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'Madrinha da IA': conheça a cientista que pode revolucionar a inteligência artificial nos próximos anos

Home | Época Negócios [Unofficial] February 23, 2026
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Na última quarta-feira (18/2), a startup de inteligência artificial World Labs anunciou que levantou US$ 1 bilhão em investimentos para o desenvolvimento de modelos de IA pautados na “inteligência espacial”: a capacidade de máquinas perceberem, raciocinarem, gerarem e interagirem com ambientes tridimensionais. Entre os investidores nesta última rodada, estavam gigantes da tecnologia como Nvidia, AMD e Autodesk, além de diversos fundos privados. Dentre as razões para a confiança do mercado na empresa, a principal é o envolvimento da cientista da computação Fei-Fei Li. Conhecida pelo apelido de “Madrinha da IA”, Li é um dos maiores nomes em pesquisa e desenvolvimento de inteligência artificial das últimas décadas. Co-fundadora da World Labs, seu objetivo é criar modelos que superem os grandes modelos de linguagem (LLMs), como o ChatGPT e o Gemini. Quem é Fei-Fei Li? Nascida em Pequim, na China, em 1976, ela emigrou para os Estados Unidos na adolescência com seus pais, que trabalharam como técnico e contadora para financiar seus estudos. Li se formou em Física em Princeton, obteve seu PhD no Caltech e, após passagens como professora em Illinois e Princeton, estabeleceu-se em Stanford. Lá, se tornou diretora do Laboratório de IA e co-fundadora do Stanford Institute for Human-Centered AI (HAI). Entre 2007 e 2009, Li liderou a construção do ImageNet: um banco de dados com mais de 14 milhões de imagens rotuladas em mais de 20 mil categorias. O projeto foi pioneiro nas pesquisas em deep learning, oferecendo uma base de dados robusta para o desenvolvimento de algorítmos de aprendizado de máquina. A lógica por trás do ImageNet é que as máquinas só aprenderiam a “ver” se tivessem acesso a uma quantidade suficientemente vasta de exemplos do mundo visual. Para testar a hipótese, os idealizadores do projeto realizavam uma competição anual, o ImageNet Large Scale Visual Recognition Challenge. Em 2012, uma rede neural chamada AlexNet venceu o concurso com uma margem de erro de 15,3%, um marco no campo da pesquisa em IA. Desde então, recursos semelhantes se tornaram o motor de inúmeras aplicações cotidianas, dos assistentes virtuais aos sistemas de diagnóstico médico. Além dos LLMs Entre 2017 e 2018, Li atuou como vice-presidente do Google e cientista-chefe de IA e Machine Learning do Google Cloud, e nos anos seguintes, voltou a focar em pesquisa e ensino. Foi em setembro de 2024 que fundou a World Labs, ao lado de Justin Johnson, Christoph Lassner e Ben Mildenhall. O foco da startup é levar a capacidade de reconhecimento visual dos modelos de IA mais além, tornando-os capazes de entender, interagir e criar ambientes em 3D. De acordo com Li, esse avanço criaria um novo paradigma na pesquisa e nas aplicações da inteligência artificial. Em um artigo publicado em novembro de 2025 no Substack, ela afirma que os LLMs são ferramentas úteis, mas limitadas: são como “escritores no escuro: eloquentes, mas inexperientes; bem-informados, mas sem fundamentos”. Na publicação, Li afirma que, por mais que os modelos de linguagem dominem o texto, produzam código e gerem imagens, eles não entendem que o mundo tem três dimensões. Não sabem que a gravidade puxa os objetos para baixo, que a luz se comporta de determinada maneira, que um braço robótico precisa calcular força e equilíbrio para segurar uma xícara sem quebrá-la. Para Li, é a inteligência espacial que representa a próxima fronteira da IA. “A inteligência espacial vai transformar a forma como criamos e interagimos com os mundos real e virtual, revolucionando a narrativa, a criatividade, a robótica, as descobertas científicas e muito mais”, diz a cientista. Por que a inteligência espacial? Fei-Fei Li faz parte de um movimento no campo da pesquisa em IA que considera a inteligência espacial o alicerce de toda cognição humana, mais fundamental até do que a linguagem. Ela está presente tanto em gestos banais do cotidiano, como caminhar e pegar ou arremessar objetos, quanto em momentos extremos, como a tomada de decisões de sobrevivência. Essa perspectiva tem como base um ponto de vista evolutivo: percepção e ação impulsionaram a evolução da inteligência muito antes da linguagem, da comunicação simbólica ou da civilização. Ela também é a base da criatividade: da pintura em cavernas ao cinema moderno e os videogames, a imaginação espacial forma a base das experiências interativas em mundos reais ou virtuais. Para superar esse limite, Li e a World Labs propõem os modelos de mundo: uma nova classe de sistemas capazes de gerar ambientes tridimensionais consistentes, processar entradas multimodais (imagens, vídeos, gestos, texto) e simular o que acontece quando ações são realizadas nesse espaço. O desafio é ainda maior do que o dos LLMs: representar um mundo exige lidar com física, geometria e dinâmica ao mesmo tempo. Mas o potencial é amplo, e os avanços na área já são mensuráveis. O mercado dos modelos de mundo As aplicações apontadas por Fei-Fei Li vão desde robôs capazes de atuar em hospitais e lares, até simulações científicas que podem acelerar descobertas em medicina e climatologia. O primeiro produto comercial da World Labs chegou ao mercado em novembro de 2025: o Marble, um modelo capaz de gerar ambientes 3D navegáveis e persistentes a partir de prompts de texto, imagens, vídeos ou esboços espaciais rudimentares. Mas a World Labs não está sozinha. O Google DeepMind lançou, em agosto de 2025, o Genie 3. O software é um modelo de mundo interativo de uso geral, capaz de gerar ambientes 3D navegáveis em tempo real a 24 quadros por segundo. Já Yann LeCun, ex-cientista-chefe de IA da Meta, fundou sua própria empresa: a Advanced Machine Intelligence (AMI) Labs. Para LeCun, os modelos de mundo são o verdadeiro caminho para a inteligência artificial geral. Mais Lidas

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