados a Epstein e responsabilize criminalmente os envolvidos em comportamentos ilegais. Ito renunciou ao MIT e a vários conselhos em 2019, incluindo o do grupo New York Times, reconhecendo que sua relação com Epstein foi \"um erro de julgamento.\" O que os documentos revelam, no conjunto, é uma estratégia metódica de Epstein para infiltrar ambientes de poder por meio de indicações encadeadas, cada contato levando ao seguinte. A Microsoft foi, segundo os arquivos, a empresa onde essa estratégia funcionou com mais profundidade. Mais Lidas",
"title": "Como Jeffrey Epstein construiu uma rede de influência dentro da Microsoft"
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